73ª Sessão Ordinária - 18/09/2007
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, servidores deste Poder Legislativo, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital e demais pessoas que nos acompanham nesta sessão, especialmente a comitiva da cidade de Joinville, quero falar, hoje, sobre um assunto ao qual já me referi na semana passada, quando falei do aniversário da cidade de Imbuia. Trata-se de um assunto publicado no Diário Catarinense de hoje, 18 de setembro, nas páginas 4 e 5, que fala da diminuição do número de habitantes em 105 cidades do estado de Santa Catarina.
Das 293 cidades do nosso estado, deputado Silvio Dreveck, 105 tiveram uma diminuição do número de habitantes nos últimos 11 anos. Não foi um fato que aconteceu no mês ou no ano passado. Aconteceu em 11 anos, período em que certamente, como é provado, a população geral de Santa Catarina e do Brasil cresceram bem mais de 10%, e nessas 105 cidades catarinenses nós tivemos uma diminuição. E o Diário Catarinense cita o nome das cidades.
Eu quero parabenizar os jornalistas Fábio Bianchini e Darci Debona pela importante matéria que de fato chamou-me a atenção e comoveu-me, porque sou produto desse processo histórico de transferência, de êxodo rural, de saída de jovens do campo para a cidade que tem acontecido nas últimas décadas, durante quase um século, e que continua ocorrendo nos dias de hoje.
Há dez ou 15 anos, estudando da universidade, falava-se do êxodo rural como uma coisa do passado, do período de industrialização. E hoje vemos que isso está bastante presente ainda.
Esse assunto das páginas 4 e 5 do Diário Catarinense de hoje é de absoluta e relevante importância para todos nós, catarinenses e brasileiros. Portanto, cada um de nós, os 40 deputados estaduais, assim como os deputados federais, os poderes municipais, os Legislativos e os Executivos, precisam preocupar-se com isso.
Nós temos uma situação de descontrole social. Para onde vai toda essa gente que sai dessas cidades do interior? Naturalmente que vai residir na periferia das grandes cidades, e daí vemos o inchaço desordenado das nossas maiores cidades. Vai em busca de emprego, por certo, e é isso que a matéria bem aborda; vai em busca de condições de trabalho. E o deputado falava disso há pouco aqui. A diferença é que aqueles a quem o deputado Clésio Salvaro fez referência estão tentando ir para os Estados Unidos, e aqui estou falando de gente que sai do nosso interior, do nosso oeste, do nosso sul, do nosso norte e da nossa Grande Florianópolis e vai para as nossas maiores cidades em busca de emprego e de melhores condições de vida.
E depois alguns dizem: "Ah, depois esse pessoal provoca problemas de violência na grande cidade". Não são essas pessoas que saem de lá que provocam a desagregação social, deputado Moacir Sopelsa, e v.exa. sabe muito bem disso, e sim os filhos e os netos dessas pessoas que saem de lá - porque quem cresceu na roça, no campo, vai trabalhar de pedreiro ou ajudante de pedreiro, vai catar papelão, mas não vai corromper-se - e vão crescer livres, até porque a nossa educação não é de tempo integral, as crianças ficam soltas nas periferias das nossas cidade e ao invés de serem criadas pelos pais, acabam sendo criadas, boa parte do tempo, pelos marginais, pelos traficantes.
Então, é importante debatermos isso no sentido de tentar reverter esse processo. Acho que o poder político tem que intervir no sentido de alterar legislações para estancar e reverter o êxodo rural que ainda se faz presente e forte no estado de Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)