Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

74ª Sessão Ordinária - 19/09/2007

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, servidores e servidoras deste Poder Legislativo, telespectadores da TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, eu pensei que não falaria mais hoje, já que fui o vigésimo parlamentar inscrito, mas preciso fazer algumas reflexões e colocar alguns pontos nos ii sobre as lutas que temos travado no estado de Santa Catarina e neste Poder Legislativo.

A respeito das palavras do ex-deputado Dejandir Dalpasquale, quero dizer que não o conheço pessoalmente, mas pelos meios de comunicação, desde os tempos de criança e como jovem agricultor da cidade de Imbuia, sempre ouvi falar dele e só posso acreditar que ele está falando da sua própria experiência, porque da minha certamente não é! Não é da minha experiência que ele está falando!

Uma expressão do vídeo a que assistimos aqui, três vezes de ontem para hoje, é que o cabide de emprego foi descentralizado. Ele usou essa expressão e se a usou, qual é a reflexão que vou fazer? É que existe um cabide de emprego ou que já existia um cabide e que agora foi descentralizado, ou seja, havia um cabidão, que agora foi espalhado em diversos cabides menores.

Se essa é a lógica de pensamento do sr. Dejandir Dalpasquale, ele por certo conhece muito melhor do que eu e do que nós aqui, deputado Elizeu Mattos, a estrutura de governo e de estado, e eu particularmente devo ser um dos deputados que menos conhece, porque até o mês de julho do ano passado eu usava a farda cáqui que sempre me orgulhou e prestava serviço 24 horas por 48 horas de folga na Polícia Militar, aqui no estado de Santa Catarina. Portanto, desconheço a estrutura e o funcionamento do estado.

Quero falar, a pretexto do que foi dito e das reflexões, da minha experiência como parlamentar, uma experiência de oito meses tão-somente, da minha participação no espaço da política institucional.Digo política institucional, porque política faz tempo que faço e na minha compreensão eu sempre fiz política, porque viver é relacionar-se politicamente com o mundo, seja no colégio de Imbuia, na Universidade Federal de Santa Catarina ou dentro dos quartéis da Polícia Militar; o relacionamento entre pessoas é um relacionamento político.

Quero dizer que tenho, sim, acordo com o governo do estado e pessoalmente com o governador Luiz Henrique da Silveira. Poderia resumir em dois acordos. Negócio deste parlamentar com o governador Luiz Henrique da Silveira e com o governo do estado. Com o governador diretamente é não votar nenhum projeto cujo conteúdo seja de interesse da direita, seja de interesse programático da classe econômico-político e socialmente dominante. Da minha parte tenho cumprido este acordo.

É claro que podemos debater aqui e com o próprio governador durante uma semana inteira se um projeto tem conteúdo de direita ou não. Aí vai depender da baliza que cada um vai usar. Mas pela minha forma de ver, tenho sido fiel ao acordo de não votar nenhum projeto cujo conteúdo seja de interesse da classe economicamente dominante e cause prejuízo para a maioria das pessoas, para os trabalhadores, para aqueles que vivem do esforço do seu próprio trabalho.

Esse é um acordo que tenho com o governador Luiz Henrique e muito antes de ser deputado já definia este horizonte. Governador, o nosso horizonte, o meu horizonte é esse.

Outro grande acordo que temos com o governador Luiz Henrique, com o governo do estado, é que sejam atendidas as demandas dos praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Especialmente aquelas que já estão inscritas em lei, que discutimos ao longo de seis anos, sobre as quais já há acordo político a ser cumprido na questão salarial da segurança pública. E aí não é só dos praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, mas de toda a Segurança Pública, que engloba 22 mil servidores públicos que fazem a segurança da sociedade catarinense.

Como falei na minha fala anterior, haverá uma assembléia no dia 25 de setembro, terça-feira da semana que vem, e depois será encaminhado um ato conjunto com os servidores da Educação e da Saúde. Está sendo discutido com os dirigentes das entidades sindicais e vamos debater este conteúdo: a defesa das demandas imediatas dos servidores púbicos das áreas da Educação, da Saúde e da Segurança. E nós, especialmente, através da Aprasc, vamos discutir as demandas dos praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, e depois, num ato conjunto, fazer a defesa do serviço público, que é um assunto de interesse do conjunto da classe trabalhadora e da sociedade catarinense.

Melhorar a saúde pública, melhorar a educação pública e melhorar a segurança pública é de interesse da sociedade catarinense, e são esses os acordos, os negócios que temos com o governo. Desconheço qualquer outro negócio.

Gostaria de falar também, e até conversei com alguns colegas deputados antes de começar a sessão, sobre uma experiência que tive essa semana, somada a várias que estou tendo nesses onze meses no mandato de deputado estadual, caro companheiro, deputado Julio Garcia - e servirá de reflexão àqueles que, de repente, dizem: "Ah, a vida de deputado é fácil! É bom ser deputado"! Tenho descoberto, caros companheiros Edson Piriquito e Professor Grando, o contrário. Existe um peso de participar da política institucional, de ocupar um cargo eletivo de deputado estadual. E por certo existe um peso também de ser vereador, prefeito e deputado federal.

Vou citar só um exemplo: esta semana, numa determinada cidade do estado, um cidadão me pediu R$ 20,00, deputado Décio Góes, dizendo que aquilo era para poder falar bem de mim. Aí eu disse que não tinha os R$ 20,00, que não estava preparado e que até não tinha motivo para dar-lhe o dinheiro. Então, ele disse que teria que falar mal de mim. Naturalmente que uma experiência dessa natureza, que não foi a primeira nesses oito meses, criou certo constrangimento. E não era uma pessoa que estivesse passando necessidade, fome, miséria.

Então, essas coisas que estão colocadas no mundo, no espectro da vida cotidiana de um parlamentar, criam um peso e uma dificuldade para exercer essa função. Nós, que nos candidatamos na perspectiva de desenvolver um projeto, um trabalho, de defender uma tese, às vezes gastamos muito tempo com questões secundárias, terciárias, de menor ou de nenhum interesse público.

Mas, para concluir, finalizo repetindo que os negócios, os acordos que tenho com o governo do estado são de não votar nenhum projeto de direita e que sejam cumpridas as demandas dos praças da Polícia Militar, do Corpo do Bombeiros, da Segurança Pública, da Saúde, da Educação e dos pequenos agricultores.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)