66ª Sessão Ordinária - 13/08/2009
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, eu ouvi atentamente o deputado Reno Caramori e a sua preocupação em relação às questões do meio ambiente. Ela procede, tem tudo a ver aquilo que s.exa. falou há pouco sobre a questão do meio ambiente.
Mas eu quero reportar-me novamente a Joinville. Temos um problema seriíssimo na pista do nosso aeroporto, que precisa ser aumentada em 500m. Já faz tempo isso! É uma luta incrível para resolver esse problema, mas estamos ainda na questão ambiental. No final da pista, atrás da pista, há um capão de mato. E aí vem o problema ambiental. Resolveram, então, já que para o lado de trás da pista estava complicado liberar por causa do capão de mato, aumentar a pista para o lado do mar. Seria mais fácil. Mas nós nos debatemos novamente com um grande problema, deputado Reno Caramori: uma comunidade com mais ou menos dez famílias não pode ser retirada dali. São 10 famílias que pescam siris e caranguejos. Acho que não há nem caranguejos ali. Se houver uma meia dúzia de caranguejos, é muito. Mas a comunidade mais forte, mais resistente e que tem as costas quentes, como dizem, é a comunidade que pesca siris. Ela é forte. É tão forte que provavelmente não vai permitir a extensão da pista do aeroporto, para que tenha condições de receber aeronaves de grande porte e alavancar o transporte aéreo em Joinville.
Eu ouvi atentamente v.exa. e lembrei-me desse episódio. Eu preciso visitar essas famílias que pescam siris, pois preciso vê-las mais de perto. Elas têm um esquema forte ali e estão lá tranquilas. Numa ocasião, um cidadão no interior do nosso município foi preso porque cortou uma árvore dentro da sua propriedade. Uma árvore! Era uma árvore um pouco grande, ele teria que ter pedido autorização para cortá-la, mas cortou-a e acabou sendo preso. Ele era um chefe de família respeitado, mas acabou sendo preso.
Então, com relação a essas questões ambientais, eu quero deixar muito claro aqui que não sou contra. Pelo contrário, a preservação do meio ambiente é fundamental para a preservação da raça humana, inclusive. Agora, há casos que são realmente questionáveis. Não se pode conceber, por exemplo, a destruição de quilômetros e quilômetros quadrados na Amazônia, por exemplo. Lá, sim, deveria haver uma fiscalização tão rigorosa quanto essa daqui contra o cidadão que tem uma árvore no quintal. Deveria haver uma fiscalização tão ou mais rigorosa para que nós, então, pudéssemos ter a tranquilidade de saber que a raça humana está preservada.
O Sr. Deputado Reno Caramori - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não!
O Sr. Deputado Reno Caramori - Deputado, não se admite, com a tecnologia que existe no mundo hoje, que não se possa remover uma floresta. Vamos retirá-la para o bem da comunidade e vamos formar outra floresta, vamos plantar árvores nativas da mesma região. Vou dar um exemplo. Ontem, eu trafegava pelo acesso à ponte, sentido continente, e mostrei para o meu motorista, o Zeca, como é bonito o bosque com árvores cheias de folhas e como são ridículos os coqueirinhos sobrevivendo mal e porcamente. Dá para ver a diferença entre um coqueiro, que não se adapta muito bem à nossa região, e as árvores nativas.
Então, vamos retirar essa floresta em Joinville e vamos replantá-la. Isso vai levar 100 anos, não interessa, é preciso que haja progresso. Se retirarmos 1ha, 2ha, vamos plantar 10ha, 15ha, 20ha, vamos repor essa floresta dentro de uma tecnologia moderna e liberar o progresso da nossa nação.
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Ainda sobre a BR-280, eu queria citar um fato que aconteceu no final de semana, quando perdi mais uma pessoa amiga transitando na BR. Todos sabem que eu sou motociclista, talvez um dos homens com a maior quilometragem de moto deste país, pois já fiz umas cinco ou seis viagens pela América do Sul. Mas eu conheço muito bem o pessoal do meio.
No sábado, um empresário de Blumenau estava indo a um encontro de moto em Paranaguá - ele tem uma moto muito bonita, eu já tive, inclusive, essa moto, uma Suzuki GSX-750, uma moto espetacular - e acabou perdendo a vida na BR-280, bem em frente ao município de Guaramirim. O caminhão entrou inadvertidamente na BR e acabou ceifando a vida de Sérgio Schlingnann, um rapaz de 42 anos, empresário, com filhos pequenos. E muitas outras vidas serão ceifadas na BR-280 até que se tenha a sensibilidade de perceber que é necessária realmente a sua duplicação o mais urgente possível.
Sr. presidente, quero aproveitar esses dois minutos que me restam para parabenizar o governo do estado. Nós apanhamos, durante anos, em Joinville, com aquela questão do Instituto Médico Legal. Quando uma pessoa tinha uma morte violenta e ia para o IML, era um drama só. A família ficava do lado de fora, era aquela choradeira toda, aquela loucura e o corpo ficava estendido em cima de uma laje. E onde estava o perito, o homem que iria abrir o corpo? Onde estava o homem que iria ver como o acidentado morrera e que liberaria o corpo? Era uma loucura. A família ficava cinco, seis, até oito horas aguardando a liberação do corpo para fazer o velório e o enterro. Era uma loucura.
Nesta semana, tivemos o prazer de receber uma gama de profissionais, ou seja, 19 peritos. Eles servirão também, deputado Silvio Dreveck, à sua região, porque agora Joinville vai virar um centro para essas questões. Não posso deixar de citar esse fato e agradecer ao governo pela sensibilidade de dar a Joinville aquilo que esperávamos há tantos anos.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)