Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Natalino Lazare

16ª Sessão Ordinária - 12/03/2015

O SR. DEPUTADO NATALINO LÁZARE - Sr. presidente, deputado Padre Pedro Baldissera, colegas deputados, quero dizer que estou em desvantagem neste momento, porque vou falar após a manifestação de um ex-governador, e falar depois de um ex-governador, deputado Mario Marcondes, deveria ser proibido por lei, porque quem já ocupou um cargo dessa envergadura, realmente tem toda autoridade para se posicionar a respeito de qualquer assunto.

De qualquer forma, desejo tratar de um assunto que considero relevante, deputado Cesar Valduga, para o oeste catarinense e que se refere ao setor da agricultura.

Temos hoje, em Santa Catarina, e falo com muita tranquilidade, um desempenho espetacular na área da agricultura, que é o alicerce da nossa economia. E a estrutura que o governo do estado tem, na minha concepção, para atender esse importante segmento da nossa economia é excelente. Temos na secretaria da Agricultura o eminente deputado Moacir Sopelsa, um homem simples, mas com profundo conhecimento da área. Temos na Epagri o companheiro LuizAdemir Hessmann, um técnico da mais alta qualidade e que conhece profundamente o setor agrícola catarinense. Na Cidasc contamos comEnori Barbieri, homem do oeste, deputados Cesar Valduga e Neodi Saretta, que v.exas. conhecem, comprometido com a economia agrícola do estado. A Cidasc, inclusive, fez um trabalho maravilhoso que tornou o nosso estado livre de febre aftosa sem vacinação, o que nos permitiu exportar para outros países.

E aproveito a oportunidade para fazer uma homenagem a um grande batalhador da Cidasc que trabalhou em Videira. Refiro-me a Rui Mendes, um técnico que hoje está aposentado e que prestou relevantes serviços no âmbito da sanidade animal da nossa região e do estado de Santa Catarina. Minha homenagem a Rui Mendes, um companheiro, um lutador, um exemplo de servidor público.

Temos também, srs. deputados, outras entidades na área da agricultura que também são muito importantes. Por exemplo, a Faesc, que é liderada pelo eminente ex-deputado Zezo Pedroso; a Fetaesc, que está sob o comando de José Walter Dresch; e a Fecoagro, liderada pelo videirense Luiz Suzin Marini, sem esquecer, é claro, dos sindicatos.

Não podemos esquecer-nos, caros deputados, do sistema cooperativista, que é tão importante para o desenvolvimento agrícola catarinense, e das agroindústrias, que têm grande estrutura técnica que presta perfeita assistência ao agricultor integrado. Portanto, esses agricultores estão bem assistidos.

Mas temos outra realidade, que quero trazer à discussão, deputado Jean Kuhlmann, que é importantíssima. Os agricultores que não estão vinculados ao sistema cooperativista e muito menos às agroindústrias estão sem assistência técnica. Por quê? Porque não existe mais o serviço de extensão rural para os pequenos produtores.

Ontem, infelizmente, não houve quórum para a realização da reunião da comissão de Agricultura, mas vou insistir neste assunto e vou levá-lo ao secretário da Agricultura. Já marcamos para quarta-feira, à 17h, uma reunião da comissão de Agricultura com o deputado Moacir Sopelsa, secretário da Agricultura, para tratar deste assunto.

Precisamos fazer com que a Epagri volte ao sistema de extensão rural. Quem não se lembra da antiga Acaresc? Aquele órgão foi o precursor de todos os programas de agricultura existentes hoje. Participei, há alguns dias, de uma solenidade da cooperativa de Videira, onde o presidente da Fecoagro do nosso estado, Luiz Suzin Marini, disse em alto e bom tom que a agricultura pode ir bem desde que o governo não atrapalhe.

Eu fico triste com essa constatação, porque o estado deveria ser o primeiro a exercer seu papel estratégico no desenvolvimento agrícola. Porque o que está ocorrendo tem um nome, no meu entendimento, srs. deputados: é a falência do serviço público brasileiro. É lamentável que a iniciativa privada constate que o serviço público não está correspondendo aos seus anseios. É a falência, repito, do serviço público brasileiro.

Por isso, faço um apelo a esta Casa e à secretaria da Agricultura. Acho que o governador Raimundo Colombo teve um momento de lucidez importante quando nomeou esse trio para comandar o setor agrícola do nosso estado, pois são pessoas gabaritadas. Mas esta Casa precisa dialogar com o governo para tratar dessas questões pontuais que são tão importantes. O pequeno produtor catarinense hoje está desassistido, desestimulado, não tem ninguém que vá conversar com ele para sugerir-lhe o que produzir, quais as alternativas que possui e assim por diante. Está faltando planejamento para a agricultura catarinense.

Então, faço um apelo a esta Casa, no sentido de realmente estudar este assunto com carinho, porque o agricultor é a mola mestra do desenvolvimento econômico, especialmente do oeste catarinense.

Para finalizar, gostaria de contar uma pequena história que tive o privilégio de vivenciar numa universidade do estado do Rio Grande do Sul. Eu estava participando de um debate sobre profissões. A questão era a seguinte: qual o profissional mais importante do planeta? E aí levantou o representante da classe médica e disse que o profissional mais importante é o médico, porque salva vidas. Depois se levantou alguém e disse que o professor era o profissional mais importante, porque é a base, a essência de tudo. E, timidamente, levantou-se o representante dos agricultores e disse: "Não, senhor, eu discordo, pois para mim o profissional mais importante do planeta é o agricultor".

Quando ele falou isso, fez-se silêncio no auditório; alguns até cochicharam, mas o jovem se encheu de coragem e falou de maneira incisiva, forte e firme que queria provar para todos que o profissional mais importante do planeta é o agricultor, porque é ele quem produz o alimento e se não existir alimento, não existe vida!

Então, srs. deputados, é esse profissional que este Parlamento e o Poder Executivo têm que incentivar para manter a vida e o desenvolvimento sustentável para a felicidade do povo brasileiro.

O Sr. Deputado Mario Marcondes - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NATALINO LÁZARE - Pois não!

O Sr. Deputado Mario Marcondes - Nobre deputado, hoje foram levantados da tribuna dois assuntos de extrema importância: um trazido pelo deputado Darci de Matos, sobre educação, e outro sobre agricultura, abordado agora por v.exa.

Efetivamente, se o estado não começar a repensar o nosso pequeno agricultor, daqui a pouco não teremos mais quem plante no sítio para que possamos comer na cidade. É importante abordarmos esse assunto e levantarmos mecanismos que façam com que o pequeno agricultor e seus familiares fiquem efetivamente no meio rural plantando, porque hoje está muito difícil manter os filhos no campo, só as pessoas mais idosas estão ficando no interior, os jovens estão vindo para a cidade arrumar emprego.

O SR. DEPUTADO NATALINO LÁZARE - Ainda bem, deputado, que v.exa. pensa assim e que Deus nos ilumine para que possamos construir realmente um projeto que consiga melhorar a vida do nosso homem do campo.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)