36ª Sessão Extraordinária - 09/12/2008
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Digital Alesc, pessoas que nos acompanham nesta sessão, eu queria repercutir aqui uma matéria que o Diário Catarinense publicou no sábado sobre o relato de seis bombeiros militares do estado de Santa Catarina, seis alunos do curso de formação para sargentos do Corpo de Bombeiros Militar, que foram destacados com urgência para atuar e socorrer as pessoas na região atingida naquele momento de calamidade entre os dias 22, 23 e 24 de novembro passado.
São esses os alunos e sargentos bombeiros: Adalberto Rodrigues Bastos, 41 anos, 21 de bombeiro; Edemilson Maciel, 44 anos, 25 de bombeiro; Jacymar Santos de Oliveira, 42 anos, 20 de bombeiro; Wanderley G. de Souza, 39 anos, 20 de bombeiro; Volnei José Tomaz, 45 anos, 21 de bombeiro e Adir Antônio Hurt, 39 anos, 20 de bombeiro.
São alunos sargentos e um sargento aluno que estão na academia militar do Corpo de Bombeiros, todos com mais de 20 anos de serviço e com uma vasta experiência, portanto, no serviço de bombeiro, que estão fazendo curso para sargentos, uma realidade impossível há dois anos. E há gente que questiona ainda hoje que preferiria que garotos de 20 anos estivessem fazendo o curso para sargentos, enquanto esses companheiros aqui permaneceriam cabos até 30 anos de serviço, até ir para a reserva remunerada.
Então, queremos agradecer ao Diário Catarinense por esse trabalho, que relata a experiência de cada um deles nessa tragédia em Santa Catarina, assim como também traz um histórico profissional de cada um deles, das situações que viveram ao longo da sua trajetória no Corpo de Bombeiros. Inclusive alguns deles deixaram a família dentro da água e foram socorrer outras pessoas. São companheiros que merecem todo o nosso respeito, toda a nossa homenagem. Queremos, portanto, agradecer ao Diário Catarinense por essa publicação.
Mas temos aqui também o relato do soldado Hugo, da Polícia Militar, que estava de serviço em Blumenau na noite daquele sábado para domingo, no dia 22 para 23 de novembro. Ele nos mandou uma mensagem eletrônica que passo a ler.
"Trabalhando há 21 anos, passei por um momento difícil na iminência de ser soterrado no meio dos escombros, juntamente com as vítimas. O meu companheiro de serviço e eu, com lama até a cintura, seguimos em frente para socorrer uma menina que pedia socorro e estava com parte do corpo soterrado, e as demais pessoas que estavam com ela, já completamente soterradas.
Quando iniciamos o percurso, ouvimos os estalos das árvores e o barranco trazendo mais lama. Isso tudo às 2h30 de sábado para domingo. Enfim, demos continuidade ao percurso e com êxito trouxemos ela chorando. Mas o melhor, com vida.
Quando chegamos na rua Botuverá, na Itoupavazinha, achávamos que não seria possível socorrê-la, mas tudo estava ao nosso favor. Quando passamos por uma rua, logo ela seria interrompida, impedindo apoio. Ao tentar contornar o local em que a vítima estava, não dava. Foi então que fomos, sem falar um com o outro, apenas seguimos o nosso dever, o nosso instinto, o que Deus nos tinha mostrado. Salve a minha filha, e nós obedecemos salvando-a."
O soldado Hugo, Matrícula n. 917491, que estava de serviço naquele sábado para domingo, em Blumenau, traz-nos esse relato. Por certo são centenas de outros relatos, como esse dos nossos companheiros policiais e bombeiros, que as pessoas da cidade têm para trazer.
Isso tudo apesar das dificuldades e condições materiais, como, por exemplo, a falta de um helicóptero para o Corpo de Bombeiros, como bem escreveu - e agradeço também - o Cacau Menezes, do Diário Catarinense, no último domingo, dia 7. Vou ler um trecho da matéria do Cacau Menezes.
(Passa a ler.)
"Talvez essa tragédia que castigou o Vale do Itajaí mostre de maneira mais clara as necessidades dos Bombeiros Militares de Santa Catarina.
Eles foram e estão sendo incansáveis no socorro e resgate às vítimas das chuvas e deslizamentos. Mas o mais incrível é saber que eles não possuem um único helicóptero.[...]
Outra situação que marca a corporação, sempre líder quando o assunto é a confiança do brasileiro: o violento estresse emocional produzido pelas experiências vividas no resgate de vítimas e corpos no Vale. Os bombeiros catarinenses não contam com assistência psicológica. Sem dúvida, mereciam contar com o serviço."[sic]
Nós aprovamos aqui na semana passada, de iniciativa do deputado Nilson Gonçalves e substitutivo global deste deputado, um projeto de lei para dar assistência psicológica aos policiais e bombeiros porque não só os bombeiros, mas também os policiais passam por situação de abalo emocional praticamente todos os dias, e é preciso esse atendimento. A nossa esperança é que o governador do estado não vete, porque seria muito caro para o estado de Santa Catarina contratar algumas dezenas de psicólogos que pudessem fazer o acompanhamento permanente desses profissionais.
Esperamos, portanto, que não haja veto a esse projeto que é de suma importância para a Segurança Pública e, portanto, para a qualidade do serviço que vamos prestar à nossa população.
Por conta da calamidade, nós suspendemos todas as atividades de mobilização com vistas ao pagamento da Lei n. 254. Tomamos essa decisão de pronto, tão logo percebemos o tamanho da tragédia. Fizemos isso por espírito humanitário, por entender que a população atingida precisava mais do que nunca do trabalho abnegado e imperturbável de todos os policiais e todos os bombeiros do estado.
Mas informávamos lá que a suspensão era temporária, e curiosamente o governo desmarcou todas as reuniões que estavam marcadas para discutir a Lei n. 254, inclusive reunião com técnicos do palácio, que por certo não foram para a região atingida socorrer vítimas. Nós, sim, estávamos lá. Nós, bombeiros e policiais, estávamos lá, mas os secretários, muitos deles, não apareceram lá na região e desmarcaram as reuniões que estavam marcadas para discutir a Lei n. 254. E de lá para cá, silêncio absoluto com relação a esse assunto.
Agora a situação, dentro do que é possível, está voltando ao normal. Na semana passada, o governo já fez o pacote de apoio às empresas e, por incrível que pareça, a primeira medida de apoio aos empresários foi para todos os empresários catarinenses. Conforme o jornal Diário Catarinense também anunciou no dia 4 de dezembro, quinta-feira passada, só a primeira medida de postergar cinco dias a arrecadação do ICMS equivale a uma perda de R$ 35 milhões por mês, e essa é para todas, não se fala aqui nessa medida nos atingidos pela calamidade. Não! Isso é para todas as empresas catarinenses. E esse valor, R$ 35 milhões, é muito mais do que vale a Lei n. 254.
E aí vieram as outras medidas que são justas, e nós concordamos que são medidas necessárias. Aqueles empresários que foram atingidos, como se falou aqui desta tribuna na tarde de hoje, precisam, sim, de um apoio. Mas todos os empresários catarinenses, na verdade, aproveitaram a oportunidade para, mais uma vez, ajudar os amigos, porque as medidas são para todos os empresários catarinenses, e nenhuma palavra com relação aos servidores que deram o sangue, que estão dando o suor para defender a população. Se não fossem os policiais e bombeiros, muitas outras pessoas teriam morrido, a situação de caos e de barbárie naquela região tinha tomado conta da sociedade e tragédias inimagináveis aconteceriam. E nenhuma palavra, nenhum muito obrigado para os policiais e bombeiros.
Essa é uma situação que certamente não ficará assim. Desde hoje estamos reativando as mobilizações pela Lei n. 254, queremos as reuniões, precisamos discutir, queremos uma resposta.
Na quinta-feira pela manhã, depois de amanhã, o movimento das esposas e familiares vai fazer uma assembléia e uma manifestação na frente dos palácios. A diretoria da Aprasc se reunirá nas próximas 48 horas para deliberar sobre o assunto. Os nossos filhos também querem ter o direito de sorrir neste Natal. Três anos de salário congelado e esse desprezo e esse silêncio por parte do governo não pode, e não vai, ficar assim!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)