Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

19ª Sessão Ordinária - 19/03/2014

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, telespectadores da TVAL, ouvinte da Rádio Alesc Digital, público presente, quero parabenizar os vereadores mirins de Gaspar e o deputado José Milton Scheffer pela iniciativa e importância desse trabalho e dizer que quiçá pudéssemos aprender todas as lições da boa cartilha dos vereadores mirins de Gaspar, ainda mais agora que estamos entrando num período eleitoral. Seria bom que todos nós pudéssemos, mesmo não sendo adolescentes, seguir essa cartilha, para o conjunto da sociedade catarinense e para a política.

Parabenizo aos jovens, ao deputado José Milton Scheffer pela iniciativa, e a v.exa., deputado Padre Pedro Baldissera, por suas observações.

Quero informar que na sessão de hoje à tarde, na sessão ordinária, irei falar sobre um assunto bastante palpitante atualmente no estado, que é a Ponte Hercílio Luz, sobre os recursos milionários que escoam dos cofres públicos para determinadas empresas de forma continuada. Eu iria fazer esse pronunciamento agora, mas até para buscar melhores dados, falarei à tarde.

Mas agora quero iniciar fazendo uma observação, deputado Padre Pedro Baldissera, a respeito de uma nota publicada no Diário Oficial n. 19.759, do dia 14 de fevereiro deste ano. Diz a nota que o governo do estado, através da Fundação Catarinense de Esporte, a Fesporte, gastou R$ 3,9 milhões e uns quebrados naquele evento que aconteceu em Florianópolis no mês passado, no Costão do Santinho, o Congresso Técnico da Fifa.

Incrível é como essas informações só são vistas no Diário Oficial. Por que será que não saiu nos meios de comunicação a informação de que naquele evento o governo colocou quase R$ 4 milhões? E quem recebeu esse dinheiro? Quem recebeu foi a empresa Costão Operadora de Turismo Ltda., pela qual respondem Guilherme e Lucas Marcondes de Mattos.

Srs. deputados, foram R$ 3,9 milhões e pergunto: teria o estado de Santa Catarina arcado com os custos de todas as pessoas que se hospedaram no hotel Costão do Santinho, durante o evento? Teria o governo do estado arcado com todos os gastos de passagens aéreas e terrestres para todos os participantes daquele congresso da Fifa? Ou esses quase R$ 4 milhões foram gastos ainda para outros trabalhos? Porque é possível imaginar que os diretores da Fifa pagaram suas passagens e sua estadia no hotel Costão do Santinho.

Onde foram gastos esses quase R$ 4 milhões, com a empresa vinculada, inclusive pelo sobrenome, ao próprio hotel Costão do Santinho? Então, a sociedade precisa saber disso. E, aliás, outras, diversas operações financeiras do estado, financiando eventos de interesse privado com setores da sociedade cujos arautos vêm a toda hora nos meios de comunicação, desculpem a expressão, arrotar moralidade.

Mas, temos que falar sobre essas questões desta tribuna, porque é também nossa obrigação constitucional. O estado de Santa Catarina, o poder público de Santa Catarina, com dinheiro público, do erário, através da Fesporte, gastou quase R$ 4 milhões no Congresso Técnico da Fifa, num contrato com uma empresa de propriedade, de controle da família Marcondes de Matos.

Ainda neste pronunciamento quero falar da conferência do Partido Socialismo e Liberdade que aconteceu no último domingo na capital, que deliberou que o candidato do PSOL ao governo do estado será o companheiro Afrânio Boppré.

Todos sabem que desde outubro do ano passado, quando me filiei ao PSOL, tinha colocado o meu nome como pré-candidato ao governo do estado e que isso estava aberto, em discussão, até a conferência do partido que seria, como foi, agora no mês de março. Então, a definição foi dada e o candidato do PSOL ao governo do estado será Afrânio Boppré.

É preciso dizer, desde já, e nem poderia ser diferente, que ele tem o nosso apoio, o nosso respaldo ou apoio e respaldo deste parlamentar. Afrânio Boppré tem uma história de no mínimo 30 anos de lutas sociais no estado de Santa Catarina e na Grande Florianópolis; foi vice-prefeito desta capital na gestão de Sérgio Grando como prefeito; em 1996 perdeu a eleição desta cidade capital para prefeito por 4%; foi deputado estadual e desta tribuna defendeu muitas vezes os interesses das bases da classe trabalhadora catarinense e atualmente é vereador em Florianópolis.

Portanto, tem toda uma trajetória, uma história de coerência e compromisso que não poderia ser diferente. Por que estou falando isso? Porque as pessoas às vezes imaginam que o fato de o PSOL não ter definido que o candidato ao governo fosse eu, deputado, que estou falando a v.exas., possa ficar com ciúmes, com sentimento de que não foram cordiais comigo, e não é este o fato. Foram coerentes com a tradição, com a intenção de construção partidária.

Nós achávamos que o nosso nome poderia, em alguns setores da sociedade, ampliar mais. Achávamos e argumentávamos, mas respeitamos a posição do partido, do ponto de vista da sua construção, que é também coerente.

O PSOL, como já vinha fazendo desde o ano passado, desde a discussão que levou à minha filiação a este partido, havia sugerido, proposto que eu saísse candidato ao Senado. Nós não refletimos a respeito disso porque estávamos debatendo e trabalhando na perspectiva da candidatura ao governo, se fosse para eu ser candidato. Agora, definida a questão da candidatura ao governo, estamos refletindo com setores de base, com camaradas, com companheiros qual o caminho a seguir. Como já anunciei, inclusive nesta tribuna, não serei candidato a deputado nem à reeleição de deputado estadual e também não serei candidato a deputado federal.

A discussão que estamos fazendo e iremos fazer nas próximas semanas será se aceitaremos ou não a candidatura ao Senado pelo PSOL, evidentemente.

Então, estamos nesta discussão, pedimos o apoio, a colaboração e a opinião de todos os companheiros que quiserem participar dessa...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)