41ª Sessão Ordinária - 05/06/2001
O Sr. Deputado Ivan Ranzolin - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Pois não!
O Sr. Deputado Ivan Ranzolin - Eu vim aqui para trazer a minha solidariedade a V.Exa., que é um Deputado que tem trazido boas propostas para discutir nesta Casa.
Eu já cheguei atrasado e posso ter pegado o bonde andando, mas devo dizer que o tema é dos mais palpitantes e urgentes. V.Exa. está falando da questão da água, e eu recomendo a V.Exa. - a Epagri elaborou um trabalho muito interessante que dá detalhes sobre esse assunto - que solicite à Epagri um vídeo intitulado O pingo d’água, que faz durante 15 minutos um retrospecto e recomendações futuras sobre esse assunto.
Eu recentemente o passei para um grupo de alunos da Univest, na Universidade do Planalto, alunos do curso de Turismo, e foi realmente um sucesso, porque na realidade nós temos que alertar a comunidade para evitar o que aconteceu e o que está acontecendo com a energia elétrica.
Cumprimento V.Exa. Não sei se entrei no assunto certo, mas cumprimento V.Exa. porque o assunto é do maior interesse de toda a sociedade catarinense e do Brasil.
O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Agradeço o seu aparte, e o assunto é pertinente, sim, Deputado Ivan Ranzolin. Inclusive fui Presidente da Epagri e conheço esse trabalho. Parte do meu pronunciamento foi tirada exatamente dos trabalhos oriundos da Epagri.
(Continua lendo)
"A qualidade da nossa água é afetada por três agentes básicos: agrotóxicos, efluentes industriais e dejetos animais. O homem ainda não se apercebeu desse grave problema e continua a usar indiscriminadamente todo e qualquer tipo de agrotóxico, o que afeta a saúde da população.
Na indústria, os efluentes tóxicos aumentam a concentração de metais pesados na rede hidrográfica. Os esgotos domésticos e dejetos animais associam-se aos demais agentes poluidores, infestando os mananciais hídricos, poluindo e degradando o meio ambiente.
Os nossos rios não suportam mais a carga de dejetos que recebem diariamente. Nas bacias hidrográficas dos Rio do Peixe, Jacutinga, Irani, Chapecó, Antas e Peperi-Guaçu vive uma população suína de 3.700.000 animais, ou 78% do rebanho suíno de Santa Catarina, os quais produzem, em média, 3,5 kg de dejetos por cabeça, a cada dia. Isso significa que milhões de toneladas de dejetos não são aproveitados e são jogados diretamente na rede hidrográfica, aumentando os níveis de poluição, que já são considerados críticos.
Em países onde esse assunto é tratado com seriedade, cada produtor tem a sua criação dimensionada de acordo com a sua capacidade de utilização dos dejetos produzidos.
No nosso Estado o que está acontecendo é uma inversão desse processo.
A concentração de animais está aumentando cada vez mais por propriedade. O baixo custo da unidade estimula o aumento do número na tentativa de melhorar a renda final - maior número de animais em menor número de propriedades, o que produz a potencialização do problema.
Portanto, Sr. Presidente, no dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente temos pouco para comemorar e muito para nos preocupar. Todas as ações que foram desenvolvidas até hoje são insuficientes. O grito da sociedade precisa ser mais alto, para se fazer ouvir por ouvidos obstruídos pelo ranço da inoperância. É impossível calar diante de tamanha incompetência na gestão de nossos recursos hídricos.
Acreditem, Srs. Deputados, hoje no Brasil não há definição de titularidade para o setor, ou seja, não se sabe quem é o responsável pela administração dos recursos hídricos - se as Prefeituras, o Estado ou a União. Em razão desse detalhe, desde 1998, os investimentos no setor estão parados.
Um Governo que trata apenas 18% do esgoto urbano do País não possui um programa nacional voltado para esse fim, por um motivo tão fútil, confirma de forma cristalina o seu descaso com as verdadeiras necessidades do seu povo."
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)