Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jorginho Mello

72ª Sessão Ordinária - 03/08/1999

O SR. DEPUTADO JORGINHO MELLO - Sr. Presidente e Srs. Deputados, iniciamos o nosso trabalho legislativo com diversos assuntos polêmicos, especialmente um, muito angustiante para este Deputado, que é a questão do Banco do Estado de Santa Catarina.

O Banco do Estado de Santa Catarina, que tem 37 anos de história, está precisando da sabedoria, do discernimento e da responsabilidade de todos os Deputados que compõem esta Casa. E o ex-Governador Celso Ramos, Deputado Manoel Mota, deve estar se revirando no túmulo, porque ele criou esse Banco para desenvolver Santa Catarina, para que fosse o fomentador da economia do nosso Estado. Mas agora, depois de 37 anos de existência, vem um documento com meia dúzia de páginas dizendo: federaliza ou liquida.

Quero cumprimentar o Deputado Heitor Sché pela coragem de pedir para que esta Casa aprove uma CPI. Este é um recurso, talvez um remédio, que nós, Deputados, temos para mostrar a todo o Estado de Santa Catarina o que o Banco deve e o que tem para receber. E eu não estou envolvido pela emoção de ser funcionário do Banco há 22 anos, não por ter sido Diretor daquele Banco, mas por entender que Santa Catarina precisa saber realmente o que o Banco deve, o que tem para receber, como foram dadas as operações, o que o Banco tem de liquidez, o que o Banco não tem e quais foram os políticos responsáveis que levaram o Banco a essa situação. Isso é muito importante para mim, principalmente por ser funcionário de carreira.

O Deputado Heitor Sché, num momento de angústia, talvez o derradeiro e único, tomou a iniciativa de fazer esse requerimento solicitando a constituição de uma CPI, que será assinado, não tenho dúvida, por todos os Deputados desta Casa, para que se mostre para a sociedade quem causou o problema, se é que tem, a fim de que essas pessoas sejam responsabilizadas.

O Besc é um Banco que você vê cravado nos 293 Municípios do Estado, o que é um excelente negócio, pois ninguém me diga que nessa economia em que vivemos, com essas taxas de juros praticadas, que banco não é um excelente negócio. Agora, será muito mais interessante para pessoas que têm interesse nas 293 agências do Besc, nos seus 305 postos de serviços! Tem gente que tem interesse! Tem gente que está com a boca grande, que já está de plantão em Santa Catarina para comprar o Besc! Evidentemente que isso requer certos papéis, federalização, limpeza - e falam em limpeza porque têm que limpar o Banco para vendê-lo limpo e enxuto.

Então, Sr. Deputados, quero fazer um apelo a cada um dos senhores, isento da minha paixão pessoal, mas por respeito a Santa Catarina: vamos constituir essa CPI! Precisamos reagir, precisamos ter serenidade. Não podemos votar em cima da perna ou porque temos que votar porque é isso, porque é aquilo, pois as 5.500 famílias que dependem diretamente do Besc estão esperando nossas atitudes, nossos gestos para defender este patrimônio que é de Santa Catarina.

Então, é importante que tenhamos tempo e que se instale essa CPI o mais rapidamente possível, Sr. Presidente. Queremos que se instale essa CPI e que se dê condições de trabalhar, nem que se trabalhe de dia, de noite, aos sábados e domingos, para que efetivamente possa se mostrar a todos os catarinenses o que tem por fora e o que tem por dentro do Banco do Estado de Santa Catarina, do qual tenho orgulho de pertencer.

O Besc é um Banco que orgulha e que orgulhará muito mais todos os catarinenses se tivermos a coragem de defendê-lo em favor de Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)