Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

47ª Sessão Ordinária - 20/06/2006

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, srs. deputados, estamos chegando na reta final do chamado período pré-eleitoral. Gostaria, aqui da tribuna, de fazer alguns comentários a respeito da dinâmica partidária que se desenrola em Santa Catarina.

A cada dia que passa assistimos a um capítulo inesperado, surpreendente. Eu queria chamar a atenção porque eu entendo, deputado Onofre Santo Agostini, que sociologicamente se divide a política em esquerda e direita. Moralmente se divide entre aqueles que têm uma postura moral, proba, idônea, com aqueles que já caíram na vala da corrupção, que já se entregaram ao processo deslavado do desvio do recurso público. Também entendo que pode ser feita uma outra divisão entre aqueles que colocam princípios no exercício de sua ação política e os que não têm princípios.

O que eu quero dizer com isso? Que o partido ou o político propriamente dito faz um risco no chão e diz assim: "Desse risco para lá eu não posso passar, porque esse risco aqui é o meu limite com relação à questão ética". Faz um outro risco e diz: "Desse risco para lá eu não posso passar, porque é o meu compromisso com o interesse público em detrimento do interesse privado". Ele faz um outro risco e se ele for comprometido com a classe trabalhadora diz que: "Daqui para lá não pode porque é o compromisso que tenho com a classe trabalhadora. Se eu passar desse risco para o outro lado, já estou comprometido com o empresariado."

Quem faz política com princípios, quem risca, quem põe limites, no final acaba ficando com um espaço bastante circunscrito, delimitado, com pouco espaço de mobilidade. E essa autodelimitação que um político ou que um partido impõe acaba, num momento subseqüente, trazendo dificuldades eleitorais, criando, inclusive, embaraços, porque ele riscou de tal forma o chão que o seu espaço, que a sua mobilidade, que o seu terreno para se movimentar na política é muito pequeno.

Mas ele vai participar da eleição! Então, quando ele percebe que o espaço que ele fez cercou-o e pode inviabilizar a sua eleição, o que é que ele faz? Ou ele vai para a eleição com aquele espaço, ou ele começa a rever os limites que se impôs, os riscos que pôs no chão! E começa a apagar aqueles riscos, começa a pular contra aqueles princípios que ele dizia que tinha e aos quais defendia.

E é por isso que eu falo aqui, olhando para o cenário de Santa Catarina, que há muita gente neste estado apagando os riscos, mudando de princípios, mudando de valores políticos, ideológicos, éticos e morais. Em nome do quê? Só em nome da viabilidade eleitoral.

Senão como entender uma manchete do Jornal de Santa Catarina, do dia de hoje, que diz que os pefelistas do Vale do Itajaí resistem à aliança com PMDB? Como entender essa aliança do PMDB com o PFL, se o governador Luiz Henrique se elegeu - foi até plataforma de campanha do PMDB, deputado Onofre Santo Agostini - dizendo que ia varrer as oligarquias de Santa Catarina? Como entender essa aliança nos municípios de Criciúma e de Blumenau, por exemplo? Como entender o deputado Ronaldo Benedet ir para a eleição deste ano estampando no peito o adesivo com o número 25, apoiando para o Senado o PFL?

Não me lembro exatamente o dia, mas recordo que o governador Luiz Henrique veio aqui, numa sessão nesta Casa, deputado Celestino Secco, e eu, deste microfone de aparte, disse: "Governador, as suas iniciativas políticas, os seus projetos de governo estão vinculados a um ideário neoliberal". E ele respondeu: "Não, deputado, V.Exa. está enganado, eu não sou um neoliberal."

Quem foi que protagonizou, no Brasil, as políticas neoliberais senão o PSDB de Fernando Henrique Cardoso, senão o PFL? E agora o governador Luiz Henrique assume de peito aberto, de um lado abraçado com o PSDB e de outro abraçado com o PFL, em nome do quê? De uma viabilidade eleitoral!

Isto é apagar os seus princípios, isto é mudar de postura, porque assumiu publicamente um caminho em Santa Catarina. Como entender o governador Luiz Henrique, que na eleição passada tinha a deputada Rita Camata de vice na chapa de José Serra e que foi gradativamente se afastando até que chegou ao palanque do presidente Lula.

Durante um bom período vi, nesta Casa, deputados do PT defenderem que o partido deveria assumir o governo. Infelizmente, como está agora a cabeça do prefeito Volnei Morastoni, de Itajaí, que queria o PT aliado com Luiz Henrique da Silveira? Agora o governador Luiz Henrique da Silveira é o candidato do senador Jorge Bornhausen!

Essa confusão eleitoral, deputado Lício Silveira, esse jogo de interesses politiqueiros e eleitoreiros, eu tenho absoluta certeza de que o povo de Santa Catarina está assistindo. A cúpula partidária pensa que faz o que quer, na hora em que quer e que o eleitor é uma marionete, um bobinho. A cúpula aceita, decide e negocia e todo mundo tem que engolir goela abaixo. Não é assim! O povo catarinense está assistindo e tenho absoluta certeza de que na eleição deste ano vai haver uma revolta popular, o povo vai dizer "não" a esse tipo de politicagem.

Por isso, com muito orgulho digo que não é à toa, deputado Lício Silveira, que, querendo ou não os interesses do poder, cada vez mais vamos assistir ao crescimento da candidatura da senadora Heloísa Helena, do P-SOL, como uma forma de se opor a essa prática política viciada que se está instalando nas nossas barbas em Santa Catarina. Mas eu tenho absoluta certeza de que o povo vai responder.

Venho à tribuna para demarcar o campo da coerência política e dizer que a esses que falam de manhã uma coisa e na madrugada fazem outra completamente diferente o povo vai responder nas urnas, na eleição de outubro.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)