8ª Sessão Ordinária - 20/02/2014
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, catarinenses que nos acompanham através dos nossos meios de comunicação, quero saudar um jovem que está visitando a Assembleia Legislativa hoje, William Cesar Rebelo, de Canelinha, que lembra nossos filhos, que estão agora na faixa dos 17, 18 ou 19 anos, naquela fase de tomar grandes decisões, quando terminam o segundo grau, ainda decidindo qual faculdade vão fazer, e certamente sentem uma angústia com todas essas interrogações. Todos nós que almejamos uma qualidade de vida melhor sabemos que essa meta está relacionada com a escolaridade, com a universidade que escolhermos, quer dizer, tem a ver com o tipo de profissão, que carreira queremos seguir. Infelizmente essa orientação não chega de forma prática para as pessoas.
Neste momento de dúvida sobre a escolha da profissão, toda faculdade é boa e é importante que tenham essa qualificação, até para se destacar socialmente, mas precisam levar em consideração se existe mercado. Quando pensam em fazer um curso de qualificação, têm que se levar em conta qual o mercado que temos hoje.
Infelizmente, as universidades que dão os cursos, que vendem os cursos, não se preocupam, não divulgam, não orientam a sociedade, eles não têm essa responsabilidade de garantir que as pessoas que fazem curso lá, ao terminarem, saiam empregadas, bem empregadas, e que com aquela renda que eles têm possam se sustentar e sustentar os seus dependentes.
De forma que a visita do William Rebelo me suscitou este tema, um tema importante justamente porque agora todas as universidades estão começando o seu período letivo, os acadêmicos estão iniciando as suas atividades, aqueles que fizeram vestibular, que entraram pelo Enem, pela média escolar, estão começando a sua faculdade e vislumbrando que, com o curso escolhido, possam ter uma qualidade de vida melhor.
E justamente esse é o grande objetivo, nós precisamos considerar que, quando vamos estudar, o fazemos para poder competir, para poder concorrer no dia a dia da nossa vida social. Então, é importante considerar este fato na hora de escolher o curso.
Infelizmente, nós temos uma imensidão de cursos que são vendidos pelas universidades e, na hora em que se inscrevem, os alunos pensam muito mais no sonho do que no mercado. Muitas vezes, ao terminar o curso, depois de ter pago quatro ou cinco anos a faculdade, de ter passado um trabalho danado para se formar, ao concluir a faculdade ele entra numa fila interminável de pessoas pedindo emprego num mercado de trabalho que é deficiente.
Por exemplo, fonoaudiólogos. É importante a profissão, mas formam-se mais profissionais do que o mercado pode absorver. Não há lugar para os milhares que se formam todos os anos no Brasil e em Santa Catarina nesse mercado de trabalho.
As faculdades formam mais de 500 profissionais todos os anos. Depois, eles ficam numa fila pedindo emprego porque não existe mercado para tanto fonoaudiólogo.
Não existe mercado, por exemplo, para tantos jornalistas que formam as faculdades. A atividade jornalística é importante, é indispensável; hoje a comunicação é importantíssima. Cada um de nós usufrui dos meios de comunicação, precisamos dos jornalistas, mas a quantidade de profissionais que são colocados no mercado de trabalho seguramente acaba deixando descontentes aquelas pessoas que se esforçaram muito para fazer aquela faculdade, pois ficam impedidos de ganhar um valor digno pelo seu trabalho.
O Sr. Deputado Valmir Comin - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Pois não!
O Sr. Deputado Valmir Comin - Deputado Serafim Venzon, o tema que v.exa. aborda perante esta tribuna é extremamente pertinente.
No ano passado nós tivemos a oportunidade de abrir um debate, aqui nesta Casa, um fórum de debate, onde participaram as três grandes federações das indústrias do sul do Brasil, a Fiep, do estado do Paraná, a Fiesc, de Santa Catarina, e a Fierg, do Rio Grande do Sul, buscando com isso uma pesquisa e um banco de dados, diagnosticando as potencialidades, as autonomias e as vocações de cada região, para diagnosticar a forma como estabeleceu o sistema modal e intermodal e, ao mesmo tempo, concomitante a isso, integrar as universidades públicas e privadas, desses três estados, para fazer um diagnóstico preciso das demandas reprimidas e a vocação de cada região. Dentro de um planejamento macro, do sul do Brasil, integrado aos três estados, justamente nesta vertente que v.exa. coloca. Porque de repente você cria uma demanda muito grande, que acaba ficando profissionais ociosos num determinado segmento e em outro fica extremamente defasado.
Por essa razão, penso que o tema é oportuno, atual e precisa ser exercido na prática. Esse investimento feito por essas três federações, dentro dessa ação integrada, vai com certeza dar um norte para evitar justamente aquilo que v.exa. vem comentando e é uma preocupação de todos nós.
Apesar de que Santa Catarina só perde para Cingapura, são 3% de desempregados em todo o estado. É uma referência em nível de Brasil e até mesmo de planeta. Mas precisamos aprimorar e aproximar ainda mais essa questão para dar oportunidade e dignidade às pessoas.
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Muito obrigado, deputado Valmir Comin, com certeza aplicando esse projeto que v.exa. coloca, a universidade passa a ser um instrumento real de desenvolvimento social e econômico. Quer dizer, é isso que queremos que a universidade tenha, ela não pode apenas almejar, formar pessoas e não ter nenhuma outra responsabilidade.
A universidade tem, sim, uma grande responsabilidade social justamente de promover o desenvolvimento social e econômico dando o apoio a todos os acadêmicos escolher a sua profissão, se formar e depois ter o seu mercado.
Por fim, sr. presidente, queria saudar também todos os funcionários do Hospital de Caridade que ontem estiveram aqui fazendo um justo movimento que sem dúvida nenhuma não se soma com os funcionários de todos os hospitais de Santa Catarina e do Brasil, aqueles que não são públicos porque aqui tem dificuldade para chegar.
Mas os hospitais privados, os hospitais filantrópicos recebem um valor tão insignificante pelos seus procedimentos que acabam tendo que pagar pouquinho a quem? Para médico, enfermeira, atendente. E a cozinheira, a faxineira ganham muito menos que R$ 1.000,00 por mês para trabalhar o mês inteiro.
Então, é justo esse movimento que fizeram, e isso reflete a falta de investimentos que todos os hospitais recebem, inclusive, deputado Kennedy Nunes, hoje a coluna do jornalista Moacir Pereira trás duas notas: do Hospital de Caridade, dos funcionários que estão em greve; a outra diz que o Hospital de São José com R$ 50 mil zerou uma fila de ortopedia e que o hospital de Camboriú com R$ 52 mil zerou 528 cirurgias. Imaginem quanto pagou por uma cirurgia? R$ 100,00 por cirurgia, sr. presidente! Como é que dá para pagar bem a enfermeira e a atendente?!
Obrigado.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)