18ª Sessão Ordinária - 19/03/2009
O SR. DEPUTADO LÍCIO MAURO DA SILVEIRA - Sr. presidente, srs. deputados, estudantes que nos visitam, é uma satisfação tê-los aqui, vocês que estão na flor da idade, assistindo o Legislativo catarinense atuar.
Quero hoje me ater ao aniversário de duas queridas cidades. A primeira delas é São José, que completa no dia de hoje 259 anos.
(Passa a ler.)
"São José é o quarto município mais antigo de Santa Catarina. Foi colonizado em 26 de outubro de 1750 por 182 casais açorianos das ilhas Graciosa, São Miguel e São Jorge.
Em 1829 recebeu o primeiro grupo de colonização alemã no nosso estado.
Em 1º de março de 1833, São José passou de freguesia à vila. Ali então se instalava o município. E em 03 de maio de 1856, através da Lei Provincial n. 415, é elevada à cidade.
É um fato curioso, até uns 15 anos, São José, apesar de ser um grande município, seus habitantes não tinham muito orgulho de ser josefenses. Os carros dos moradores apresentavam placas de Florianópolis ou de outros municípios. São José amargava a falta de receita tributária, quer seja pelo IPVA quer seja pelos outros impostos, pois os munícipes não se preocupavam em pagá-los em razão da falta de infra-estrutura, de planejamento e outras coisas.
Hoje, srs. deputados, os jofesenses têm identidade e orgulho de pertencer ao município, pois o cenário é totalmente diferente, é outro. A cidade cresceu, desenvolveu-se de forma rápida e hoje, com praticamente 200 mil habitantes, não precisa mais ir aos outros centros para equacionar seus problemas diários. Lá há de tudo que o josefense precisa: comércio, indústrias, diversão, lazer, vida noturna, restaurantes, shoppings, escolas, universidades, hospitais etc.
Os 259 anos de emancipação política merecem ser comemorados com toda a força, pois o josefense, hoje, tem um orgulho ímpar de viver e trabalhar naquela querida cidade.
Por isso é que nós transmitimos, nesta ocasião, as felicitações, parabéns pelos 259 anos do município de São José.
Mas, sr. presidente e srs. deputados, segunda-feira é Florianópolis que completa 283 anos. E Florianópolis, o segundo núcleo de povoamento mais antigo do estado, pois fez parte da vila Laguna, desempenhou importante papel político na colonização da região.
Em 1675, Francisco Dias Velho, familiares e agregados dão início à povoação da ilha, com a fundação de Nossa Senhora do Desterro. Em 1726, Nossa Senhora do Desterro é elevada à categoria de vila. A partir de 1737 começam a ser erigidas, pelos portugueses, as fortalezas necessárias à defesa do seu território. Esse fato resultou num importante passo na ocupação da ilha. Com a ocupação, prosperou a agricultura, a indústria manufatureira de algodão e de linho, permanecendo, ainda hoje, resquícios desse passado no que se refere à confecção artesanal da farinha de mandioca e das rendas de bilro.
Em 1823 Desterro foi elevada à categoria de cidade, tornando-se a capital da província de Santa Catarina e somente em 30 de setembro de 1894 o Legislativo catarinense, a nossa Assembléia Legislativa, composta, na época, por apenas 14 deputados, aprovou, por unanimidade, a lei de mudança do nome de Nossa Senhora do Desterro para Florianópolis, em homenagem a Floriano Peixoto, que foi o segundo presidente da República e primeiro vice-presidente do Marechal Deodoro da Fonseca, que renunciou dois anos após o seu mandato. Essa lei foi aprovada por unanimidade pelos 14 deputados, ou seja, a lei que mudou o nome de Nossa Senhora do Desterro para Florianópolis, em homenagem a Floriano Peixoto, então presidente do Brasil. Em 1º de outubro de 1894, ou seja, um mês, praticamente, depois, através da Lei n. 111, o ato do Legislativo que mudou o nome da cidade foi sancionado pelo governador Hercílio Luz.
Sr. presidente, essa mudança gerou indignação, revolta e lembranças foram atiçadas na famosa Novembrada, quando da vinda do presidente Figueiredo, pois Floriano fora homenageado ali na praça XV, perto da nossa figueira, com uma placa.
O que aconteceu? O povo revoltado, em 1979, na famosa Novembrada, arrancou a placa e aí houve aquele tumulto muito grande, quando o presidente da República na ocasião, João Figueiredo, foi quase massacrado. Houve uma luta entre diversas pessoas, alguns ministros levaram algumas lembranças no seu corpo e aquele momento aconteceu porque foi relembrado, no coração do florianopolitano, o enforcamento e o fuzilamento de centenas de desterrenses quando da Revolução Federalista.
A Revolução Federalista, que começou no Rio Grande do Sul, foi um movimento contra a República e dele surgiram os maragatos e os pica-paus, ou seja, os federalistas contra os republicanos. Parte desse episódio deu-se aqui em Florianópolis e o resultado foi desastroso, pois foram fuzilados ou enforcados, em função de determinação do presidente da República, Floriano Peixoto, inúmeros conterrâneos.
Mas hoje Florianópolis mudou e é lógico que todas as cidades mudam. Dentre os atrativos turísticos da capital salientam-se, além das magníficas praias, as localidades onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes açorianos, como o Ribeirão da Ilha, a Lagoa da Conceição, Santo Antônio de Lisboa e o próprio centro histórico da cidade.
Florianópolis possui 405 mil habitantes, com um IDH de 0,875. Em decorrência disso, é a quarta cidade com melhor qualidade de vida do país, tendo como marco histórico para todo esse desenvolvimento a criação da UFSC, na década de 60, pelo então presidente da República, Juscelino Kubitschek.
Florianópolis tem alguns símbolos: seu hino, o Rancho de Amor à Ilha, de autoria de Zininho, composto em 1965; sua árvore, o garapuvu; sua flor, a orquídea Laelia Purpurata; e seu pássaro, o Martim Pescador.
Por isso, hoje, ao completar 283 anos, parabenizo o povo florianopolitano pela evolução e pela educação que foram o berço de toda essa conquista.
Parabéns, Florianópolis, pelos seus 283 anos, que serão comemorados na segunda-feira.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)