Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado José Natal Pereira

1ª Sessão Extraordinária - 23/02/2010

O SR. DEPUTADO JOSÉ NATAL - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, iniciando a minha fala da tribuna, quero cumprimentar o nosso vereador Ademar, que está nesta Casa tratando de assuntos de sua cidade e que está de aniversário hoje. Parabéns ao amigo!

Sr. deputados, na semana passada falei, da tribuna desta Casa, do problema do Hospital Regional São José, que tem 28 anestesistas e passa por dificuldades, alguns desencontros com a equipe médica, não conseguindo marcar um número grande de cirurgias para realmente dar conta da demanda existente.

Neste momento quero agradecer, desta tribuna, ao dr. Jorge, diretor daquela unidade hospitalar, que tem feito de tudo para melhorar o atendimento; quero agradecer também ao dr. Emerson pelo e-mail, no qual fez uma exposição das dificuldades com que trabalham, dos problemas com o SUS, de quanto ganha um médico anestesista: R$ 30,00 para uma cirurgia. Isso não tem jeito.

Então, quero dizer que embora a minha angústia seja para a resolução dos problemas em favor da sociedade, também entendo que o SUS, o governo do estado e o governo federal devem rever a questão da tabela para as equipes médicas, para que esse fator não sirva de motivo para o boicote, que só prejudica aqueles que mais precisam.

Quero dizer que tenho em mãos um encaminhamento médico de uma criança do interior de Canoinhas, desde o mês de abril de 2007, solicitando uma cirurgia urológica no Hospital Infantil Joana de Gusmão com certa urgência. Trata-se de encaminhamento médico de Canoinhas, datado de 2007, que tem um grifo bem grande: com urgência!

Ontem a mãe veio ao referido hospital com a criança, que está com três anos de idade, e lamentavelmente voltou para casa frustrada porque não viu perspectiva de lograr êxito na cirurgia que necessita o seu filho. Os pais são agricultores que, com certeza absoluta, muito trabalharam na roça contribuindo com impostos para que os médicos neste país pudessem formar-se com dinheiro público. Acredito que a maior parte dos médicos que temos no estado tenha estudado na nossa gloriosa Universidade Federal de Santa Catarina, ou seja, com dinheiro público, com dinheiro da população que paga impostos e que necessita do carinho, de retribuição na hora de uma cirurgia.

Lamentavelmente, catarinenses, não é isso que temos percebido. Quantos e quantos ajudaram a pagar a faculdade de um médico que se formou? Quantos? São milhares e milhares, mas nós vivemos num caos. E esse caos eu vivenciei no domingo de manhã, no Hospital Governador Celso Ramos.

Um amigo meu, de São José, um vereador, teve um AVC e foi transferido do Hospital Regional de São José porque o aparelho que ele necessitava estava com problemas, para o Hospital Governador Celso Ramos. Sabem o que aconteceu? Ele ficou, com mais 19 pessoas, numa maca das 17h de sábado até as 17h de domingo. Eles estavam na maca por quê? Porque a demanda é grande, porque os hospitais da região não suportam mais a demanda.

Quando um paciente chega à emergência, srs. deputados, ele recebe o atendimento de imediato, mas se ele necessita de um quarto, necessita de uma cirurgia, começa o dilema.

Fica aqui o meu pedido e o meu alerta de que há urgência em construir um hospital em Biguaçu. O governador Luiz Henrique assinou convênio com o prefeito José Castelo Deschamps para a construção de uma unidade hospitalar em Biguaçu.

No último fim de semana estive em Palhoça com o governador Luiz Henrique da Silveira, com o deputado federal Gervásio Silva e com o secretário de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, Valter Galina, ocasião em que sua excelência assinou um protocolo de intenções com o prefeito Ronério Heiderscheidt, no sentido de que também em Palhoça seja construído um hospital. Nós precisamos disso com muita urgência, a fim de que não tenhamos que vir a esta tribuna relatar casos como esses que acabei de citar.

Deputado Serafim Venzon, ontem à tarde falei com v.exa., que foi muito prestativo e hoje me trouxe uma possível solução, o que eu agradeço. Não deveria ser dessa forma, não era para aquela mãe agricultora - e mesmo que não fosse agricultora - vir lá do interior e voltar frustrada. Se não havia a possibilidade de o urologista realizar a cirurgia, que fosse encaminhado o caso para outro médico que talvez pudesse fazê-la em uma semana ou 15 dias, dependendo do que o caso requer. Mas a verdade é que não lhe deram nenhuma perspectiva e ela voltou para casa frustrada.

Então, fica aqui o meu alerta. E reitero ao dr. Emerson, que respondeu por e-mail a minha observação, que o entendo, assim como entendo também grande parte dos médicos, não a totalidade, porque existe muito médico mafioso, isso existe. Desculpem a expressão, mas existe. Há aqueles que se dedicam, que se entregam de corpo e alma, mas há também aqueles que não exercem a profissão de acordo com o juramento que fizeram. Tanto é que no ano passado vimos médicos dentro do hospital cobrando para fazer uma cirurgia. Inclusive, para aquela mãe, ontem, foi dito, dentro do Hospital Infantil, que a cirurgia particular custaria R$ 14 mil. Ela não tem essa quantia, e essa também é a sua frustração.

O Sr. Deputado Serafim Venzon - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JOSÉ NATAL - Ouço o deputado Serafim Venzon, que é médico e está-me ajudando nesse caso. Essa ajuda é para uma pessoa que me procurou, que necessita com urgência de atendimento.

O Sr. Deputado Serafim Venzon - Deputado José Natal, meus parabéns pelo pronunciamento.

Vejo que a sua preocupação é tão grande quanto a nossa e não se trata somente de resolver o problema desse ou daquele, precisamos resolver os problemas de todos ou, pelo menos, da grande maioria daqueles que precisam.

Lamentavelmente, o serviço público de saúde do estado precisa melhorar, apesar dos grandes esforços que temos feito. E Santa Catarina ainda é um dos melhores do Brasil, graças ao grande trabalho que o nosso deputado Dado Cherem fez à frente da secretaria da Saúde. Todos nós conhecemos o seu empenho, mas, infelizmente, o SUS, que é regido pelo ministério da Saúde, tem que ser revisto em muitas coisas, sim, urgentemente, justamente para permitir que se aporte um maior volume de recursos, principalmente para resolver os problemas.

Mas vou-me pronunciar ainda hoje a esse respeito. De qualquer maneira, v.exa. tem razão e precisamos somar esforços para resolver isso.

O SR. DEPUTADO JOSÉ NATAL - Pelo que percebo e vivencio na região da Grande Florianópolis, há necessidade de mais um hospital, sim. A demanda é demasiadamente grande, o conglomerado da região é enorme e só o Hospital Regional São José, o Governador Celso Ramos e o Hospital Universitário não dão conta da demanda.

Vimos que há paciente dentro do Hospital Regional de São José há 29 dias tentando fazer uma cirurgia na mão e não consegue. Está lá, usando uma cama que outra pessoa poderia usar. Não é o diretor que é incompetente! Talvez, não sei, seja problema de administração. Volto a frisar o problema dos anestesistas e quero aqui reiterar o pedido de uma solução para essa questão, no sentido de diminuir a angústia das pessoas.

Gostaria de parabenizar os rotarianos pelo Dia Mundial do Rotary, pois eles têm um papel importante na vida das comunidades no mundo.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)