Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

10ª Sessão Ordinária - 12/03/2002

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sra. Presidente e Srs. Deputados, quero aproveitar este espaço para tratar de dois assuntos.

Primeiramente, quero registrar o 15º Congresso Brasileiro de Vereadores e o 1º Encontro Catarinense de Vereadores que está acontecendo no Município de Joinville desde o dia 10 e que se estenderá até o dia 14 próximo.

Teremos lá a presença de Ministros, presidenciáveis, administradores públicos e técnicos de alto nível, reunidos num grande fórum parlamentar, para falar de temas de fundamental importância para o aprimoramento do mandato do Legislador municipal brasileiro.

Este é o 15º Congresso Nacional de Vereadores, promovido pela União de Vereadores do Brasil, e nós estamos recebendo todos os Vereadores deste País, que estão presentes no Município de Joinville, de braços abertos. Eles estão podendo usufruir um pouco também da beleza da nossa região e tomar conhecimento, não só técnico como também político, das questões mais importantes deste País.

Já tivemos na abertura a palestra do Ministro Nelson Jobin, que foi de extrema relevância para cada um dos Srs. Vereadores que estiveram presentes.

O segundo assunto, Sra. Presidente e Srs. Deputados, é sobre uma matéria que saiu no jornal do Paraná, que diz respeito à nossa segurança e à nossa Joinville.

Eu fiquei boquiaberto com o que eu li. Fiquei impressionado. Assassinaram, apagaram, eliminaram uma senhora conhecida como Evinha do Pó, na localidade de Vila Nossa Senhora da Luz, em Curitiba, e hoje a Delegada Leila Bertolini, chefe da Delegacia de Investigações do Narcotráfico, para Curitiba e região, dizia o seguinte: ”Curitiba e cidades da região metropolitana são loteadas por diversos líderes do tráfico de drogas, mas trabalham no varejo comercializando pequenas quantidades”.

Agora vem o que me chamou a atenção e me surpreendeu. “O produto em sua maioria é trazido do Município de Joinville. Uma espécie de Colômbia da região Sul do País.

Os traficantes daqui vão até Joinville, compram pequenas quantidades, revendem e retornam para Joinville para comprar mais.”

Diz ela que não sabe explicar por que a cidade vizinha, catarinense, é uma das principais fornecedoras de entorpecentes para Curitiba e toda a região.

Eu fiquei surpreso, boquiaberto, mas ao mesmo tempo não posso negar que tudo isto tem um fundo de verdade.

Nós vamos ter no dia 25 próximo uma reunião na Associação Comercial e Industrial de Joinville para tratar justamente do problema da segurança em Joinville e também a questão das drogas, das quadrilhas organizadas, de furto de carro, de furto de motocicleta, de tráfico de drogas, etc.

Na semana passada, aproveitando o tema, eu escrevi - eu tenho uma pequena coluna no jornal A Notícia, onde escrevo toda sexta-feira - assim: novamente fomos convocados para uma reunião na Associação Comercial e Industrial de Joinville, cujo assunto principal é segurança.

A preocupação caminha pari passu com o problema. Porém a solução tem caminho bem diferente, em que pese o esforço de todos.

Não podemos dizer que o Governo é omisso ou que não está sensibilizado. Pelo contrário, tem a disposição de tentar uma solução. Tanto que foi aberta inscrição para concurso público para mais 100 policiais, para Joinville. A qualidade do material de trabalho também melhorou. E eu posso dizer isso com muita propriedade, porque vi in loco esta melhora.

Pode-se incluir aí armamentos, viaturas, equipamentos de escritório. Com exceção da 4ª Delegacia, as demais estão bem instaladas.

O que falta então? Por que continua o número alarmante de delitos de toda ordem no Município de Joinville? O marginal perdeu o respeito pela polícia? Alguma coisa está errada e de fácil percepção.

Começa pela própria Constituição. No meu modo de entender esta Constituição foi feita para bandido, não para gente decente. Vai pelo Código de Processo Penal, passa pelo desemprego, com índices elevadíssimos, bate na porta dos presídios superlotados e sem condições de receber mais gente e tropeça na falta de sincronia entre a Polícia Militar e a Polícia Civil, acabando na incapacidade de se retirar do meio policial com rapidez as chamadas laranjas podres da nossa polícia.

Este é o quadro, Srs. Deputados e senhores telespectadores que ouvem a nossa fala. Há momentos que paramos e começamos, não só nós de Joinville como toda a região, a refletir sobre esta questão e sinceramente a vontade que dá é de se mudar, pegar a família e procurar um outro destino.

Mas como responsável em parte pelos destinos de Joinville, tenho a obrigação de continuar segurando esta bandeira, de lutar para que possamos ter em nossa cidade mais segurança, já que o comerciante, a dona de casa, o transeunte, o estudante não têm mais segurança; enquanto isso, temos câmeras de vídeo nas ruas principais da cidade que até agora não disseram para que servem, em que pese o número bastante expressivo de valores gastos com as mesmas.

Tenho a impressão de que o Governo, em que pese a sua grande vontade de acertar, está direcionando seus investimentos para determinados segmentos equivocadamente. E cito um exemplo claríssimo: estão instalando câmeras de vídeo no centro da cidade. Um grande investimento para muito pouco retorno. Com este investimento certamente nós teríamos muito mais respostas, se fosse investido principalmente no material humano, no aumento do policial civil e militar, para que tivessem mais condições de trabalho.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)