79ª Sessão Ordinária - 02/10/2007
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, srs. deputados, nossos acompanhantes da TVAL, da Rádio Alesc Digital, venho à tribuna no dia de hoje repudiar uma ação, que poderia ter acontecido também com outros deputados desta Casa, de um meio de comunicação, uma revista nacional, a revista Veja, que se presta ao serviço de fazer um conjunto de denúncias mentirosas, caluniosas, de baixo calão, sem procurar antes a veracidade dos fatos, sem procurar antes de fato o que existe na prática.
Nesta semana, estou sendo vítima, e fui vítima neste final de semana, de denúncia na revista Veja. Estou profundamente revoltado e também quero lamentar pela nossa imprensa, que se diz democrática. Ainda bem que temos grandes setores da imprensa de fato democráticos e que não fazem esse tipo de papel que a revista Veja se propõe a fazer, levantando um conjunto de denúncias, calúnias, mentiras, como é o caso de uns dos itens que fala que eu teria assinado, em 2003, um convênio de R$ 1 milhão com uma entidade chamada Fetraf-Sul.
Quero deixar muito claro, e já falei isso para toda a imprensa estadual e nacional, que me licenciei em 2002 para ser candidato a deputado, quando fiquei na segunda suplência dessa entidade. Depois, reassumi a coordenação adjunta do estado de Santa Catarina, que estatutariamente nessa entidade não tem nenhum papel jurídico de assinar convênio ou fazer qualquer prestação de contas de projetos recebidos, seja de qualquer forma, de qualquer entidade de que vierem esses projetos, seja de um governo ou de outras entidades no Brasil ou de fora. Então, essa é a primeira grande mentira que a revista levanta e divulga para todo o nosso país. Em segundo lugar, sobre suspeitas de caixa dois, desvio de recursos, gostaria de dizer que a minha prestação de contas foi aprovada e está no TRE à disposição de qualquer pessoa que quiser acessar, tanto quanto a minha declaração de renda e também a minha declaração de bens.
Outra coisa que a revista levanta é que eu teria coordenado a campanha da senadora Ideli Salvatti, no ano de 2002, até para deputada. Srs. deputados, fui candidato em 2002 e não poderia coordenar de forma alguma a campanha da senadora Ideli Salvatti. E se tivesse coordenado, também não haveria problema nenhum. Agora, a todo o momento a revista tenta me comprometer com a senadora Ideli Salvatti. Então, isso deixa claro o objetivo! Já no mês de março, foi denunciado, a imprensa denunciou, levantou em nível de estado uma denúncia feita por uma entidade sindical. Foi uma disputa de base sindical. E neste momento está em jogo em nível nacional a abertura da CPI das ONGs. E aí, claro, esse interesse, esse vínculo que se tenta fazer do meu nome com o da senadora Ideli Salvatti e também com a Fetraf-Sul demonstra um pouco o papel a que a revista se presta em nível de Brasil.
Estou muito tranqüilo, respondendo a essas questões. Infelizmente, foi envolvida também a minha esposa, que estava na minha propriedade, trabalhando, quando lamentavelmente chegaram dois repórteres de Brasília e forçaram um conjunto de questões frente a ela. Mas quero deixar muito claro que estamos à disposição para esclarecer esses fatos. Também estou com a minha assessoria jurídica encaminhando as ações cabíveis contra a revista, porque não é possível que se destrua uma história de quase 30 anos de luta, de defesa dos trabalhadores, dos agricultores familiares, principalmente do fortalecimento da política pública do nosso país e das suas conquistas. Não podemos admitir que de uma hora para outra isso se desmonte, que tentem ameaçar essa liderança ou a nossa pessoa diante da sociedade catarinense e da sociedade brasileira.
O Sr. Deputado Décio Góes - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Pois não!
O Sr. Deputado Décio Góes - Quero manifestar aqui a minha solidariedade e a dos demais parlamentares do Partido dos Trabalhadores a v.exa. e à senadora Ideli Salvatti, a qual só tem lutado para trazer recursos para Santa Catarina, de forma pública, transparente, muita clara, muito parceira da sociedade catarinense, com uma vitalidade impressionante, como uma guerreira. Mas tudo isso é para tentar inibir a nossa grande guerreira, a senadora Ideli Salvatti.
É uma vergonha essa revista, que se diz da grande imprensa nacional, estar-se colocando como um veículo da mais baixa categoria, até em função dos argumentos usados, que não coincidem com a manchete, forçando relações que são do cotidiano, tentando dizer que existem coisas escuras atrás disso. É revoltante termos que aturar esse tipo de coisa. E v.exa. faz muito bem em questionar esse tipo de procedimento.
Portanto, a nossa solidariedade, a nossa compreensão, o nosso carinho. Sei exatamente o que v.exa. está passando, porque já tivemos momentos difíceis, mas sei que Deus vai ajudar v.exa., a sua família e a nossa companheira Ideli Salvatti a superarem todo esse episódio.
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Gostaria que esses tipos de fatos e de calúnias não fizessem a nenhum parlamentar desta Casa. E ninguém certamente gostaria de ser vítima num processo desses.
Por último, queremos dizer que hoje, às 16h, teremos uma audiência com o ministro da Educação, para discutir a questão da universidade pública da mesorregião do Mercosul. Ontem, pela manhã, o presidente Lula anunciou no programa Café com o Presidente que vão ser construídas mais dez universidades públicas, até 2010, em nosso país.
Então, estamos com uma expectativa muito grande sobre essa reunião de hoje, em Brasília, contando com a participação de todas as organizações, entidades, movimentos sociais e dos deputados Pedro Baldissera e Pedro Uczai, que certamente amanhã estarão trazendo informações sobre essa audiência.
Quero dizer que é uma das grandes lutas do nosso estado, da região oeste, ter uma universidade pública. É o sonho de muitos jovens que o presidente Lula traz de volta, ou seja, um ensino de qualidade para poderem preparar-se profissionalmente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)