Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Darci de Matos

4ª Sessão Ordinária - 14/02/2012

O SR. DEPUTADO DARCI DE MATOS - Sr. presidente, a minha saudação a v.exa., sras. deputadas e srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital. Inicio meu pronunciamento fazendo menção àquilo que existe de mais importante para o cidadão, garantido pela Constituição, mas que, muitas e muitas vezes, não é praticado pelos entes públicos do nosso país. Refiro-me, deputado Jailson Lima, v.exa. que é médico, à saúde da população de Santa Catarina, mais especificamente, de Joinville.

Deputado Neodi Saretta, qualquer outro assunto pode esperar, mas a doença não! A doença mata! Estamos indignados porque a Saúde de Joinville está um caos e, deputado Jailson Lima, para fazer Justiça a essa situação, tenho que fazer críticas ao prefeito Carlito Merss, mas tenho também que fazer uma mea culpa e cobrar do meu governador, Raimundo Colombo, e do secretário Dalmo Claro de Oliveira a colaboração e os investimentos necessários.

O jornal A Notícia traz, nas suas páginas de domingo, uma longa matéria traduzindo a situação dramática da Saúde. Há pessoas internadas nos corredores dos hospitais, tanto no São José, que é municipal, como no Regional, que é estadual. Há 14 mil pessoas na fila para fazer um exame de ultrassonografia, deputados Ismael dos Santos e Neodi Saretta. Isso é um absurdo, é inadmissível! São mais de 30 mil pessoas nas filas para fazer uma cirurgia de catarata, uma ressonância magnética ou uma tomografia computadorizada.

Em Joinville, deputado Ismael dos Santos, os poderes públicos municipal e estadual não têm um aparelho de ressonância magnética nem de tomografia computadorizada. Temos que comprar esses exames da rede privada. Isso é uma vergonha. Então, faço uma mea culpa, porque sou deputado estadual e como tal preciso também cobrar daqueles que fazem parte do governo, inclusive do governador Raimundo Colombo. Pelo contato que tive com o secretário Dalmo Claro de Oliveira, ele teve agora às 16h30 uma audiência com o governador para apresentar a situação caótica. E ele está tomando providências.

Precisamos atender à nossa população, e o prefeito Carlitos Merss tem que fazer a sua parte, eis que ele está negligente, omisso e não está cumprindo com os compromissos assumidos na campanha, de resolver o problema da Saúde em 100 dias.

Então, sr. presidente, quero deixar aqui o meu registro, a minha preocupação e indignação com o que está acontecendo com a nossa população, com as nossas famílias, com as pessoas carentes, principalmente, com aquelas que moram nos bairros da nossa cidade. Precisamos zerar a fila de cirurgias, de exames e disponibilizar mais leitos à população joinvilense.

Sr. presidente, também gostaria de fazer menção ao crescimento econômico de Joinville e dizer que acompanhamos com alegria, com motivação, a matéria da revista Exame, deputados Neodi Saretta e Ismael dos Santos, dando conta de que Joinville irá dobrar o seu PIB nos próximos dez anos. Eu diria que Joinville, o norte do estado, tem vivenciado, deputados Elizeu Mattos e Edison Andrino, nos últimos meses ou no último ano, o equivalente ao crescimento econômico da China. E isso não é pouco, porque temos mão-de-obra qualificada, estamos localizados em um dos maiores polos portuários do mundo e temos uma característica tupiniquim voltada ao trabalho. Enfim, temos condições essenciais, fundamentais, que têm atraído empresas de todo o Brasil e do mundo inteiro. E esse crescimento econômico é fundamental, mas precisamos transformar, deputado Ismael dos Santos, isso em força econômica, pois a cidade de Joinville representa 1,5% das exportações de todo o Brasil e 25% de Santa Catarina. Somos a maior cidade do estado e a 3ª maior do sul do Brasil.

Precisamos transformar esse crescimento, essa pujança, em distribuição, em condições dignas e na melhoria da qualidade de vida da população joinvilense, coisa que não tem acontecido. E por quê? Porque apesar de ser essa força econômica, essa locomotiva de Santa Catarina e do sul do Brasil, deputado Nilson Gonçalves, temos do outro lado, do outro extremo, uma situação de mobilidade urbana caótica.

Não temos nenhum elevado e precisamos duplicar, por exemplo, a avenida Santos Dumont e a rua Dona Francisca, além de pavimentar a estrada Rio do Morro, fazer elevados, enfim, melhorar a nossa mobilidade urbana. Precisamos, como já disse, enfrentar a questão da saúde com coragem, com dinamismo, com gestão pública e com sensibilidade para pensar no futuro, o que significa priorizar, trabalhar para desempenhar as ações mais importantes da nossa cidade, desse conjunto econômico que é Joinville. E não são os empresários, pois são empreendedores, mas os nossos trabalhadores, deputado Ismael dos Santos, que constroem a nossa riqueza, que no dia a dia e com dificuldade constroem o grande patrimônio econômico de Joinville, da nossa cidade, que é ordeira, pacífica e voltada para o trabalho.

Portanto, os gestores públicos devem dar atenção, prioridade, às pessoas que moram nos bairros, às famílias que construíram e que continuam construindo a maior cidade de Santa Catarina, que é Joinville. Temos que concentrar às pessoas as nossas energias, os nossos recursos e as nossas obras.

Deputado Manoel Mota, pensar no futuro de Joinville significa pensar na reciclagem do lixo, na implantação da usina para transformá-lo em energia limpa, trabalhar para a implantação do ensino integral, fundamental, o que os países de primeiro mundo estão fazendo há décadas. Pensar no futuro de Joinville significa planejar a preservação do cinturão verde dos nossos morros, das nossas áreas verdes, que são fundamentais para a nossa existência, fazendo uma gestão eficiente. E quando falamos em gestão eficiente, não devemos, deputado Manoel Mota, esquecer do enxugamento da máquina, da aplicação da meritocracia, ou seja, privilegiar, dar vantagens para aquelas pessoas que merecem dentro do serviço público e criar meios de desburocratizar e agilizar pleitos públicos que muitas vezes ficam emperrados durante meses ou anos esperando uma liberação.

Portanto, sr. presidente, faço este pronunciamento para dizer que estamos felizes e satisfeitos com o grande crescimento econômico da nossa cidade e região, com o aquecimento da economia, gerando empregos e dando exemplo para Santa Catarina, para o Brasil, mas estamos pecando, principalmente, no atendimento às pessoas, às famílias e na questão do resgate da conquista da cidadania. Aí que residem as nossas deficiências, o ponto negativo da gestão que está fazendo o prefeito de Joinville e aqueles que dirigiram a cidade nos anos anteriores.

Estamos em débito, apesar do grande crescimento econômico, com a população joinvilense, sobretudo com as famílias que moram nos nossos bairros, com os trabalhadores, porque foram eles que construíram e continuam construindo Joinville, Santa Catarina e o Brasil. Portanto, trabalhadores, famílias que moram nos bairros das nossas cidades, nos mais longínquos rincões de Santa Catarina, é para vocês que nós homens públicos temos que concentrar as nossas energias, as nossas ações, os nossos trabalhos, os nossos projetos, sobretudo as verbas que têm que ser investidas nas áreas essenciais para dar dignidade de vida à nossa população.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)