25ª Sessão Ordinária - 20/04/2006
O SR. DEPUTADO LÍCIO SILVEIRA - (Passa a ler)
"Sr. presidente, srs. deputados, voltamos a falar, mais uma vez, sobre a educação tratada realmente com educação, porque sabemos perfeitamente que o maior desejo de um pai e mãe é manter a mesa farta e a maior preocupação é o futuro de seus filhos. Ambos, no Brasil, estão em situação de emergência. O dinheiro encurtou e o emprego virou prêmio de mega-sena.
O esforço desmesurado de um pai e mãe na educação e na formação de seus filhos é, hoje, segundo a minha ótica, uma grande incógnita. A certeza que se tinha num passado não muito distante de que deveríamos ensinar os nossos filhos para trilharem uma vida de retidão e honestidade, começa a bater na trave e a balançar pais e filhos que, à luz da conjuntura política e econômica, questionam a veracidade desses princípios basilares.
O trabalho, condição de sobrevivência e dignidade do homem, era uma certeza quase absoluta, quando da formação do aluno em um 2º grau, curso técnico ou um curso superior. Hoje, representa um investimento no vazio da incerteza.
O mercado, em um processo irreversível de mutação dos patamares de criação e circulação da riqueza do mundo (e nós costumamos chamar de globalização), está cada vez mais seletivo. Destarte, a mão-de-obra qualificada é escassa não só pela formação escolar em si mesma, mas pela qualidade do ensino ministrado desde o pré-escolar até a conclusão do 3º grau ou ensino superior.
A seleção de conteúdo das atividades ou disciplinas e a metodologia utilizada para a aprendizagem, bem como os recursos didático-pedagógicos estão em fase de colisão. Não bastasse o conflito sem solução imediata, os poucos que conseguem chegar ao final do processo educativo, seja no ensino médio ou superior, esbarram, muitas vezes, nas amarras e liames dos concursos públicos ora desacreditados, pois, por incrível que pareça, muitos são batizados.
O momento está a exigir um tratamento que não pode ser mais prorrogado. O tempo foi implacável com a inércia do sistema educacional. Nossos jovens chegaram à fase adulta sem direção nem sentido e desconhecendo os limites do saber e do agir político, econômico e social.
A cura de uma doença exige, em primeiro lugar, carinho com o paciente e, após o tratamento, o investimento indispensável. Para ilustrar, nada melhor do que reproduzir parte de uma entrevista do embaixador da Índia, um país em franca ascensão em formação de recursos humanos, o diplomata Hardeep Singh, à revista IstoÉ Dinheiro nº 477, de 12/04/2006" - vejam que a Índia é um país complicado, pois existem diversas castas; lá fala-se 14 idiomas, mas o que ele disse é uma grande verdade e dentro dela, quer queiram ou não, eles estão dando uma outra feição à educação -: "’Nesta área não existe inovação ou mágica. O que as pessoas precisam entender é que não há mão-de-obra competitiva sem educação. E nós tratamos esse assunto como prioridade de estado. Não é exagero dizer que 30% do nosso orçamento são direcionados a esse setor. Mais ainda: nossa ênfase é na educação básica. É ela que determina o que cada pessoa poderá alcançar na fase adulta.’
Em função da reprodução das palavras do embaixador, nada mais precisaria ser dito para fundamentar o relatado anteriormente, mas é imperativo que se acrescente que o tratamento educacional tenha a interação da comunidade, tais como: pais, professores, empresas e outros segmentos, para a tomada de decisões embasadas no conhecimento real da situação do aluno no que tange ao seu relacionamento com o mundo externo a escola.
É primordial que os próximos governos invistam no planejamento e na execução da educação, principalmente no ensino fundamental de tempo integral, com parâmetros que levem em consideração quem planeja e quem a executa. Não podemos continuar a aceitar resultados como os do Pisa - Programa Internacional de Avaliação Comparada -, no qual o Brasil ficou em último lugar em matemática e 26,8 dos alunos chegaram à 8a série com desempenho muito crítico em português, dos 41 países comparados. Esses e outros resultados semelhantes é que tiram as oportunidades de nossos filhos e dos nossos jovens.
Para completar, é imprescindível que a educação seja tratada por todos segmentos organizados da sociedade."
Não há outra forma. Nós temos que envolver os pais e muitas vezes eles não participam do processo educacional dos seus filhos. Fazem de conta que ela existe de uma forma heterogênea, ou seja, simplesmente acham que não têm a responsabilidade e transferem-na para as escolas. Isto é um erro muito grande, haja vista que, sem a participação dos pais, das comunidades, das empresas e de toda associação organizada que existe no nosso Brasil, nós não faremos uma educação saudável para que tenhamos, realmente, um progresso econômico-social que venha ao encontro da nossa sociedade.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)