49ª Sessão Ordinária - 01/07/2008
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, gostaria de parabenizar, primeiramente, o deputado Carlão, pelo resgate histórico da família Casan, assim podemos falar, esses funcionários exemplares que trabalham com a saúde, com a água e, consequentemente, com o saneamento, que são obras enterradas, sim.
Desde o primeiro dia nesta Casa, eu priorizei a questão do saneamento, a questão ambiental e a questão da educação e da saúde. Portanto, tenho que fazer justiça à nova Casan, em sua recuperação, até porque há poucos dias, na semana passada, precisamente na quinta-feira, foi dada uma ordem de serviço para o início de uma obra de R$ 22 milhões no Campeche, que é maior do que muitos municípios de Florianópolis. Então, nós teremos, dentro de um ano, mais de 75% do sistema de tratamento do esgoto, de saneamento realizado na capital de todos os catarinenses.
Por outro lado, é verdade, sim, que nós temos na Foz do Rio Itajaí-Açu, em toda a sua bacia, a maior renda per capita talvez do Brasil e somente um município, que é Balneário Camboriú, atende 80% do seu saneamento. Mas o conselho que podemos dar é que realmente seja bem aplicado o dinheiro, começando pelas nascentes, que são 54 municípios que compõem essa bacia hidrográfica do Rio Itajaí-Açu.
Portanto, parabéns à Casan pelo bom trabalho realizado e temos que elogiar a nova administração, na pessoa do seu presidente Walmor De Luca.
Companheiro Marcos Vieira, eu gostaria de falar sobre um assunto bastante sério, no meu ponto de vista, com conseqüências num futuro muito breve, que é a questão do petróleo.
O Sr. Deputado Adherbal Deba Cabral - V.Exa. me permite um aparte?
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Pois não!
Sr. Deputado Adherbal Deba Cabral - Deputado professor Grando, eu queria aproveitar o seu pronunciamento para fazer inclusive um agradecimento todo especial, neste momento, a v.exa. Eu, que represento o município de Navegantes, sei o quanto foi importante o seu trabalho como diretor-presidente na época em que autorizou a liberação da construção do porto de Navegantes. Nós ficamos muito gratos e queremos, nesta oportunidade, fazer este pleito de gratidão a v.exa., até porque hoje nós temos um porto privado lá no município funcionando em parceria com o porto de Itajaí, mostrando que v.exa. realmente tinha razão quando concedeu a licença de instalação do porto de Navegantes.
Então, a população de Navegantes, a população da Foz do Rio Itajaí-Açu agradece a v.exa. por isso, a exemplo do que hoje está falando sobre a Casan, que é uma empresa que deveremos apoiar, até porque precisamos de infra-estrutura em Santa Catarina.
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Apenas cumprimos o nosso dever, mas todo o agradecimento deve ser dado aos funcionários exemplares que a Fatma possui.
O petróleo, em 73 e em 79, teve um aumento muito grande que assustou a nossa humanidade, todo o planeta Terra. Mas aquela crise foi provocada porque o petróleo foi retirado do mercado. Simplesmente a Arábia Saudita, a Opep, através de outros países que compõem essas associações de produtores de petróleo, a Organização Produtora de Petróleo, deixou de produzir e de colocar petróleo no mercado. De US$ 1,00 passou para até US$ 30,00 o barril de 200 litros de petróleo. Isso assustou! Por falta do produto no mercado, ele ficou mais caro.
O que está acontecendo hoje? Ao contrário de antes, nós estamos tendo demanda no mercado. O que isso significa?
A China, que produzia dois milhões de barris/dia, gastava dois milhões de barris/dia. Só que agora a China está produzindo quatro milhões de barris, mas está consumindo pelo seu desenvolvimento oito milhões de barris/dia. E a Arábia Saudita manteve essa produção, elevando um pouco mais, mas praticamente a China poderia consumir toda a produção de área da Arábia Saudita. A Índia aumentou o seu consumo de petróleo também pela industrialização e pelo seu desenvolvimento e assim sucessivamente.
Outros países como a Nigéria têm dificuldades tecnológicas de aumentar a extração de petróleo. Na Venezuela, que é um grande produtor, o petróleo é estatal e praticamente as iniciativas estatais demoram a aumentar a produção.
O que nós estamos tendo no mundo hoje? Uma demanda, uma procura muito grande, porque os países desenvolvidos não podem mais parar o seu desenvolvimento com aquilo que é principal e essencial, que é a energia do petróleo que nós costumamos chamar de combustível fóssil, que emite grande quantidade de dióxido de carbono. E nós sabemos a conseqüência do aquecimento global e que esse tipo de desenvolvimento torna-se difícil. Imaginem o Japão e tantas outras potencialidades.
Então, agora se torna mais difícil controlar o aumento de petróleo. Isso significa que o petróleo não vai mais baixar. Se o petróleo aumenta, deputados Adherbal Cabral, Ismael dos Santos e Serafim Venzon, o que é que acontece? Primeiro, aumenta o transporte e, segundo, aumentam os insumos agrícolas que são originários, na sua maioria, do petróleo.
Sabemos que o dólar está em desvalorização. Portanto, se o dólar cai 1%, o barril do petróleo aumenta 1%. Nós encontramos os estoques de alimentação praticamente vazios em todos os países em desenvolvimento porque aumentou o consumo. Está-se procurando um novo tipo de energia, que é o etanol - e só nós listamos cinco razões. Só que o etanol ocupa cada vez mais terras, seja o extraído do milho ou da cana-de-açúcar, valorizando as terras que produzem melhor a cana-de-açúcar. E nós sabemos que a cana-de-açúcar precisa do frio para poder produzir maior quantidade de açúcar e ter maior álcool. Portanto, a cana-de-açúcar talvez no Amazonas não dê, não vai estragar a nossa selva, mas no Mato Grosso do Sul, já está fazendo estrago em grandes extensões.
E haveria uma sexta razão que é o grande investimento na Bolsa de Mercadorias e Futuros de compra de mais de 848 milhões de barris de petróleo que têm que ser entregues, o que gerou uma inflação à frente.
Com essas razões claro que vai aumentar o nosso alimento do dia-a-dia. As mulheres, as donas-de-casa, os homens, já não estão mais acreditando que o arroz aumentou. Está custando quase R$ 17,00 o pacote de cinco quilos de arroz, aumentou mais de 20%. Então, aquela inflação de 4% ou 5%, ninguém mais está acreditando. Aumentou o pão, a carne, tudo!
Como conseqüência disso teremos a falta de gás, que também é outro problema sério para se resolver. Cada vez o gás vai ser mais caro, porque também é originário... Não o Gasbol que vem da Bolívia, mas uma grande parte que vem nos navios em cilindros imensos com gás liquefeito que é originário do petróleo. E vai aumentar, sim, o nosso GLP, que é o gás de cozinha. Esse todo mundo utiliza e vai acabar aumentando.
Como conseqüência nós vamos ter o aumento da inflação. Eu não falei ainda da conseqüência da invasão do Iraque, que era um grande produtor de petróleo, que desorganizou toda a economia. E quem é que vai pagar esse aumento da inflação? Mais uma vez o trabalhador.
Só para vocês terem uma idéia, um litro de petróleo extraído a três mil metros - é o que o Brasil tem em plataforma submarina -, custa R$ 0,08, se ele for refinado passa a valer R$ 2,15; se ele for para distribuição, para aqueles grandes tanques para as empresas venderem, ele passa para R$ 2,20; quando chegar nos 33 mil postos brasileiros ele estará sendo vendido a R$ 2,50, sendo que R$ 1,15 é só de impostos.
E nós vemos ainda que muitos países estão subsidiando a gasolina. O Brasil fez isso recentemente tirando a Cide.
Então vejam bem: isso irá trazer uma crise muito grande. Nós queremos alertar porque existem soluções através da Reforma Agrária Social produzindo alimentos que o povo consome. Era isso que tínhamos que falar sr. presidente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)