85ª Sessão Ordinária - 19/10/2006
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sr. presidente, agradeço a v.exa. a aplicação correta do Regimento Interno, impedindo, assim, a tentativa do deputado Dionei Walter da Silva de fazer com que eu não fizesse uso da palavra neste momento, no espaço que me foi gentilmente cedido pelo PSDB.
Sr. presidente, eu tenho, a exemplo de v.exa., três mandatos nesta Casa. Em dois deles fui deputado de Situação e em um deles deputado de Oposição e, ao longo desse lapso temporal, convivi intensamente nesta Casa com um sem números de deputados. Convivi intensamente com deputados que sempre estiveram na trincheira contrária a minha e cotidianamente aqui fazíamos debates acirrados no plano das idéias, com afirmações num ou noutro sentido, mas sempre houve uma convivência respeitosa, apesar da divergência e da permanente dissensão.
Assim foi nesta Casa o meu relacionamento com o ex-deputado e hoje presidente do Tribunal de Contas do Estado Otávio Gilson dos Santos; de igual modo o foi com o ex-deputado estadual e atual deputado federal Ivan Ranzolin, na legislatura passada; assim foi nesta legislatura com v.exa., deputado Lício Silveira, que agora preside esta sessão; assim foi na legislatura passada e nesta com o deputado Joares Ponticelli e assim é na atual legislatura com o deputado Antônio Carlos Vieira.
Quero dizer que a todos, ex e atuais deputados, respeito. Respeito pelas suas posições, pelos seus compromissos, pelos seus ideais, pelos seus papéis, pelos seus perfis e pelos seus desempenhos.
Certamente que ao longo de um mandato todos nós, até pela condição humana, cometemos erros; eu certamente os cometi ao longo deste mandato. Certamente que cometemos excessos, todos nós, dada a condição de falibilidade humana, numa ou noutra situação. Tocados por esse ou por aquele sentimento, cometemos erros e praticamos, indubitavelmente, alguns excessos. Mas algo que eu sempre procurei fazer e quero manter esse posicionamento é nunca buscar enfrentar ou trazer ao debate qualquer questão de natureza pessoal.
Nós precisamos separar as situações para que não haja confusão entre aquilo que é o fundamental, que é o desempenho do mandato, que é a atividade pública, com qualquer questão de natureza pessoal que, a meu ver, refoge, deve ficar longe do debate havido no plano parlamentar.
Neste sentido e pelo que ouvi há pouco nesta sessão da Assembléia Legislativa, quero, uma vez mais, reafirmar o meu apreço pessoal pelo deputado Antônio Carlos Vieira, a quem conheço de longa data na sua condição de ex-servidor da Fazenda Pública Estadual, na sua condição de ex-secretário do estado da Fazenda e mais agora, proximamente, neste quadriênio, pela sua atuação parlamentar nesta Casa.
Respeito o deputado Antônio Carlos Vieira pelas suas convicções, pelas suas posições, pela maneira veemente como as defende, mas não posso concordar com algumas palavras que foram aqui lançadas por s.exa., claro que no calor da discussão, no calor do embate, mas efetivamente não as posso aceitar.
Neste momento, socorro-me de uma prerrogativa regimental, aliás, havia solicitado à Casa que pudesse me alcançar o Regimento, para que eu possa requerer, sr. presidente, que duas expressões que foram utilizadas pelo deputado Antônio Carlos Vieira na sua alocução concernentes ao ex-governador Luiz Henrique da Silveira sejam, com base no Regimento Interno, retiradas, para que isso não se transforme em alguma coisa que fique assentada nos anais desta Casa.
É o requerimento que eu faço, com base no art. 92 do Regimento Interno deste Parlamento.
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Como o deputado Antônio Carlos Vieira se dirige ao microfone, concedo um aparte a s.exa.
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Deputado João Henrique Blasi, eu também o admiro muito, não só v.exa. como sua família.
Eu quero dizer que com relação a esse seu pedido referente às palavras ofensivas que eu tenha proferido a Luiz Henrique da Silveira, eu também, se me permitir, até endosso e concordo. Mas com relação à expressão mentirosa que eu coloquei ao deputado Peninha, não a retiro porque esse deputado cometeu um erro de mentir; ele mentiu quando disse que eu tinha comprado veículos nessa negociação. Então, sobre essa situação, não! Mas essas palavras e ofensas que eu tenha proferido ao governador Luiz Henrique da Silveira, eu até assinaria junto com v.exa. esse requerimento para retirar essas palavras.
Muito obrigado.
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Agradeço, deputado Antônio Carlos Vieira, e era justamente a esse respeito que eu me referia, ou seja, a essas duas expressões proferidas por v.exa. relativamente ao governador Luiz Henrique da Silveira. E eu sei que não seria diferente, conhecendo como eu o conheço, que v.exa. haveria de reconhecer o excesso e acabou de fazê-lo. E eu penso que este é um gesto que engrandece e que faz com que v.exa. seja ainda mais conhecido e mais reconhecido por esta Casa.
E, aliás, apenas para concluir, sr. presidente, devo dizer que em pelo menos duas oportunidades, e aqui eu falo de coração, eu ouvi do ex-governador Luiz Henrique da Silveira expressões carinhosas relativas ao seu pai, que foi vizinho dele. Então, em duas oportunidades eu ouvi essas referências e por isso faço questão de mencionar para resgatar aquilo que, a meu ver, é a expressão da verdade.
Muito obrigado, sr. presidente!
O SR. PRESIDENTE (Lício Silveira) - Ainda dentro do horário reservado aos Partidos Políticos, os próximos minutos são destinados ao PFL.
(Pausa)
Na ausência de representantes do PFL que queiram fazer uso da palavra, os próximos minutos são destinados ao PDT.
Com a palavra o deputado Nilson Machado, por até cinco minutos.
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Sr. presidente, eu só gostaria aqui de fazer um registro a respeito do discurso do deputado Genésio Goulart, por quem eu tenho o maior respeito e o maior apreço, mas eu entendo que s.exa. foi muito infeliz quando assomou à tribuna e disse que quem perdeu a eleição foi quem não tem um coração bom.
Eu fiquei triste ao escutar isso do deputado Genésio Goulart, que foi meu companheiro aqui por quase quatro anos, mas ele veio aqui na tribuna dizer que quem não ganhou a eleição foi quem tem um coração ruim.
O que é isso, deputado?! A deputada Simone Schramm é do seu partido e perdeu a eleição e é uma pessoa de coração tão bom.
O deputado Edson Andrino, meu amigo, do seu partido, perdeu a eleição. Será que ele também tem um coração ruim?
O governador Luiz Henrique da Silveira, que não ganhou no primeiro turno, tem um coração ruim?
Não pode ser assim, deputado! Vamos devagar! V.Exa. não pode vir aqui se expressar dessa maneira!
Eu tenho um coração bom. Graças a Deus, estou em dia com Deus. E perdi a eleição não porque o meu coração é bom ou ruim, mas porque tinha que perder.
Agora é assim: jornalistas e até deputados atacando quem perdeu a eleição. Agora vão começar a dizer que eu me visto mal, que eu não sei discursar, que eu vivo dançando lá no Skalla, que eu estava bêbado na Bodeguita. Agora vão inventar um monte de coisas. Vão ter notícias para dar com os queixos. Não tem mais o que eles arrumem contra nós.
No mês passado, um cidadão colocou no jornal uma coisa sobre mim e eu até poderia ter entrado com um processo contra ele. Eu estava doente, com a costela fraturada e o cidadão colocou no jornal que eu havia levado uma surra do namorado. É demais! É demais! Se fosse outro teria entrado com um processo. Dizer que eu apanhei uma surra do namorado, é um absurdo! E se eu apanhei, o corpo é meu e o namorado também! O que eles têm a ver com isso? Eles entram até na privacidade da gente.
Olha, esses novos que estão chegando aí que se cuidem, cuidem-se mesmo, porque o babado aqui é forte. Quem menos anda, voa aqui. E eles para atacar, atacam mesmo, deputado Pedro Baldissera! O pessoal ri, mas é verdade. Eles atacam a gente de todas as maneiras, deputado Lício Silveira. Eles não têm mais o que dizer do deputado Duduco.
Pode anotar aí, deputado Antônio Carlos Vieira: a partir de hoje v.exa. vai começar a ler nas colunas que o deputado Duduco se veste mal, fala mal, não tem oratória, não tem discurso. É assim! Eu não quero usar aquela frase do baiano de que político sem mandato é que nem prostituta sem cama.
Mas está pesado o negócio, deputados! Está pesado! Estão numa "pegaceira" em cima de quem perdeu a eleição que mete medo! Mete medo! Mas não há problema, não. Eu continuo na luta, eu continuo fazendo o meu trabalho social, porque eu sou o Duduco do morro; eu sou o Duduco do social. Eu vou continuar fazendo. Eu sou político há oito anos, mas eu faço o social há 25 anos nesta cidade. Eu vim para cá para fazer o social. Eu não vim para cá dizer que eu iria fazer o social, pois eu já fazia isso antes e eu vou continuar fazendo, deputado Lício Silveira; eu vou continuar fazendo, deputado padre Pedro Baldissera, porque esta é a minha missão. Eu vou continuar lutando a favor dos excluídos, dos menos favorecidos, da criança carente, do povo do morro, do povo da favela. Esta é a minha bandeira. Eu vim para esta Casa com essa bandeira.
Eu fui duas vezes vereador por Florianópolis com essa bandeira de defender a criança, o idoso e o menos favorecido. Não trouxe nenhuma bandeira de que eu viria defender o homossexual aqui, de que teria um outro objetivo. O meu objetivo foi defender a criança carente. Essa sim, deputado Genésio Goulart, está dentro do meu coração. V.Exa. pode acreditar que eu tenho um coração bom.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)