Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Ronaldo Benedet

80ª Sessão Ordinária - 06/11/2002

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo à tribuna nesta tarde para trazer alguns temas que me preocupam.

Primeiramente, trago a preocupação, os murmúrios da minha região de que a obra da barragem do Rio São Bento estaria tendo o seu ritmo diminuído ou paralisado.

Quero dizer aqui que não podemos, de forma alguma, aceitar que esta obra paralise, e o Governo precisa dar explicação se a obra está ou não paralisada ou se vai continuar, até porque o dinheiro do Governo Federal, segundo informações, já veio todo.

A segunda questão, a mais importante, é com relação à situação do Besc. Não podemos aceitar a colocação feita pelo Governador no dia de ontem! Não vou aceitar, por dever de consciência, que sejam removidas coisas do passado, invertendo a verdade.

Todos os catarinenses sabem que o Governador comprometeu o Besc em 1987, colocando-o sob intervenção, e como o Besc estava quebrado, foi instalada a CPI do Besc. E agora, no atual Governo, também houve a CPI do Besc, porque o Banco ficou comprometido. O Governador iludiu muitos Parlamentares, mas eu não porque sabia que era uma falácia o que estava sendo feita com o Banco.

Muitos Deputados, inclusive da Bancada Governista, foram na conversa do Governador e mudaram a Constituição do Estado para autorizar a federalização da instituição.

Depois da federalização foi constituída uma CPI, requerida pelo Deputado Heitor Sché, que concluída e aprovada por unanimidade, inclusive pelos Deputados do Governo, mostrou que não havia necessidade da federalização, que o Governo não cumpriu o contrato original com o Banco Central e que comprometia as finanças de Santa Catarina. E a dívida do Besc, para a federalização, já está hoje em mais de R$3 bilhões.

Durante a campanha, o Governador quis imprimir a culpa da situação do Besc, que ele deu causa, dizendo que o PMDB, que o Eduardo Moreira era o responsável pela quebra do Besc. Isso é uma vergonha!

Por isso, quem pediu a federalização do Banco, quem fez os Deputados aqui aprovarem, induzindo-os ao erro? Foi o atual Governador. Quem quis que o Besc mudasse, que fosse federalizado e posteriormente privatizado?

E agora vem o atual Governador Esperidião Amin dizer: Amin Move Ação Contra Leilão do Besc.

Vejam bem: precisamos ter na política a coerência, Sr. Presidente. Não se pode mais admitir na política... O povo de Santa Catarina entendeu isso, tanto que o resultado das urnas deu no que deu! O povo de Santa Catarina não aceita mais isso. Mas, infelizmente, ainda sai notícia como essa: Amin Move Ação Contra Leilão do Besc.

Meu Deus, foi ele que deu causa, que pediu a realização do leilão, que pediu para federalizar, que quis privatizar o Banco e agora quer parecer de bom moço!

Eu não gostaria de estar falando isso no pós eleição, até porque o Governador Esperidião Amin foi derrotado e respeito a dor da derrota e temos que saber entender isso, mas não pode acontecer em Santa Catarina essa inversão de valores, de intenções, de sentido das coisas!

Parece que o Governador não queria a federalização do Banco; que ele lutou contra e que nós é que fomos a favor!

Ora, se não tivesse tido o empenho do atual Governo... Aqui está a síntese. O Governo dizendo que o Banco está mal, que o Banco está quebrado. foram desmoralizando o Banco até exigirem que fosse votado nesta Casa, neste mandato, a federalização, ou seja, a mudança da Constituição do Estado para poder federalizar o Banco.

E agora, o atual Governador, não reeleito, disse que quer mover uma ação para sustar o leilão do Besc. Espero que o povo não acredite mais nisso e espero que os políticos tenham coerência para aquilo que disseram no passado e que procurem manter no futuro.

Ora, se o Governador tinha a convicção de que devia ser federalizado, o Banco, de que Santa Catarina podia ficar sem o Banco - e podia ficar sem o Banco mas com uma dívida, Deputado Moacir Sopelsa, de mais de R$3 bilhões -, não podia agora deixar transparecer esse ato, que vejo que é de oportunismo para tentar salvar a imagem de quem mais uma vez quebrou o Banco.

O que queremos é que o Besc continue um banco público com uma nova forma de administração, um banco enxuto. Não queremos um banco com problemas, um banco quebrado. Queremos um banco saudável que sirva ao povo de Santa Catarina, que não seja objeto de politicagens.

Aliás, quem procurou salvar, sanear o Banco foi, em primeiro lugar Pedro Ivo, Wilson Kleinübing, vamos reconhecer, e depois Paulo Afonso. E o Governador Esperidião Amin, numa vingança ou sei lá o que contra o Banco, quis entregá-lo, federalizando-o para depois ser privatizado, fazendo com que Santa Catarina perdesse o seu poder federativo, que é o de ter uma instituição financeira. Qual a autonomia de um Estado se não tem uma instituição financeira sua?

Não queremos mais um banco para fazer politicagem e sim fazer a boa política de investimentos, de incentivos à geração de empregos, às indústrias de Santa Catarina, às agroindústrias, à agricultura e à pecuária, movimentando, no bom sentido, a nossa economia.

Por isso queremos deixar claro que não aceitamos esse tipo de confusão que querem criar na cabeça do povo de Santa Catarina.

Que o povo catarinense seja advertido para não acreditar nas falácias de quem só quer confundir a opinião pública, como foi feito na última eleição por aquele nascido nos meios e filho da ditadura militar, que quer imprimir a pecha da ditadura militar no nosso candidato Luiz Henrique.

O Governador dizia que o nosso candidato a vice era responsável pela quebra do Besc, porque uma empresa da qual foi sócio no passado contraiu empréstimo e os donos da empresa (um é funcionário do Governo e o outro seu Deputado Federal) não pagaram a respectiva dívida, só para tentar confundir!

Isso foi dito em faixas, em panfletos na minha cidade e foi usado no horário eleitoral. Vou guardar bem esse artigo para a próxima eleição porque tenho certeza de que o Governador vai querer dizer que o Besc não foi mais federalizado, que foi salvo por ele.

Que o povo saiba que isso é uma falácia, que não é verdade, que quem quis federalizar o Banco, que quem quis privatizar o Banco foi o Governador! E agora, no apagar das luzes, no momento em que Luiz Henrique e Luiz Inácio Lula da Silva dizem que não querem a privatização do Besc, que querem o cancelamento do leilão, ele tenta entrar de carona para dizer que é o pai da criança.

Todo mundo tem que ficar sabendo que (e esse discurso ficará gravado nos Anais da Casa para ser usado no futuro) quem quis federalizar o Banco, quem quis privatizá-lo foi o Sr. Esperidião Amin; que o Besc só vai ser salvo pela luta dos Deputados dos Partidos de Oposição porque não quiseram a federalização e a privatização, e que Luiz Henrique e Lula estão cumprindo o compromisso com o povo de Santa Catarina, salvando a nossa instituição financeira.

Muito Obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)