Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

95ª Sessão Ordinária - 01/12/2005

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, uma saudação respeitosa aos conterrâneos que nos acompanham pela TVAL e Rádio Alesc.

Nesta quinta-feira começa a contagem regressiva para o Natal, deputado Lício Silveira, que preside a sessão nesta manhã. Estamos no mês de dezembro, veja como o tempo passa, a rapidez do tempo é uma coisa impressionante.

Tenho três assuntos, sr. presidente, antes, porém, não posso resistir à tentação de tocar no episódio, no desfecho, desta noite, no Congresso Nacional. Caiu um ícone da esquerda, do Partido dos Trabalhadores, do partido do presidente da República! Como o poder é uma coisa extremamente perigosa, ardilosa!

Sem maiores comentários, quero falar agora do comportamento dos nossos irmãos que talvez não tenham tido condições de adquirir um veículo, porque se tivessem talvez até estivessem ajudando a tumultuar mais o trânsito, quais sejam, os motoqueiros. Eles expõem a vida ao risco, sr. presidente, que coisa incrível. É uma coisa que exige de quem está ao volante de um veículo o máximo cuidado, porque um bate, outro toca no retrovisor da esquerda, um outro, no retrovisor da direita e por aí afora. Não sei o que passa pela cabeça das pessoas quando estão num veículo de duas rodas.

Os hospitais estão repletos de pessoas acidentadas. O número de pessoas com seqüelas provocadas por acidentes de moto, sr. presidente, é uma coisa altamente preocupante. Acho importante esse registro nesta manhã. Pode ser que alguém ligado à Segurança Pública esteja assistindo-nos. Não sei o que fazer, mas no mínimo é preciso alertar os motoqueiros.

O motociclista, aquele que curte uma moto nos finais de semana, tem toda uma cautela, todo um treinamento para se portar em cima de um veículo de duas rodas. Quanto ao motoqueiro, claro que não vai aqui nenhuma acusação, nenhuma agressão, mas há uma preocupação muito grande com o risco que eles estão correndo. Há muita displicência, existe muita gente sem a devida orientação, sem o devido treinamento para utilizar um veículo dessa natureza.

Quando nos deparamos com um congestionamento, logo vem à cabeça que é um acidente de moto, que é um motoqueiro acidentado. E não dá outra coisa, é um motoqueiro acidentado, lamentavelmente. Então, é preciso disciplinar um pouco mais, orientar mais, para que eles tenham um pouco de cuidado. Eles praticam a chamada costura no trânsito. Um entra pela esquerda, já vai pela direita. E vai costurando sem o menor cuidado, sem a menor preocupação de que pode rodar a qualquer momento.

Então, esse é um alerta que faço às autoridades do trânsito das cidades. Não é apenas um alerta às autoridades da capital ou de São José, mas das cidades grandes e de porte médio, para que passem a monitorar com mais cuidado, com maior zelo esse problema que se agiganta. São muitos jovens mutilados, cheios de problemas, com seqüelas, alguns para o resto da vida, deputado Antônio Carlos Vieira, outros que perdem a vida literalmente, porque sofrem um acidente fatal.

Então, é preciso fazer alguma coisa, mas o que fazer, realmente, eu não sei. Mas como está, a tendência é aumentar cada vez mais.

É fundamental que as autoridades públicas ligadas à área do trânsito das cidades, principalmente a Polícia Militar, preocupem-se com a necessidade de passar uma orientação aos chamados motoqueiros, a fim de que eles tenham um pouco mais de cuidado, não se exponham a tantos riscos, porque isso é uma loucura.

Eu testemunhei um acidente em que o motoqueiro não bateu num determinado veículo, o veículo não bateu nele, o motoqueiro bateu no outro veículo, esse outro veículo bateu em outro e estavam lá cinco pessoas e três motos estiradas no chão. Isso é uma loucura, isso é uma doideira!

Assim sendo, peço às autoridades responsáveis pelo trânsito das cidades de porte médio e cidades grandes, como também às autoridades policiais, que pensem nessa questão de passar uma orientação a esses motoqueiros, a esses irmãos nossos que talvez não tiveram condições financeiras para adquirir um veículo, até porque se o fizessem estariam ajudando a tumultuar ainda mais o trânsito que está com excesso de veículos.

Não estou fazendo uma acusação absurda, não estou condenando esses motoqueiros por ostentarem uma moto, mas pedindo que tenham um pouco mais de cuidado.

Feito esse registro, sr. presidente, quero, de imediato, fazer um outro registro que se contrapõe a alguns enunciados, a alguns registros de euforia por parte do governo federal em relação à economia e à geração de emprego. Os números revelados no dia de ontem são extremamente preocupantes. Final de ano é época de aceleração da economia e a nossa, pelo contrário, desacelerou de forma preocupante. Então, há algo errado.

Ontem, fiz um pronunciamento sobre o dito modelo de desenvolvimento brasileiro que se está exaurindo, o qual está calcado em cima do mercado externo de alto risco. E falava também que o nosso mercado interno está exaurido porque o poder de compra de quem vive desse salário está-se exaurindo também.

Houve um nicho que foi o dinheirinho, o sacrossanto dinheirinho dos nossos aposentados, que anteciparam receita por conta de empréstimos e financiamentos e por conta disso também ficaram endividados. E agora estamos diante de uma realidade: a economia desacelerada por vários fatores, como os juros altos denunciados, mais recentemente, com muita veemência, pelo vice-presidente da República, que conviveu harmoniosamente com esse comportamento de juros altos. E agora, na reta final do seu governo, ele denuncia, porque é também um aliado no combate aos juros altos.

Mas como eu ia dizendo, juros altos e carga tributária elevadíssima! É difícil uma economia subsistir com uma carga tributária tão violenta, como a carga tributária brasileira. Juros altos, carga tributária, mercado externo difícil em função da questão cambial, mercado interno exaurido, matéria-prima cara, tarifas públicas -que são gerenciadas pelo governo - subindo, como combustíveis, energia elétrica, telefonia e por aí afora. Esses aí recebem uma orientação e têm uma blindagem extraordinária porque sobem à revelia do monitoramento do restante dos insumos da economia. É um negócio extremamente preocupante.

Eu faço esse registro, esse comentário porque quando verificamos esses números negativos, como os números que foram divulgados ontem, ficamos imaginando se serão mais brasileiros, mais catarinenses, mais conterrâneos irmãos nossos que vão perder seus empregos, serão mais postos de trabalhos que desaparecerão. Isso é extremamente preocupante.

Portanto, o governo tem que acelerar mais a queda dos juros, porque está muito lenta, e essa lentidão é impatriótica. Tem que acelerar mais a queda dos juros e tem que ser menos ávido nas tarifas públicas que são gerenciadas pelo próprio governo.

O governo tem que adotar uma política de correção salarial, pois é o assalariado, o trabalhador brasileiro que gasta, que consome e aquece o mercado, não são os ricos, os muitos ricos. Esses vão gastar em Miami, em Bariloche, vão viajar e fazer turismo. É o brasileiro, é o operário que ganha, que gasta aqui e que movimenta e aquece a economia e, conseqüentemente, faz com que sejam gerados novos postos de trabalho e novas oportunidades de emprego.

É preciso que o governo se preocupe, porque na medida em que se dá conta de que precisa baixar os juros, que baixe para valer e não em conta-gotas, nessa lentidão, para ver se a economia volta a crescer novamente.

Era este o registro que eu queria fazer, sr. presidente.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)