59ª Sessão Extraordinária - 12/12/2007
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, sras. e srs. deputados, srs. ouvintes da Rádio Alesc Digital e também telespectadores da TVAL, certamente, conseguir transformar lixo em matéria-prima foi um sonho que hoje está sendo concretizado em diversos setores. Foi um sonho de várias décadas, até para atender o destino, para conseguir ter encontrado o destino de toneladas e toneladas de lixo, que era lixo. E não sabiam o que fazer daquilo.
Há 30 anos, 40 anos, serragem, casqueiro, refil, tudo era lixo de madeira. Hoje, é matéria-prima como fonte energética de inúmeras empresas que usam o vapor como forma de energia, aplicada nas caldeiras. Há duas décadas, três décadas, não se sabia o que fazer com tanto plástico que se espalhava nos lixos; hoje, não existe mais nenhuma garrafa, nenhum frasco plástico que não tenha utilidade. É uma matéria-prima procurada e comprada. Hoje, você compra lixo, deputado Edson Piriquito, justamente, para transformar em matéria-prima de novos produtos usados, naturalmente, em setores que podem ser não usados no setor alimentícios.
Mas existia uma preocupação muito grande, por exemplo, com o tecido velho. Na verdade, quando abandonamos a roupa - e ao mesmo tempo se faz discurso de ecologia -, esquecemos que ela significa uma agressão ao meio ambiente de várias maneiras, não só no plantio do algodão, mas por todo o beneficiamento pelo qual passa o tecido, desde o algodão, até virar roupa para vestirmos. Até pouco tempo, roupa velha era lixo e não se sabia mais o que fazer. Hoje é matéria-prima para a transformação, novamente, daquela fibra numa fibra de algodão, naturalmente com uma qualidade diferenciada, mas que tem grande utilidade.
Agora, vejam que levamos décadas para encontrar uma maneira de utilizar as fezes suínas e das aves. Isso foi motivo de inúmeros encontros no oeste de Santa Catarina, para se saber o que fazer, qual o melhor destino para os dejetos suínos e das aves, que agora existem em todas as regiões de Santa Catarina, mas que são mais intensos nas regiões sul e oeste.
Na semana passada, o senador Leonel Pavan, acompanhado de um membro desta Casa, o deputado Valmir Comin, e também do presidente da Celesc, visitou empresas americanas que estão na fase final dos estudos para a utilização de dejetos suínos e de aves que, acrescidos com um pouco de serragem - o planalto norte e a região serrana, certamente, têm como fornecer em grande quantidade, já que é um produto das serrarias -, iriam se transformar em energia térmica.
Há várias décadas está-se querendo encontrar um destino para esses dejetos, e agora vejo bem próxima uma grande luz no final do túnel, com a possibilidade de podermos dar um destino adequado, utilizando aquilo como matéria-prima. Hoje, os empresários procuram o plástico, a roupa velha, a serragem, a casca da madeira. Aquilo que era jogado fora e não se sabia o que fazer, hoje se procura e até se compra. E daqui a alguns anos, se Deus quiser, vão passar a comprar as fezes de suínos e de aves, que entrarão na matriz energética de Santa Catarina para a geração de energia elétrica, iniciando ali com 120 ou 150 megawatts, com um investimento, conforme comentava o senador Leonel Pavan, em torno de R$ 600 bilhões.
Então, deputado José Natal, vemos ali uma luz que vem para nos ajudar a dar um destino adequado para esses dejetos. E conforme a pesquisa, o final da combustão desses dejetos ainda servirá para a confecção de diversos adubos.
Assim, eu queria cumprimentar o senador Leonel Pavan por essa iniciativa. Ele, que já foi deputado federal, além de prefeito de Balneário Camboriú por três vezes e senador, participou de perto dessas discussões, desde 1995, quando se tentava buscar uma alternativa para dar um fim a esses dejetos. Deputado José Natal, o dejeto é tanto que não se sabe onde colocar isso.
Então, se Deus quiser, dentro de alguns anos, de 2010 em diante, haverá procura. E estaremos comprando dejetos suínos, dando-lhes, então, um destino correto. Eles servirão como fonte energética para a geração de energia elétrica.
Ao final, quero comentar ainda que hoje à noite o hospital de Azambuja, que presta cerca de 70% a 80% de atendimento médico pelo SUS e que atende o vale do Rio Itajaí-Mirim, especialmente, Brusque, Botuverá, Guabiruba e também pessoas de Itajaí e Gaspar, vai inaugurar a ampliação da sua UTI.
Infelizmente, dado o grande número de acidentes que ocorrem pelos portões do estado, há deficiência de vagas nas UTIs de Santa Catarina. E essa ampliação vem atender a uma necessidade do estado. Vemos inúmeras vezes pacientes sendo transferidos de Itajaí para Jaraguá do Sul. E existe as tentativas de transferência de pacientes para Lages, enfim, há transferências, às vezes, para locais distantes. E isso é ruim para o paciente, para a família e para o sistema. O melhor seria que pudéssemos acomodar os nossos pacientes o mais próximo possível das suas casas.
Mas quero cumprimentar a direção daquela casa e, de forma especial, fazer uma saudação ao padre Nélio e à direção daquele hospital, que tem feito um esforço muito grande para buscar recursos de várias maneiras. E muitas vezes é até incompreendido, porque os gastos com a saúde são difíceis de ser previsíveis e também medidos. Depois que alguém diz que gastou R$ 30 mil, R$ 40 mil, R$ 50 mil, questionam: "Mas como se gastou tanto? Como é que uma apendicite custou R$ 50 mil"? Pode? Sim, desde que haja uma grande complicação e o doente vá para a UTI, use antibióticos de altíssima geração. Daí acaba em custos muito elevados.
Então, quero saudar a direção desse hospital, assim como também a direção de, praticamente, 200 hospitais de Santa Catarina, que têm que fazer uma ginástica danada para conseguir fazer com que os hospitais sobrevivam. Cada um tem a sua história. E os hospitais particulares também têm história, porque eles acabam exercendo uma função social muito grande. O hospital particular, apesar de cobrar a conta dos pacientes, retira a carga do...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)