Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

7ª Sessão - 31/01/2006

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, catarinenses que nos acompanham através da TVAL e da Rádio Digital, eu tenho vários assuntos a abordar nesta tribuna, no dia de hoje, mas não poderia deixar de iniciar a minha manifestação senão pela entrevista publicada na coluna do articulista político Fabian Lemos, do Diário Catarinense, do último domingo, que tem como título: "Eu não me iludo com o Ibope."

Mais uma declaração desesperada de sua excelência, o governador candidato, agora colocando em xeque, deputado Antônio Ceron, um dos institutos de pesquisa de maior credibilidade do Brasil. O Ibope, com toda a sua história, com toda a sua tradição, com todos os serviços prestados a partidos, a entidades, em todos os estados do país, não tem mais credibilidade, não é mais um instituto confiável. O negócio agora é Cérnere, Cernere, Cerneré, Cerlene, Marlene, alguma coisa parecida, que é o instituto lá de Joinville. Aliás, um instituto, deputado Dionei Walter da Silva, que é presidido, que tem como proprietário um funcionário de confiança do compadre do governador, o secretário da Fazenda, deputado Antônio Carlos Vieira!

Então, é um compadrezinho só nesse negócio! O governador, que é compadre do secretário, que é chefe do dono do instituto, que pesquisa não sei como e que é o único instituto que coloca o governador candidato disparado, aliás, que já está eleito! Nem eleição precisa mais, deputado Vieirão.

Eu tive a oportunidade de assistir um pouco mais que um bloco da entrevista do governador na TV Barriga Verde, no último domingo, e, coincidentemente, foi àquela parte em que ele dizia que não precisava mais de eleição, que já estava eleito. Inclusive, a quantidade de votos já está certa, já estão computados, são 500 mil votos de diferença. Não precisa nem mais de eleição, deputado Antônio Ceron!

Eu não sei o que nós, partidos políticos, estamos ainda debatendo. E eu vi, ontem, mais uma fotografia do seu candidato, deputado Antônio Ceron, o Raimundo Colombo, almoçando com o também possível candidato Leonel Pavan, juntamente com os presidentes de partido. Mas eu entendo que não há mais necessidade desse tipo de conversa, porque o governador, em entrevista no último domingo, disse que a eleição já está decidida, são 500 mil votos de diferença. Ele já ganhou! Já podemos ir para casa, porque ele já se garantiu em mais quatro anos de mandato.

Ele não sabe como é que vai ser, não sabe se vai renunciar, porque está com o pé atrás com o vice-governador. Ora diz que renuncia, ora diz que não renuncia mais. Ele não tem confiança no vice-governador. E se não renunciar, vai comprovar que não tem confiança, porque prometeu, assumiu que iria renunciar. Mas se agora já está voltando atrás é porque não tem confiança.

Então, ele não sabe nem como é que vai ser, mas já sabe o resultado: vai ganhar com 500 mil votos de diferença. E afirma isso com muita prepotência, com muita arrogância, com muito desrespeito aos demais candidatos e aos demais partidos.

Eu tenho um respeito muito grande, deputado Antônio Ceron, e v.exa. sabe disso, pelo prefeito Raimundo Colombo. Acho que ele pleiteia essa condição de forma muito coerente, pois está trabalhando muito para construir um projeto. Então, ele não pode receber, por parte do atual governante, que também é candidato, desconsideração, desrespeito com a sua candidatura.

O próprio senador Leonel Pavan, que tem reclamado com muita insistência da arrogância, do atropelamento do governador, também demonstra isso. E olha que aí é a manifestação de um aliado. Imaginem, deputados Antônio Ceron e Dionei Walter da Silva, o tratamento que é dado a nós, da Oposição! É esse tratamento deselegante, desrespeitoso e que começa atingir instituições sérias, como eu entendo que é o Ibope.

Estou muito ansioso para saber qual será a reação do Ibope ao tomar conhecimento que uma autoridade estadual, um homem que já presidiu o maior partido do Brasil - o governador Luiz Henrique da Silveira foi presidente do PMDB, o maior partido do Brasil -, tratou um instituto que deve ter servido ao PMDB naqueles tempos também com tanto desrespeito, com tanta prepotência, com tanta arrogância.

Ele não acredita no Ibope; não acredita no instituto Mapa, que é o instituto de maior credibilidade no estado também; não acredita no FHB, em que sempre acreditou. Até o mês de outubro, na última pesquisa, quando ele aparecia na frente, o governo se encarregava de divulgar os números do FHB. Agora, na pesquisa de janeiro, porque ele já está empatado com o ex-governador Esperidião Amin, já não divulgam mais. Já perdeu a credibilidade também.

E vale o instituto Cernere, que é de um empregado do governo, que atende no telefone 3216-7545. O dono do instituto Cernere chama-se Alexandre, que é funcionário de confiança do compadre Max, e que atende no telefone 3216-7545, cargo de confiança, deputado Antônio Ceron! Ele é dono do instituto que é o único em que o governador e o governo acreditam.

E há mais coincidências, deputado Vânio dos Santos, com relação a essa tal pesquisa Cernere, da qual queremos saber como foi feito o trabalho de campo - porque já estou suspeitando que foi feito dentro de cada secretaria regional, usando os próprios funcionários -, da qual foi solicitado o registro no TRE no dia 16 de janeiro, mas da qual o vice-governador, em uma entrevista na rádio Araranguá, antes do dia 10 de janeiro, já conhecia os números! Ou seja, antes da pesquisa ser registrada, o vice-governador já tinha conhecimento dos números. E também o governador, deputado José Serafim, em entrevista concedida à rádio CBN Diário antes do dia do registro, já conhecia os números.

Então, é preciso, e nós já estamos preparando essa ação, que o Ministério Público, que o Tribunal Regional Eleitoral comece a agir rapidamente, porque nós já estamos percebendo os primeiros sinais de como será o jogo: o jogo de mentiras, o jogo da ilusão, da tentativa da enganação.

Isso já não é mais apenas seguir as orientações de Goebbels. Eu diria, deputado Paulo Eccel, que o próprio Goebbels incorporou no corpo do governador Luiz Henrique da Silveira. Eu acho que ele virou o próprio, porque é muita coragem para mentir tão descaradamente e agora ofender uma fotografia que, aliás, comprova a arrogância e a prepotência, atingindo a integridade de um instituto que eu continuo achando sério e respeitado em nível nacional, como é o Ibope.

Lamento profundamente. Penso que ele deveria fazer uma reflexão sobre esse comportamento, porque em nada contribui esse tipo de manifestação para o engrandecimento da nossa democracia.

O governador deveria, sim, fazer uma reflexão sobre o motivo de aparecer de forma tão preocupante nas pesquisas e talvez até começar a reavaliar o seu projeto político, mas não partir para a agressão, para a desqualificação, para a intimidação, como tentou fazer novamente na entrevista de domingo à noite, quando tentou ameaçar os deputados da Oposição.

Calma, governador! Coloque a cabeça no lugar porque a situação não...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)