Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

17ª Sessão Ordinária - 03/04/2001

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sra. Presidente e Srs. Deputados, é uma satisfação também cumprimentar o Sr. Lindberg, reafirmando o grande trabalho que faz aqui o seu amigo, Deputado Manoel Mota, Companheiro que temos orgulho em dizer que é o Primeiro Secretário desta Casa Legislativa.

Mas eu gostaria de registrar nos Anais deste Parlamento que na quinta e na sexta-feira passada realizamos, nesta Casa, o I Encontro pela Vida do Sul do Brasil, para tratar sobre plantas medicinais.

Este encontro teve a participação de muitas autoridades importantes, que detêm o conhecimento e que pesquisam as plantas medicinais, questão importante para a saúde, assim também como uma alternativa econômica e social para o cidadão.

Estava presente também neste evento a Deputada Jussara, que é uma grande lutadora e que, juntamente com a estrutura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, faz um grande trabalho nessa área, estando mais avançada do que os outros Estados.

Da mesma forma, participou, nos dois dias deste Encontro, o Deputado Volnei Morastoni, dedicado Parlamentar da área da saúde, que ajudou muito no acompanhamento e nos debates realizados.

Outras pessoas, de uma forma ou de outra, ajudaram também a engrandecer o nosso conhecimento sobre a questão das plantas medicinais, que não só são fundamentais como também uma alternativa econômica que faz parte da história da vida da humanidade. História essa que, no decorrer do tempo, fomos perdendo, esquecendo e não mais valorizamos. Mas agora está sendo feito um trabalho muito bom, através de voluntários, como é o caso da Pastoral da Saúde.

Ela começou a dar mais importância a isso, mas como farmácia básica da dona de casa ou nas casas de famílias. E com o passar dos tempos nós, que não valorizamos muito essa alternativa como econômica, começamos a ver também o interesse do nosso Governo e dos Governantes em buscar na planta medicinal uma alternativa para a pequena propriedade rural ou um alternativa até mesmo para os nossos plantadores, principalmente aos plantadores de fumo.

Nas pequenas propriedades a fumicultura está com a rentabilidade comprometida, não permitindo a continuidade da atividade do agricultor na propriedade rural. E a planta medicinal, de acordo com os debates feitos, além de todas as vantagens que vimos falar com relação à questão do meio ambiente, de recuperação da saúde, hoje se transforma, também, num grande negócio no mundo. E foi nesse debate que nós ouvimos algumas coisas que nos estarreceram: o nosso País, que tem uma grande riqueza de flora, está perdendo uma parte dessa riqueza, pois ela está sendo patenteada por grandes laboratórios ou por espertalhões de várias partes do mundo.

Nós, que temos, por exemplo, o guaraná como uma cultura, como um produto da flora brasileira - tanto o energético como a bebida são de um alto consumo no Brasil e o mundo também está conhecendo as suas propriedades e qualidades -, não é mais um produto brasileiro, pois já está sendo patenteado por americanos.

E assim é o caso da espinheira santa, que é patenteada pelos japoneses, e tantos outros produtos.

Então, esta é uma realidade que vivemos no Brasil: não valorizamos a riqueza natural que Deus nos deu e a natureza nos oferece.

Em alguns depoimentos foi dito que em pequenas regiões da Espanha, da França, da Suíça e, principalmente, da Alemanha, conseguiram exportar, no ano de 2000, US$50 bilhões em extratos de plantas naturais. Podemos ter idéia da importância que tem na economia de um País esse número, ou seja, o aproveitamento da natureza e das plantas medicinais. Não podemos desprezar isso.

Uma determinada fundação tinha interesse em firmar um contrato de compra com o Estado de Santa Catarina, mas queriam fazer o contrato inicial de US$500 milhões. Isso dá para ter uma idéia da oportunidade que teríamos para transformar a atividade na pequena propriedade rural em uma alternativa com a planta medicinal, como meio de melhorar a qualidade de vida, de gerar emprego e renda.

Mas tivemos algumas demonstrações muito importantes aqui, em que vimos um grande trabalho realizado pelo Município de Curitiba, por uma fundação em Guarapuava, e também em Toledo, pelo grupo Clabin. Nós temos alguns exemplos que mostram que é possível buscarmos as condições de investir nessa atividade em Santa Catarina. E ela poderia ser uma grande solução, um meio de emprego no campo para melhorar a vida da nossa gente.

Eu sou filho de agricultor e na minha comunidade, onde vivi até os meus 25 anos, era tradicional os nossos "remedeiros", o quintal com as plantas medicinais em casa, a nossa horta medicinal. Enfim, era muito tradicional todos conhecerem a forma de fazer o chá e o remédio através da planta medicinal.

Nós somos em 11 irmãos, eu sou o mais velho, e todos nós nascemos em casa. Então, não se levava ninguém para o hospital naquela época, como também se tinha dificuldade de buscar um remédio em uma farmácia.

Eu sou da época em que as informações demoravam para chegar, elas só chegaram quando eu já tinha 20 anos de idade. Portanto, foi quando chegou a energia em casa e depois a televisão.

Naquela época, nós não aplicávamos nenhum tipo de agrotóxico para matar o mato no terreno. Nós íamos capinar o terreno, ou arrancar, ou roçar o mato. Nas roseiras nós também íamos arrancar o jaú e não usávamos nenhum tipo de agrotóxico. Nós, em casa, usávamos o remédio caseiro, mas depois, quando deixamos tudo isso, fomos buscá-lo na farmácia; nós, em casa, usávamos o adubo orgânico, porque não sabíamos que era tão fácil ir buscar o adubo químico. E por isso hoje nós acabamos com a maioria das nossas propriedades.

Nós, hoje, desperdiçamos muita coisa, mas eu lembro muito bem que chegou uma época em que o agricultor já entendia que não deveria mais plantar em casa a couve, o repolho e as hortaliças, porque poderia comprar isso no mercado. Já houve época em que o agricultor também nem criava mais um suíno em casa e muito menos uma galinha, porque entendia que poderia ir comprar no mercado por um preço mais em conta.

Então, esse consumismo acabou fazendo com que nós adotássemos um outro modo de vida que acabasse ainda ajudando mais a destruir aquilo que era natural, aquela vocação mais naturalista que nós tínhamos.

Então, enveredamos para esse lado do consumismo e abandonamos tudo. Mas isso não durou muito mais do que 20, 25 anos para notarmos a necessidade de voltarmos de novo a cultivar os produtos naturais, a valorizar aquilo que a natureza nos oferecia, a cuidar novamente da nossa propriedade sem usar tanto agrotóxico, sem destruir as nossas matas e, acima de tudo, cultivando também as plantas naturais, porque com elas, sim, nós podemos fazer o controle da saúde. E o controle preventivo vem, sim, também do cuidado que temos com o meio ambiente e com a flora e a fauna.

Nós queremos registrar, nesta Casa, que foram dois dias muito importantes e que de toda esta discussão saiu a Carta de Florianópolis. Esta Carta é a base de um anteprojeto que queremos levar à discussão, agora, também na Câmara Federal, para tratar desse projeto das plantas medicinais, comandada pela Secretaria da Agricultura.

Portanto, em breve, estaremos, em parceria com a Epagri, que faz um grande trabalho e deu um importante apoio para nós, e em parceria com o Dr. João Cândido, que é o Secretário da Saúde, fazendo esse trabalho e essa discussão sobre a importância das plantas medicinais na nossa vida, na vida econômica e social do Estado de Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)