56ª Sessão Ordinária - 08/07/2009
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO AGUIAR - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, plateia que nos assiste e comunidade catarinense, hoje foi realizada, pela parte da manhã, a importante reunião conjunta do Codesul e Parlasul, na qual foram discutidos vários assuntos. Entre eles, a ideia de começarmos a chamar os quatro estados que fazem parte do Codesul, que são Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, de Brasil Sul. Por quê? Porque já temos, por exemplo, um nome que todo mundo se identifica, ou seja, nordeste. Todo mundo se identifica com os estados da região nordeste. Nós, no sul, temos que criar um nome que também nos identifique mais perante a mídia e a comunidade brasileira e internacional.
Nós tivemos a presença do governador anfitrião Luiz Henrique da Silveira, de Santa Catarina, do governador Roberto Requião, do Paraná, da governadora Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul, e do governador André Puccinelli, do Mato Grosso do Sul, que por sinal é médico cirurgião-geral, uma pessoa que nós, como médico, nos identificamos.
Temos a dizer que durante essa reunião ficou definido que o Codesul faça com que seja liberada maior quantidade de recursos para a nossa região através de uma agência de desenvolvimento. E essa agência de desenvolvimento tem que ter no seu bojo a representatividade que se faz pelos deputados federais e senadores. E são os senadores desses quatro estado que têm a missão de fazer com que as verbas do PAC, as verbas federais, comecem a ser cumpridas nesses quatro estados.
Mas também tivemos a presença na reunião dos secretários estaduais de Saúde, e a nossa secretaria da Saúde esteve representada pela sra. Carmen Zanotto.
E ficou acertado que esses quatro estados têm que fazer em conjunto a defesa sanitária, porque há várias barreiras que têm que ser respeitadas, uma vez que fazemos divisa com Paraguai, Bolívia, Argentina, Uruguai e assim por diante. Nós temos também as divisas interestaduais que têm que ser respeitadas.
Sabemos que em Santa Catarina temos uma grande conquista com relação à febre aftosa. Lá no Rio Grande do Sul está havendo, nesse momento, um aumento do foco da febre amarela. Assim, na quarta-feira que vem vão-se reunir todos os secretários estaduais para discutir o problema da gripe causada pelo vírus H1N1 que se está difundindo em todo o mundo, e nós não estamos imunes a isso. Está chegando, sim, o vírus da Gripe Influenza do tipo H1N1, e essa reunião de quarta-feira vai ser realizada entre os secretários estaduais para fazer o controle mais efetivo da contaminação não só do vírus Influenza, como também das contaminações que existem no nosso meio.
(Passa a ler.)
"Eu gostaria também de me reportar, hoje, já que estamos falando em saúde, sobre o que passou nesta semana na Rede Globo, que apresentou um dos mais impressionantes programas jornalísticos dos últimos tempos. O Profissão Repórter mostrou o vício do crack e as suas consequências. Foi um programa em que o experiente repórter Caco Barcellos e outros jornalistas de sua equipe saíram às ruas de São Paulo para mostrar a tragédia humana de seres degradados pelo vício que vivem na Cracolândia, uma região do centro paulistano onde passam a noite e o dia consumindo drogas.
O programa também abordou a luta das pessoas que tentam se recuperar em clínicas e em suas inúmeras residências. No mundo dessa droga perversa há até um caso extremo, que resultou na morte de um filho único de 25 anos atingindo por um tiro disparado pela própria mãe.
Senhoras e senhores, exemplos como esses dão apenas uma amostra do que significa a droga, seus efeitos na sociedade, o drama que tem um familiar envolvido com o seu consumo.
Essa potente droga começou a chegar ao Brasil em 1989, e em 20 anos tornou-se uma chaga nacional, pois seu consumo disseminou-se.
Hoje não é mais privativo de uma classe, pois em todos os meios encontramos famílias desgraçadas por ter que conviver com o cotidiano de pessoas aprisionadas pelo vício, muitas vezes jovens cujo futuro passa a ser uma incógnita, quando não fica comprometido o futuro daqueles que o cercam.
Subproduto da cocaína, a partir da merla, que é uma variação da pasta de coca, é uma mistura de baixo ponto de fusão e ebulição, tornando possível sua queima com o auxílio de cinzas que são colocadas em um cachimbo.
A droga ganhou tal dimensão que praticamente alijou o uso de cocaína por via intravenosa, pois o crack provoca efeito semelhante e é tão potente quanto à cocaína injetada. A forma de uso do crack também favoreceu a sua disseminação, já que não necessita de seringa, bastando apenas um cachimbo, muitas vezes improvisado.
O crack eleva a temperatura corporal podendo levar o usuário a um acidente vascular cerebral. A droga também causa destruição de neurônios que provoca no dependente degeneração muscular.
O usuário de crack torna-se completamente dependente da droga em pouco tempo. Viciado, o usuário continua a consumi-la apenas para fugir aos desconfortos da síndrome de abstinência que envolve depressão, ansiedade e agressividade comuns a tantas drogas estimulantes."
Em Santa Catarina já existe, através da RBS, um grande programa social que atinge toda a comunidade e que tem o nosso apoio. Como médico ortopedista, temos a consciência de que precisamos ajudar essas pessoas que fazem com que a nossa família, os nossos filhos e a nossa comunidade sofram. E temos que começar a ter consciência desse sofrimento, e essa consciência não é só para os usuários, ela é para a sociedade, o Parlamento, a secretaria da Saúde, os prefeitos, o governador do estado, o presidente da República, os senadores, os deputados federais. Enfim, estamos conscientes de que temos que estar cientes e dar um basta no crack.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)