8ª Sessão Ordinária - 27/02/2007
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sr. presidente, srs. deputados e sras. deputadas, há uma música do cancioneiro popular brasileiro intitulada Samba de Uma Nota Só, de autoria do incomparável Tom Jobim, que num versinho diz o seguinte:
"Eis aqui este sambinha
Feito de uma nota só
Outras notas vão entrar
Mas a base é uma só."[sic]
Essa música se aplica, como uma luva, a uma situação que estamos vivenciando todos os dias, o dia todo, durante as sessões da Assembléia.
O deputado líder da bancada do PP, lamentavelmente ausente agora, neste momento, todas as sessões, a sessão toda, ocupa-se em trazer a público as mazelas do Hospital Materno-Infantil de Joinville, como a querer mostrar a Joinville e a Santa Catarina que o governador do estado, que teve em duas oportunidades mais de 70% de aprovação popular naquele município, não fez por aquela cidade, pela qual foi três vezes prefeito, e cidade que lhe assegurou um duplo mandato de governador de estado, o único até hoje, na história de Santa Catarina a ter conquistado essa marca, obra alguma.
É preciso alguém, que não é natural daquela cidade, é preciso que alguém que para lá foi para atuar na vida advocatícia, que se elegeu deputado estadual, deputado federal em cinco oportunidades, prefeito três vezes e governador duas vezes, para merecer tão expressiva unção popular, mais de 70% dos votos em duas eleições, que tenha feito, e tenha feito muito, porque é algo ímpar, singular, na história pública de Santa Catarina.
Mas se todos nós quisermos, em qualquer repartição pública, em qualquer órgão, mesmo na iniciativa privada em que nós formos, vamos encontrar problemas das dificuldades do dia-a-dia, sobretudo em se tratando de uma máquina de difícil funcionamento, como é a máquina burocrática da saúde pública.
Portanto, causa estranheza que o deputado líder da bancada do PP queira, com discurso repetitivo, com um samba de uma nota só, com base única, querer atingir o governador do estado, aquele mesmo que foi eleito e reeleito com mais de 70% dos votos da população da maior cidade de Santa Catarina.
Eu acho que o samba deve mudar, eu penso que o repertório tem que ser aumentado, porque do contrário é a própria população do local que respeita, que admira e que consagrou o político Luiz Henrique da Silveira quem se vai voltar contra esse deputado que insiste, que teima, que renite todo dia em querer mostrar e atribuir ao governador o problema com o chuveiro de um hospital. Se tiver problema no chuveiro, a culpa é do governador. Ou seja, como disse outro dia o deputado Edson Piriquito, ele escolheu para seu adversário a maior figura pública de Santa Catarina.
É uma estratégia até respeitável, mas eu não sei, tenho fundada dúvida de que forma a população daquele município, que tanto estima, que tanto admira, que tanto considera o político Luiz Henrique da Silveira, vai ver, com que olhos ela vai ver essa postura insistente do dia-a-dia desse deputado aqui do Parlamento catarinense.
O Sr. Deputado Manoel Mota - V.exa. me permite um aparte?
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Pois não!
O Sr. Deputado Manoel Mota - Quero cumprimentar v.exa., deputado João Henrique Blasi, pois é evidente que foi montada uma cena para atacar o governador Luiz Henrique, e o chefe maior deu uma entrevista na Rádio Antena 1, de Criciúma, e usou o mesmo discurso, quer dizer, é tudo manipulado. Nós lamentamos que fiquem denegrindo um hospital de uma cidade honrada como Joinville, uma cidade que é orgulho catarinense.
O governador, que foi prefeito por três vezes, como v.exa. acabou de dizer, foi eleito e reeleito governador do estado - fato que aconteceu pela primeira vez na história de Santa Catarina - com mais de 70% dos votos, eu acho que aquele povo deve ser muito inteligente ou o governador Luiz Henrique é muito trabalhador e competente, porque ninguém, na história deste estado, teve respaldo como tem Luiz Henrique em Joinville.
Para mim é evidente que essas críticas são levianas, são tendenciosas e procuram encontrar uma forma de atacar o governador Luiz Henrique, homem honrado, homem de bem que nos orgulha, e eu, como líder da bancada do PMDB, tenho orgulho em defender o homem honrado que ele é, como defendi o nome honrado de Eduardo Moreira, ainda há pouco.
Quero cumprimentar v.exa. e dizer que aqui ninguém vai passar batido e em branco, sem resposta, porque não admitimos essa busca para encontrar formas de enganar a população com críticas levianas. E críticas levianas aqui não vão muito longe, porque podamos e cortamos com a verdade.
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Agradeço ao deputado Manoel Mota.
O Sr. Deputado Edson Piriquito - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Pois não!
O Sr. Deputado Edson Piriquito - Muito obrigado pelo aparte, deputado.
Primeiro, queria dizer que aprendo muito quando ouço v.exa. O senhor é dono de um saber invejável, no bom sentido, diria.
A questão do posicionamento dos deputados, que merecem o nosso respeito como autoridades que são, de vir ao plenário acusar, mostrar vídeo, fazer esse circo, como agora eles têm o hábito de fazer, acho que é lamentável e vergonhoso. Primeiro eles se apresentam, mas depois saem, não ficam para sustentar a própria falsa moralização que tentam implantar.
Seria muito fácil, para fazermos o contraponto, procurarmos todos os municípios administrados pelo partido deles, o PP, acharmos somente os defeitos das administrações municipais e virmos aqui falar: olha, o PP não faz isso, não faz aquilo. Não! pelo contrário, nós estamos aqui dentro de uma nova ótica político-administrativa, na qual as secretarias de Desenvolvimento Regional dão a amplitude da discussão com todos os partidos. Não se olha a bandeira, o prefeito pode ser do PT, do PP, do PFL ou do PMDB, abre-se a discussão; temos os Conselhos de Desenvolvimento, e é nessa ótica que queremos trabalhar, levar o governo do estado a todos os municípios, independentemente do partido que os administra.
Acho que este seria o modelo mais acertado: olhar os defeitos para corrigir, mas não fazer disso discurso nem palco.
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Com certeza, deputado Edson Piriquito, ninguém é infalível, os erros existem e um dos papéis da Assembléia Legislativa é verificar e procurar mediar situações, corrigir e avançar e isso nós temos procurado fazer.
Mas, mudando de assunto, eu gostaria de falar de algo bom, de algo positivo, de uma solenidade de que participamos há pouco, o deputado Jorginho Mello e eu, também o secretário Ronaldo Benedet, de um ato concreto que resultou de uma lei aprovada por este Parlamento.
Na convocação extraordinária, a deputada Ana Paula Lima bem sabe, houve também participação efetiva no ano passado, quando o governador Luiz Henrique remeteu um projeto de lei estabelecendo aposentadoria especial para a classe policial de Santa Catarina. E hoje, às 16h, na chefia da Polícia Civil, tivemos a oportunidade de ver o presidente do Ipesc assinar os dois primeiros atos aposentatórios de um delegado de polícia e de uma escrivã de polícia, que ao cumprir, o primeiro mais de 30 e a segunda mais de 25 anos, passaram para a inatividade com esse direito garantido por mobilização da categoria, vontade política do governador e empenho da Assembléia Legislativa.
E nós próximos dias estaremos a braços com uma correção, que será necessária, do projeto que também concede aposentadoria especial aos 25 anos às policiais militares femininas. Já existe a lei, mas houve um problema de interpretação e há necessidade de uma outra, corrigindo um dispositivo da Lei n. 6.218, que é o Estatuto da Polícia Militar.
Esse projeto aportará na Assembléia Legislativa nos próximos dias, e eu tenho certeza de que haverá de contar com o voto e, mais do que com o voto, com o desejo de todos os srs. deputados de aprová-lo rapidamente para fazermos também justiça e darmos também segurança às policiais, às militares femininas de Santa Catarina.
É uma resposta positiva, é uma ação concreta do Parlamento catarinense, para dar segurança àqueles que velam pela nossa segurança.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)