Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

61ª Sessão Ordinária - 30/08/2005

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, venho à tribuna, nesta terça-feira, no horário do meu partido, com alguma dificuldade porque uma gripe atrapalha um pouco a minha comunicação, mas por uma razão muito importante.

Quero, desta tribuna, na tarde de hoje, dizer aos companheiros Paulo Eccel, Ana Paula Lima e a todos os parlamentares do PP que é difícil a situação dos senhores hoje, tanto quanto foi difícil quando éramos governo. É difícil essa situação! Eu sempre disse, todos os dias e todas as vezes que vim a esta tribuna, que não tinha o direito de atingir os parlamentares do PP de Santa Catarina por acompanhar o dia-a-dia do trabalho deles e saber o valor de cada um dos parlamentares. Eu nunca disse de forma diferente aqui, nesta tribuna.

Agora, permiti-me vir à tribuna e fazer as reprises do que os jornais diziam para que as palavras não fossem minhas, para que eu não acusasse o PT de qualquer coisa de forma leviana.

Mas eu vinha puxar as discussões desta tribuna não por outra razão a não ser pelo legítimo direito de exercer oposição. E também por um outro direito, deputado Paulo Eccel, porque há um fato gritante neste país, que é a situação em que vivemos, que, infelizmente, foi produzida por um partido que carregava consigo a esperança do povo brasileiro. Foram 25 anos de pregação, que acabaram criando uma simpatia e uma crença de que ali se encontrava a solução para todos os problemas dos cidadãos brasileiros. E aí a frustração trouxe para todos nós dor no coração, trouxe para todos nós um sentimento muito grande.

Agora, deputado Paulo Eccel, o presidente do PT eu já chamei de frouxo. Por quê? Porque o gaúcho afrouxou! Afrouxou por quê? Porque dizia que só ficaria na chapa se o José Dirceu saísse! E vejam que o José Dirceu resolveu permanecer e fez mais! Chamaram o Tarso Genro para uma conversa com o presidente da República. E depois dessa conversa ele mudou a sua própria conversa! Afrouxou o gaúcho, sim! E está aí a ponto de renunciar, se é que já não renunciou à sua candidatura.

Mas ele disse coisa pior. Ele disse que não há argumentos para o povo votar no PT. Ora, nós viemos aqui só passar isso! Dar vazão a uma conversa dessa natureza. O próprio PT não acredita mais em si só porque cometeu um grande erro. Não assume a responsabilidade e não dá os nomes dos responsáveis.

Então, fica essa tropa de cegos que nada viu e nada sabe. E isso é muito ruim para todos nós. Teriam que dizer os nomes e o presidente da República causa um grande mal à nação quando omite também os nomes dos responsáveis!

Então, eu nunca, em oportunidade alguma, tenho o direito de ofender as pessoas aqui e nem venho ofender. Mas venho repisar aquilo que é dito pelo próprio PT! E na semana que passou, deputada Ana Paula Lima, li nos jornais uma coisa interessante, ou seja, que havia uma preocupação do PT em relação à posição deste deputado nesta Casa. E dentro dessa posição dizia um deputado do PT que ele queria a relação daquilo que este deputado já conseguira repassar para uma instituição chamada Acaf.

Eu já sofri bastante na minha vida em razão dessa instituição. Eu vou entregar aqui depois, deputado Paulo Eccel, a relação do serviço grandioso que ela presta na área da saúde e serviço social em Santa Catarina. É uma coisa muito importante, muito nobre que ela faz, deputado Paulo Eccel. E quero dizer-lhe uma coisa: eu acabei criando um sentimento de luta muito grande por essa instituição, que está instalada num prédio muito importante no município de Taió, mas atende toda a população do Alto Vale do Itajaí. Ela realiza atualmente 14, 15 cirurgias de tímpano e adenóides, gratuitamente, por mês; atende cerca de oito mil e quinhentas pessoas só na área da saúde; enfim, faz um trabalho extraordinário!

Deputado Paulo Eccel, em função dessa instituição eu vendi um terreno de R$ 120 mil para construir uma obra que custou R$ 326 mil! Vendi o último bem que eu tinha, que era esse terreno!

Eu queria perguntar se alguém teria coragem de fazer isso para ajudar a construir essa obra, que é uma capela de oração, que é uma capela mortuária e é um cemitério público gratuito para as pessoas! Uma obra extraordinária que foi construída pela emoção e o sentimento que nós temos por ela.

Aqui, sim, eu quero agradecer primeiramente ao governador Esperidião Amin. E está presente o deputado - na época secretário da Fazenda - Antônio Carlos Vieira, que entendeu a importância daquela instituição e ajudou-nos a montar aquela importante ONG para atender o povo do estado de Santa Catarina.

Mas agora quero agradecer ao governador Luiz Henrique por essa obra. Ela foi aprovada pelo conselho do Alto Vale, deputado Jorginho Mello. Nós conseguimos aprovar R$ 125 mil para ajudar, está aqui a relação - o PT não precisa pedir a relação dos recursos porque está aqui e eu a entrego ao PT. (26.500) Foi liberado, no dia 29 de abril, R$ 7,5 mil; no dia 29 de abril de 2005, R$ 17,5 mil; no dia 11 de maio de 2005, R$ 56,2 mil; no dia 11 de maio de 2005, R$ 5.660,00 e no dia 11 de maio de 2005, R$ 19.340,00, somando R$ 125 mil. Essa é a relação dos recursos para montar esse projeto. Esse projeto, de saúde ocular, foi feito pelo dr. Ernani Garcia. A carreta está sendo montada em Joinville. O projeto, que custou R$ 326 mil, começa a funcionar a partir do mês que vem, graças a ajuda importante, sim, do estado de Santa Catarina, que entendeu, através do Conselho regional, que poderia investir nesse importante trabalho que a Acaf desenvolve. Aqui está, então, a relação de trabalho prestado.

Eu quero dizer a todos os senhores, meus queridos deputados, com toda a tranqüilidade, que sou um cidadão que luto com muita transparência. Já cometi muitos erros na minha vida, mas dos que mais me arrependo foram os erros de quando eu era prefeito de Taió. Por simples ignorância cometi muitos erros como prefeito. Mas a partir dali acabei abdicando de tudo o que tinha. Mas eu tenho uma riqueza que não tem fim, que não é medida em dinheiro.

Eu acredito que aqui não há um parlamentar que não tenha uma casa para morar, mas eu vivo de aluguel.

Aqui está o contrato de aluguel do meu filho mais velho, o único que está casado. Ele vive de aluguel. É um menino de valor; é um menino que luta, que trabalha e vai construir a sua vida, sim! Um dia ele terá a sua casa para morar.

Talvez eu seja o único parlamentar que não tenha sequer um fusquinha; não tenho um fusca na minha vida.

Estou entregando ao presidente, junto com este relatório, autorização (está registrada em cartório) para abrirem as minhas contas, quanto ao meu patrimônio e tudo que tenho, inclusive as contas telefônicas. Fica registrado nesta Casa, homem público que sou, que eu só tenho e carrego na minha vida hoje, de riqueza, as pessoas.

Eu tenho aqui na minha carteira hoje, além de um bloco de cheque que já está gasto, uns dez cheques sem fundos, os quais estou tentando resgatar para dar conta de atender a saúde desse povo. Se olharem as minhas contas, por certo devo ter mais de R$ 30 mil estourados, no Besc, e estou sendo chamado para pagar. Mas tenho buscado com alguns amigos.

A carreta, com a qual faremos o trabalho social, foi financiada pelo Finame (está aqui a cópia) e está sendo feita por uma empresa chamada Lorenzetti. O ônibus foi doado por um homem valoroso. Aproveito para agradecer ao sr. Milton Hobus, porque foi ele que nos deu.

Quem paga a nossa equipe de artistas é um homem valoroso, nosso amigo, chamado Rolando Harnold, da empresa Rex. E também quero agradecer, por ajudar a construir a capela, à empresa Marqueti, de Ibirama.

Então, são esses os amigos a quem quero agradecer e ao povo que me deu a riqueza. Eu tenho 50 anos de idade e a minha esposa completou 51 anos ontem. A única coisa que hoje quero na minha vida é ver os meus filhos felizes e tranqüilos.

Quero cumprir o meu exercício de homem público dando o melhor para me redimir dos erros que eventualmente cometi; acima de tudo para dar testemunho de que ajudei a construir uma história de bem, de homem que tenta fazer o bem, de homem que tenta fazer o melhor de si, apaixonadamente, para os catarinenses e para as pessoas que sofrem, porque aprendi a amar as pessoas. A minha família aprendeu a amar as pessoas. Sou o mais velho de um pai de onze filhos, e todos eles aprenderam a gostar das pessoas. A nossa única vocação é servir, é amar e querer o melhor.

Se eu faço críticas aqui é porque sou homem público e tenho o direito de exercer isso como parlamentar. Essa a única razão que faz com que, de repente...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)