93ª Sessão Ordinária - 15/10/2009
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, público que nos acompanha pela TV Assembleia e que está aqui presente, especialmente os servidores deste Poder, ouvintes da Rádio Alesc Digital, eu queria parabenizar os professores desta Casa que se pronunciaram anteriormente - deputados Professor Grande e Lício Mauro da Silveira -, inclusive pela bonita e emocionante homenagem preparada pela assessoria do deputado Lício Mauro da Silveira, e pela reflexão do deputado Professor Grando a respeito da importância deste dia.
E também quero dizer algumas palavras a esse respeito. O professor é o responsável pela transmissão do conhecimento acumulado pela humanidade ao longo da história. O deputado Professor Grando falou certo aqui. Gerações após gerações, séculos, milênios de conhecimento são transmitidos para gerações futuras através do professor. Assim, essa categoria é fundamental para o futuro de qualquer sociedade.
É evidente que se tem que valorizar muito mais os professores de todos os níveis, como muito bem falou o colega Professor Grando, desde o pré-escolar, passando pelo ensino fundamental, pelo ensino médio, pelo 3º grau, pela pós-graduação, doutorado e pós-doutorado. É preciso que as professoras sejam mais valorizadas porque, apesar de terem falado aqui dos professores, a maioria da categoria é formada por mulheres. Então, hoje seria o Dia das Professoras e dos Professores do nosso país.
Particularmente, tenho três irmãs professoras - eu tinha quatro, mas uma faleceu de leucemia no dia 22 de agosto de 2007. A última vez que vi aquela professora, ainda antes de ela ter conhecimento da doença, ela estava no exercício da sua profissão, numa escola isolada no interior de Imbuia, na localidade de Samambaia. Fiz um desvio, saí da rodovia para passar pelo seu local de trabalho naquele começo de 2006.
Era uma escola improvisada numa casa de madeira, que tinha sido, inclusive, residência e também um galpão para armazenamento de fumo e que há três anos servia ao pré-escolar da rede municipal de ensino de Imbuia.
E lá estava ela lidando com as criancinhas. Perguntei se queria sair de lá, e respondeu que não. Quando foi internada, por conta da leucemia, no Hospital Universitário e, mais tarde, no Hospital Governador Celso Ramos,hospital
falava que queria escrever para os seus alunos ou comunicar-se por telefone com as famílias, para saber como estava a aprendizagem daquelas crianças.
Então, a vocação de professor ou de professora - e não quero discordar de ninguém, até porque quem tem uma profissão diz que a sua é a melhor do mundo - é algo extraordinário, mas não tem a valorização devida.
Se o conhecimento produzido pela humanidade ao longo de toda a sua trajetória não for transmitido, retransmitido, transformado, aprofundado através do processo de ensino/aprendizagem, pois como o deputado Professor Grando disse aqui, aprende-se também com os alunos, fica difícil acreditar na possibilidade de uma sociedade melhor do que a que nós vivemos.
Por isso, a nossa homenagem às professoras e aos professores do estado de Santa Catarina, de todos os níveis de conhecimento, de todas as esferas, que têm como métier principal, como vocação, com dedicação exclusiva na maioria das vezes, como ganha-pão, a profissão de mestre. Talvez seja por isso, por ser uma vocação tão envolvente, que as pessoas são absorvidas por ela e não pensam em sair; também talvez seja por isso que as autoridades, os governantes, sem fazer crítica específica a nenhum, tratam-na com esse descaso.
Fazendo aqui um paralelo, também o policial militar gosta da sua profissão. Quase todos entram para ficar alguns anos e depois de dois anos não conseguem mais sair. Aliás, depois de dez ou 20 anos não saberiam o que fazer se tivessem que sair. Talvez por isso, também, as autoridades tratem com um "deixa para depois". Deixa para depois o policial, o professor, até porque eles vão continuar fazendo o serviço porque gostam do que fazem. Mas eles precisam ser valorizados também do ponto de vista objetivo, do ponto de vista concreto, do ponto de vista da possibilidade de dignidade pessoal e de dignidade familiar.
Nossa homenagem a todas as professoras e professores do país!
Mas gostaria de tratar de três assuntos que já estão na minha pasta há três semanas, deputado Ismael dos Santos: tragédias climáticas, preocupação com o meio ambiente e transporte coletivo.
Foi publicada uma pesquisa no site de notícias G1 dizendo que Florianópolis é a capital com o transporte coletivo mais caro do país, custando R$ 2,80 uma passagem, sendo que o mais barato seria o de São Luís do Maranhão, a R$ 1,60. Acho que todos são caros, tanto R$ 1,60, em São Luís do Maranhão quanto, naturalmente, R$ 2,80 em Florianópolis.
Naquelas semanas acompanhei o meu amigo João Batista Nunes, vice-prefeito e secretário de Transportes da capital - tenho uma boa relação com ele, pois já foi do PDT -, e parece que está com a síndrome da autoridade que está ocupando um cargo "x" em qualquer área do setor público. Vale para os gestores do sistema prisional do estado, vale para todos os setores. Quem está lá vê o mundo a partir do imediatismo daquele momento e busca justificar que está fazendo revoluções naquele período e não faz uma reflexão mais profunda.
Ficam discutindo que a tarifa, na verdade, não é R$ 2,80, mas de R$ 2,30 para quem compra adiantado com cartão. Todavia, qualquer um dos valores é alto. Assim como em São Luís do Maranhão, R$ 1,60 é caro. Precisamos baratear o transporte coletivo, de preferência torná-lo gratuito. Aí, sim, estaremos pensando em preservar o meio ambiente e garantir o desenvolvimento efetivo da sociedade.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)