32ª Sessão Ordinária - 12/05/2005
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, senhores que nos assistem, o meu propósito era fazer um discurso político voltado às reformas que agora afloram por interesses que não são bem os interesses da Nação brasileira, um remendinho de reforma que é a derrubada da verticalização (parece-me que vai acontecer, Deputado Antônio Carlos Vieira), mas o discurso do inteligente Deputado Dionei Walter da Silva ensejou a que eu pegasse uma carona. Vou fazê-la iniciando pela afirmação que ele fez sobre o sentimento das ingratidões. É realmente neste campo que quero nortear a minha falação.
Ingratidão é uma coisa que pesa, que cala profundo. E o Sr. Governador Luiz Henrique da Silveira tem muito ressentimento, e como tem, por algumas ingratidões: do esforço que fez, das parcerias que orientou, das ajudas que deu, do parceiro que tem sido do Governo Federal, em alguns momentos, para orientar o seu Partido a dar apoio para assegurar a governabilidade, Deputado Paulo Eccel, do Presidente Lula, porque V.Exa. sabe muito bem que no Presidencialismo o Presidente ostenta uma figura imperial, mas é tão frágil quanto é, muitas vezes, a sua base de apoio e de sustentação, e que lhe assegura a governabilidade.
E o Governador Luiz Henrique da Silveira tem sido uma peça fundamental para assegurar a governabilidade do Governo Federal - e não apenas ele, mas também o Governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, e também o polêmico, mas atuante, Governador do Paraná.
Por isso é que a ingratidão dói e cala profundo. Não vamos nos reportar aos embates eleitorais pretéritos, principalmente ao mais recente nas eleições municipais, em que o Governador orientou apoios em Jaraguá do Sul e também em Brusque. A ingratidão dói, e como dói.
O Sr. Deputado Dionei Walter da Silva - V.Exa. me concede um aparte, já que fui citado?
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Citei e tenho muito respeito por V.Exa. Mas eu o peguei como mote, desviando o foco do pronunciamento que pretendia fazer, por conta das colocações aqui feitas. E antes de ouvir V.Exa., quero fazer um registro: sinto um certo orgulho pelas tratativas que o Governo Federal vem fazendo no campo da aproximação com outros povos - dessa aproximação com o Oriente Médio e com a Europa. Nós temos que nos desvincular o máximo possível do império americano.
Reconhecemos no Governo Lula, nesta política que vem desenvolvendo, méritos dignos de elogios, mas, por outro lado, também reconhecemos equívocos e devaneios que só são justificados quando representantes do Governo Federal ousam dizer que só estão fazendo porque o Governo passado fazia.
Mas ouço respeitosamente V.Exa., Deputado Dionei Walter da Silva, porque o citei.
O Sr. Deputado Dionei Walter da Silva - Quero ser bastante breve, Deputado. Por falar em ingratidão, não sei se este é o termo correto para Jaraguá do Sul porque V.Exa. talvez não tenha participado, mas o Governador fez discursos apenas; não houve nenhuma ação de apoio efetivo, tanto é que deixou toda a estrutura da Secretaria Regional trabalhando contra a nossa candidatura, que era do seu Partido, inclusive, adversários ferrenhos na cidade dentro do campo da política.
E também é ingratidão, se é que é, a coligação do Luiz Henrique da Silveira com o Serra?
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Não, a coligação do Governador Luiz Henrique com o PSDB. E depois houve uma decisão pragmática, que compreendemos, de apoio ao Presidente Luiz Inácio da Silva.
Agora, há que se analisar, e travar um debate, se for o caso, para clarearmos o que é ingratidão, efetivamente. Ingratidão é ter uma pessoa que se empenha para assegurar a governabilidade, para dar sustentação a um Governo que é frágil - apresenta-se como forte, mas é frágil porque não tem uma maioria confiável no Congresso Nacional. E um aliado empenha-se em lhes assegurar isso. Em contrapartida, aqui ele é duramente bombardeado, quase que diariamente, pelo Partido que recebe os benefícios do empenho do Governador que lhes ajuda no plano nacional. Isso é ingratidão!
Mas, posteriormente haverei de travar um debate neste campo, pois agrada-me muito esta discussão.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)