37ª Sessão Ordinária - 18/05/2006
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sr. presidente, srs. deputados, preciso aqui contestar as colocações do deputado Afrânio Boppré, quando diz que o carvão é um produto energético ultrapassado, quando na verdade temos países desenvolvidos onde a energia consumida é gerada através do carvão. Por exemplo, na Alemanha 62% da sua matriz energética tem origem no carvão; os Estados Unidos da mesma forma; na Polônia, 98% da energia consumida é gerada através do carvão.
Deputado Afrânio Boppré, se os governos federal e estadual direcionassem uma política séria, específica, voltada à política do carvão, que é uma riqueza inconteste que temos no solo catarinense, talvez não estivéssemos à deriva, com o pincel na mão, como estamos com a situação do gás, ou seja, nas mãos de Hugo Chávez, correndo um sério risco de boicote de um produto que era o terceiro item e hoje é o primeiro na planilha de custos das indústrias catarinenses e brasileiras, muitas delas inviabilizadas pela variação cambial.
A geração de gás através do carvão é possível e viável. E gostaria de contestá-lo também porque v.exa., na sua explanação, faz uma séria acusação, quando disse que os estudos contratados - que envolvem universidades públicas - são direcionados, são projetos encomendados e que as audiências públicas de nada valem.
Ora, sr. deputado, ainda acredito na capacidade, na qualificação dos técnicos da Fundação de Meio Ambiente. E o diretor de controle ambiental da Fatma, Luiz Antônio Correa, é muito claro quando informa que a Fatma contratou consultoria externa para auxiliar na análise dos documentos dada a complexidade e a seriedade com que o órgão trata desse assunto, apresentados pelas empresas responsáveis pelo projeto da Usitesc. Ele garante que a Fundação só irá manifestar-se favorável ou contrariamente ao pedido das empresas assim que estiver certa de todos os detalhes que cercam o empreendimento; caso contrário, nenhum parecer será emitido. Temos uma equipe técnica que vai analisar todos os estudos e posicionar-se a respeito do empreendimento, afirma ele.
Gostaria de aproveitar o espaço do meu partido para ler um e-mail enviado pelo nosso grande amigo, ex-governador e futuro governador do nosso estado Esperidião Amin.
(Passa a ler)
"O Último Comandante
‘A caixa (corpo) está fraca, mas a luta continua’.
Com essa frase, que funde conformismo e espírito de luta, Fermino Rodrigues Martins enfrentou os últimos anos da sua vida.
Provavelmente, Fermino ‘Caroço’ foi o último protagonista do Combate do Irani a se despedir desta vida. Faleceu em 14/05 deste ano de 2006. O denominado Combate do Irani, considerado o marco inaugural da Guerra do Contestado, ocorreu em 22/10/1912. Ali, faleceram os dois chefes dos grupos em luta: de um lado, José Maria, do outro, o comandante do Regimento de Segurança do Paraná, Capitão João Gualberto, patrono da Polícia do estado vizinho.
Como ensina Vicente Telles, nos seus singelos e bonitos versos:
‘No entrevero, frente a frente, peito aberto, José Maria decepou João Gualberto. Nessa refrega, o sertanejo foi ao fim, vencendo metralhadora com facão de guamirim!’
As implicações sociais e econômicas do Contestado, com sua complexidade, sempre me fascinaram. Mas, neste momento, devemos refletir sobre o drama humano de milhares de vítimas anônimas do episódio, tão estranhamente subtraído ao nosso conhecimento.
Fermino ‘Caroço’ nasceu na Linha Lajeado do Meio (Irani) em data controversa, provavelmente, em fins do século XIX. Ele sintetiza os personagens desse controvertido movimento social.
Ao nos deixar, o último combatente do Irani faz evocar a dívida de justiça e oportunidades que a nossa sociedade tem para com ele e tantos outros daquela época e dos dias atuais.
A luta que deve continuar pode ser resumida nos versos finais do Oratório do Contestado, do maestro José Acácio Santana:
‘Não conteste o Contestado sem saber sua razão: da riqueza deste Estado justa seja a divisão!’
A paz que Fermino merece depende da perseverança de todos nós diante da necessidade de promover a justiça e resgatar o Contestado.
(a)Esperidião Amin - 15/05/2006" [sic]
É uma homenagem a esse combatente pela democracia, pela liberdade dos seus ideais e do povo catarinense.
Era isso, sr. presidente e srs. deputados.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)