Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

62ª Sessão Ordinária - 23/07/2008

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Minha saudação a v.exa., sra. presidente, aos srs. deputados, aos telespectadores que nos acompanham através da TVAl, aos ouvintes da Rádio Alesc Digital; aos catarinenses que nos prestigiam na sessão de hoje, e dentre eles quero destacar a presença do meu amigo Renato Vianna e de seu irmão Rogério, de Jaguaruna; do meu amigo Douglas Borba e do Matheus Machado, de Biguaçu. Enfim, a minha saudação aos demais cidadãos e cidadãs que aqui comparecem a esta penúltima sessão, deputado Ismael do Santos, antes do curto recesso que teremos, uma vez que na próxima semana estaremos sem atividades nesta Casa.

Mas nesse período nós estaremos, srs. deputados, como todos aqui, percorrendo as nossas bases, percorrendo todo o estado, porque quando alguém diz que um parlamentar tira férias por 30, 60, 90 dias por ano, como antes era aqui o período de recesso, eu sempre respondo, deputado Silvio Dreveck, que o parlamentar que ousar tirar duas semanas só de férias, certamente na próxima eleição terá dificuldades para retornar a esta ou a qualquer Casa Legislativa. Até porque é no final de semana, nesse período, deputado Antônio Aguiar e deputada Ana Paula Lima, que conseguimos percorrer as bases, visitar as lideranças e as comunidades.

E o deputado Peninha tem feito um trabalho educativo muito importante nesta tribuna, deputado Jailson Lima, quando vem, a cada quinta-feira, apresentar a sua agenda de trabalho, de quinta-feira até segunda-feira, para quebrarmos um pouco essa falsa máxima que é colocada por aí de que o trabalho funciona aqui durante três dias e no resto dos dias nós folgamos.

A maioria dos parlamentos da República Federativa verdadeiramente dos Estados Unidos, dos 50 estados, se reúne não mais do que seis meses por ano. Em alguns estados apenas três meses por ano. E o restante do tempo os parlamentares ficam nas bases colhendo sugestões, críticas, propostas, até porque a nossa democracia é a representativa, e para representar nós precisamos estar em contato com aqueles que representamos, com aqueles que nos conferem a procuração para, em seus nomes, deliberar.

Mas quero abordar, nesta tarde, dois assuntos que me intrigam, e eu espero que os governistas que depois de mim possam se manifestar tragam respostas verdadeiras, sem enrolação e sem aquela prática de misturar alhos com bugalhos, como há um aqui, especialmente, que sempre faz isso desta tribuna.

O primeiro assunto diz respeito à nota da coluna do articulista político Cláudio Prisco Paraíso, que é no mínimo intrigante. Vou me limitar a ler a nota, porque senão daqui a pouco vem alguém dizer aqui que é o linguarudo do deputado Joares Ponticelli que está fazendo acusação.

A nota é do Cláudio Prisco Paraíso, publicada no jornal A Notícia, do dia de hoje, e se alguém quiser contestar, que conteste o Prisco Paraíso. Eu vou ler para que fique registrada nos anais desta Casa.

(Passa a ler.)

"As Digitais de Dantas em SC

O banqueiro Daniel Dantas andou operando em Santa Catarina, pouco antes de ser alcançado pela Operação Satiagraha.

A Simpress, empresa controlada pelo Opportunity na base de 51%, participou e ganhou licitação da administração estadual para impressora de documentos, no valor de R$ 5 milhões, podendo chegar a R$ 15 milhões por ano.

Como tinha informação que vinha sendo monitorada pela PF, Dantas tratou de recorrer a um processo de terceirização, embora vedado pelo edital. Foi aí que entrou a empresa Selbetti no circuito, como forma de preservar a Simpress, que integra o Grupo Opportunity. Em março, os contratados assumiram o compromisso de, em apenas duas semanas, equipar o governo do Estado de foto copiadoras. Até agora só entregaram metade das máquinas.

O atraso deveu-se a empresas acionadas pela Selbetti, numa espécie de 'quarterização', que estão sem receber pelos serviços prestados." [sic]

Deputado Silvio Dreveck, será que alguém vai responder? No segundo tempo, quando eu voltar a esta tribuna, eu vou trazer a outra informação de outro homem de confiança do governador, apelidado de um dos menudos de Joinville - foi assim que a imprensa o qualificou -, que tem uma função estratégica no governo, parece-me que de secretário de gestão estratégica. Parece que esse é o nome, pois são tantas as secretarias deste governo que não se sabe direito o nome delas e muito menos dos secretários. E se perguntarmos ao governador o nome dos secretários de cor e salteado, eu duvido que ele saiba responder. Ele não sabe nem o nome dos secretários nem das secretarias, de tantas que existem - são quase 60.

Mas há um desses secretários de assuntos estratégicos que é chamado carinhosamente de menudo de Joinville, porque é daquele grupo que cerca o governador, que só faz negócios estratégicos - e eu espero que para Santa Catarina e não para algumas pessoas -, que também tem ligações com o Dantas e tudo o mais. Ou seja, onde há Polícia Federal, onde há chave de cadeia perto, algum membro do governo sempre aparece.

Deputado Reno Caramori, é muito membro deste governo envolvido em operação criminosa. Tanto que no caso do Aldinho, o Aldo Hey Neto, até hoje o governador não explicou onde foi buscar e para aonde iria aquela dinheirama toda de R$ 2 milhões encontrados no apartamento do assessor do governador 30 dias antes da eleição!

Por isso que o diploma está a um passo da cassação na mais alta corte da Justiça Eleitoral deste país e ninguém contesta o mérito.

Mas também o jornal A Notícia traz, na página quatro, a seguinte manchete: "Nei leva mais documentos ao MP-SC".

E está aqui a cópia de mais uma conversa gravada entre o poderoso primeiro-ministro Ivo Carminati, aquele que dizia que deu cordas para o Nei Silva se enforcar e parece-me que acabou enforcado na própria corda... A gravação começa com Ivo Carminati atendendo ao telefone e dizendo o seguinte:

(Continua lendo.)

"Ivo - Como é que vai, meu amigo. Tá brabo? Tomasse café aí ou chá?"[sic]

É assim que começa a gravação do poderoso primeiro-ministro Ivo Carminati, que disse que não conhecia o Nei Silva, e alguns do governo agora o chamam de pilantra. Pilantra, deputado Silvio Dreveck! Quem é o pilantra? Não era o conceito que o Ivo tinha, deputado Pedro Uczai. Para o Ivo, ele era o meu amigo. E na gravação toda, que recomendo a leitura, há mais um detalhamento dessa mega operação criminosa que o governo insiste, de todas as formas, deputado Reno Caramori, abortar, silenciar, tirar da mídia, não deixar investigar.

Ontem, depois de uma grande operação, não tivemos a oportunidade de ouvir a Márgara, até porque o governo queria impedir que a Assembléia Legislativa pudesse sequer ceder um espaço da Casa do Povo para ouvir uma testemunha de uma mega operação financeira. Não deixa abrir a CPI e aposta no nosso silêncio. Não vamos calar, deputado Antônio Aguiar! Até hoje v.exas. não explicaram aquela dinheirama do Aldo Hey Neto, e agora essa operação criminosa com o Nei Silva vai ter que ser explicada!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)