84ª Sessão Ordinária - 24/09/2009
O SR. DEPTUADO ANTÔNIO AGUIAR - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, comunidade catarinense, hoje eu gostaria de me reportar, desta tribuna, a um segmento da sociedade muito importante, os idosos.
(Passa a ler.)
"Aqueles que aproveitam a 'melhor idade', não podem deixar de comemorar esta semana.
Anteriormente festejada em 27 de setembro, o Dia do Idoso agora é 1º de outubro, já que a data foi alterada em 2006, por decreto do presidente da República, visando unificar as festividades com outros países. Nesta quinta-feira, porém, iniciamos os festejos da Semana do Idoso.
Aproveito para destacar que há uma clara tendência indicando o aumento progressivo da população de idosos nas próximas décadas, considerando-se aqui idoso aquele que tem 65 anos ou mais, embora para muitos o limite dessa faixa populacional inicie aos 60 anos.
Para dar ideia do que representa a progressão dessa população, lembro que no início do século passado, num país como os Estados Unidos, somente 4% da população atingia os 65 anos de vida; já em 1980, 12% da população atingiam essa idade.
No Brasil, há 50 anos a expectativa média de vida de um brasileiro era de 43 anos. Já em 1997, os catarinenses viviam em média 72 anos.
Hoje, a expectativa de vida em Santa Catarina é a maior do Brasil, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais de 2008, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. A expectativa de vida - descrita como 'esperança de vida ao nascer' - alcançou 75 anos em nosso estado.
Só um adendo, no município de Campo Alegre a expectativa de vida alcança os 78 anos. Claro, com o oxigênio da serra, é maior a longevidade dos munícipes de Campo Alegre.
As mulheres alcançaram o melhor resultado e têm uma expectativa de vida de 78 anos. Os homens catarinenses vivem em média 72 anos.
Particularmente, tenho a satisfação de representar nesta Casa o planalto norte, região de pessoas cuja média de vida é longa para a nossa felicidade.
Estima-se que até 2025 ocorrerá um aumento de 30% na população de idosos, o que deve em grande parte ser atribuído ao desenvolvimento da medicina, tanto no que diz respeito ao processo curativo quanto à prevenção de doenças. A esses fatores somam-se a prosperidade econômica e o aprimoramento na alimentação.
Em Santa Catarina isso tem a ver também com o bom momento da nossa economia, apesar de tantas provações que enfrentamos, com tornados, enxurradas e tragédias como a de Blumenau, de Itajaí e de municípios vizinhos.
Voltando aos dados, destaco que a Organização Mundial de Saúde aponta o Brasil como o sexto país do mundo em número de idosos, com mais de 18 milhões de pessoas acima de 60 anos. Em Santa Catarina vivem mais de 480 mil idosos, e há um esforço efetivo do governo estadual para atender essa população.
A secretaria de estado da Saúde, por exemplo, vem procurando difundir o uso da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, para facilitar a comunicação dos pacientes que têm mais de 60 anos com seus médicos. Além da identificação da pessoa, nessa caderneta consta seu histórico de saúde, medicamentos utilizados, informações sobre internações e alergias diagnosticadas. Também há espaço para o controle de pressão arterial, glicemia, vacinas, peso e consultas médicas, além de telefones úteis. É uma atenção que pode parecer simples, mas, como médico, posso afirmar que faz grande diferença.
De outra parte, quero dizer que embora muitos associem o passar dos anos ao acúmulo de doenças, significando que, invariavelmente, teremos que conviver com problemas de saúde e limitações impostas pela idade avançada, os atuais conceitos científicos demonstram que o processo natural de envelhecimento não é um fator impeditivo para a maioria das atividades cotidianas de um adulto em qualquer idade. As verdadeiras responsáveis pelas deficiências e disfunções atribuídas à velhice são as doenças que podem ser prevenidas ou tratadas eficientemente na maioria das vezes.
O conhecimento dessa realidade pode mudar completamente a nossa atitude e assim, em vez de lamentar por estarmos envelhecendo, em vez de buscar as modernas fontes da juventude ou tentar disfarçar os efeitos aparentes do passar dos anos, deveríamos estar atentos aos verdadeiros inimigos da saúde em qualquer idade, ou seja, os fatores determinantes e predisponentes das doenças.
Nesse sentido, a inatividade ou o sedentarismo se constitui um comportamento praticamente epidêmico. Todos, em qualquer idade, são estimulados cada vez menos ao movimento. Com isso o tempo de inatividade se responsabiliza pela progressiva disfunção dos idosos, frequentemente atribuída à própria idade. O desuso pode ser mais deletério que a velhice.
Com essa linha de raciocínio, como deputado e incentivador das atividades físicas na integração das pessoas da melhor idade, apresentei nesta Assembleia projeto que resultou na Lei n. 13.846, de 2006, que criou os Jogos Abertos da Terceira Idade em Santa Catarina, evento que a Fesporte já realizou com grande competência no ano passado em Chapecó e este ano em Gravatal.
Tenho opinião de que as pessoas devem manter-se ativas, integradas e participativas tanto nas suas famílias, nos clubes de idosos e de mães, nas entidades como também, por que não, na política.
Para finalizar, gostaria de estimular os agentes públicos, especialmente os nossos prefeitos, a pensar nos idosos, equipando as praças de suas cidades com academias de ginástica ao ar livre apropriadas para os mais velhos, com equipamentos que estimulem a mobilidade sem impacto.
Ao mesmo tempo, quero estimular os jovens a cultivar o respeito e a atenção aos mais velhos, pois foram eles que abriram o caminho para a vida dos que hoje aproveitam a juventude. Todo jovem de hoje também deve ter a expectativa de que um dia será considerado idoso na sociedade e também gostará de ser respeitado por ela.
Um grande abraço a todos os idosos do estado de Santa Catarina, pois no dia 1º de outubro comemoramos a Semana do Idoso em nosso estado."
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)