83ª Sessão Ordinária - 02/09/2014
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, deputado Sandro Silva, de Joinville. Na semana passada, sr. presidente, um funcionário meu estava indo trabalhar, num sábado, de bicicleta, na parte da manhã. E um menino de cor, que o deputado Sandro Silva conhece muito bem, o Quirino, acabou sendo atropelado por um veículo. Ele foi conduzido ao Hospital São José de Joinville, nossa cidade. Lá ficou desde a parte da manhã até o final do dia.
No dia seguinte, fiz uma visita a ele. E além de impressionado também fiquei constrangido, porque ele ainda se encontrava no corredor, em cima de uma maca, junto com vários pacientes também em macas, parecendo mais um hospital do Iraque, do Afeganistão do que propriamente um hospital do sul do país, de uma cidade extremamente desenvolvida como é o caso de Joinville.
Estava prevista a cirurgia do Gilson Quirino na terça-feira, pois estava com o fêmur quebrado por ocasião do acidente. Quirino já havia sido encaminhado ao hospital, mas por conta de alguns problemas foi feita a cirurgia na quinta-feira, ou seja, sábado, domingo, segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, foram seis dias depois de sofrer o acidente e seis dias com a fratura, aguardando a cirurgia.
Num primeiro momento, houve revolta por conta de que é uma pessoa muito próxima de nós, que estava sofrendo muito, tomando até morfina para acalmar a dor, baixar a febre, enfim, mas junto com ele tinha uma série de outras pessoas na mesma situação. E aí fiquei pensando: o governo do estado tem direcionado dinheiro aos hospitais, e não é pouco, não só para Hospital Regional como também para o próprio Hospital São José.
O Hospital São José tem novos leitos, já recebeu melhoramentos e muitos melhoramentos, mas o raciocínio que fazemos é quanto mais leito fizer, mais leitos vão estar lotados. Quanto mais dinheiro se colocar, mais dinheiro vai precisar tanto lá quanto no Hospital Regional.
Eu sempre entendi que deveríamos ter uma ala, a construção de um prédio anexo ao Hospital São José, apenas para traumatologia de pessoas acidentadas, atiradas, enfim, separado do próprio hospital, para que se pudesse de alguma forma separar um pouco as questões de violência, de acidentes violentos etc. das outras questões, por exemplo, de doenças, de pessoas que procuram e vão parar no hospital por problemas de doença.
O problema é que hoje está tudo na internet. Se em São Bento do Sul ou em Mafra tem uma pessoa que precisa ser internada imediatamente, pesquisa-se no computador, e se em Joinville existe vaga, encaminha-se para Joinville; se em Jaraguá do Sul tem vaga, encaminha-se para Jaraguá do Sul; e se não há vaga em nenhum dos dois, procura-se em Florianópolis. Enfim, no sistema está-se procurando um jeito de colocar o seu paciente.
Então, Joinville, por ser uma cidade pólo, pode ter mais um hospital. E não dou meio ano para termos mais um hospital lotado e mais gente pelos corredores, por conta do problema sério que nós temos neste país, que são os problemas com acidentes e das doenças. Tudo por conta de um problema extremamente cultural.
Os acidentes acontecem aos montões, porque não respeitamos limites de velocidade, pois dificilmente vemos alguém andando, no centro das cidades, a 40 km/hora. E o que acontece? Acontece que a pessoas acidentadas vão imediatamente para o hospital. E se tem alguém esperando um leito, esperando uma cirurgia eletiva, fica sem lugar, pois se tem um quarto, quem vai para lá é o acidentado.
O meu neto estava tentando me fazer a cabeça para ajudá-lo a comprar uma moto. Eu disse que não iria fazer isso. Eu sou motociclista há 40 anos e não estou no cemitério porque ele lá em cima não quis, mas já tive várias oportunidades de ter ido embora dessa, por conta da prática do motociclismo.
Ele disse para eu ficar tranquilo que ele iria tomar cuidado. Eu disse a ele que se quisesse comprar uma moto teria que ir comigo ao hospital São José. Levei-o à ala dos acidentados por motociclismo. Mostrei a ele todos os meninos que também tinham um sonho de andar de moto. E caminhamos por várias alas, por vários quartos e vimos que a maioria dos acidentados não tinha muito mais do que a idade dele, 19 anos. Depois que saímos de lá falei que quem sabe mais tarde ele deveria comprar um carrinho usado ao invés de ter uma moto. "Mas, vô, você tem moto!" "Não te bastou olhar tudo aquilo?" "Está bom, você ganhou." Para mim foi uma vitória, porque, pelo menos, durmo sossegado.
Eu tinha que falar sobre essas questões dos hospitais, mas infelizmente nesse horário não vai dar. Eu volto numa outra oportunidade para conversarmos sobre essas questões hospitalares que não são só problema de Joinville, mas de todo esse país.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)