27ª Sessão Ordinária - 24/04/2003
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, até poderia deixar para falar sobre o assunto na próxima terça-feira, mas diante da gravidade de assunto, faço questão de falar hoje.
É uma pena que o Deputado Pedro Baldissera não esteja presente, porque S.Exa. falou que parece que o Governo Lula resolveu o problema da Nação brasileira! Não é bem assim! Não é verdade o que estão dizendo, que o Governo Lula resolveu tudo; que vão matar a fome do povo; que não tem dificuldade nenhuma, Deputado Nilson Machado!
Veja V.Exa. as manchetes: "Concorrência abala o alho catarinense" "Armazéns cheios pressionam a venda".
A minha terra, Curitibanos, produz 50% do alho catarinense. Santa Catarina é o maior produtor de alho do Brasil, e a minha terra produz 50% do alho produzido no País.
Sabe o que está acontecendo, Deputado Nilson Machado? Os armazéns estão abarrotados de alhos. Não se vende alho! E o nosso produtor está à beira da falência. Sabe por quê? Porque está entrando o alho chinês, que por força de o Brasil ter de exportar carne para a China, o Governo brasileiro, este - no Governo anterior não acontecia isso porque taxou o alho chinês -, abriu as porteiras. E agora o alho chinês entra no Brasil a torto e a direito.
Deputado Nilson Machado, sabe quanto custa ao produtor uma caixa de 10 quilos de alho? R$24,00. Sabe por quanto entra o alho chinês no mercado brasileiro? R$14,00. A diferença é enorme! Por que isso?
A China é um país socialista. Lá ninguém paga imposto. Quem produz o alho lá é o governo, aliás, são os presos políticos, e por conseqüência não tem tributos! A terra é do governo, a máquina é do governo, a mão-de-obra é do governo. Não existe imposto! Entra sem custo para o governo. Não há produção, não tem zero de produção ao alho chinês!
Agora, o nosso custa, no mínimo, R$24,00 para produzir! E sabem a que preço estão vendendo? Conseguiu, com muito esforço, um produtor, vender a 50% abaixo do custo de produção!
Ora, matar a fome do povo é gerar emprego! Matar a fome do povo é fazer com que a mão-de-obra, sem nenhuma especialização - o velho, a velha, a criança, o deficiente físico, aquele que não tem nenhuma condição de trabalhar em outro serviço - possa produzir o alho! Isso é matar a fome do povo! Não é vir aqui fazer demagogia, porque não sou eu que digo, mas há 2 mil anos alguém escreveu: "Não dai o peixe, mas ensinai a pescar."
Matar fome do povo é gerar emprego, não é através de migalhas, humilhando o ser humano! Matar a fome do ser humano é gerar emprego, como o produtor do alho gera em Curitibanos; como o produtor da cebola gera em Ituporanga e em Alfredo Wagner! Mas para isso o Governo tem de dar as mínimas condições! Matar a fome é gerar emprego como os produtores de maçã em São Joaquim, em Bom Retiro, em Irubici e Urupema e Fraiburgo! Fazem gerar emprego aqueles produtores sem nenhuma especialização de mão-de-obra.
É fácil vir aqui querer matar a fome do povo nas costas dos outros! Matar a fome do povo é gerar emprego, é evitar que entre o alho chinês em detrimento do produtor brasileiro, catarinense, do nosso lutador, daquele homem simples - o homem comum, a criança, o deficiente físico, o velho, a velha -, daqueles que vão de manhã à noite trabalhar na lavoura para produzir o alho para depois vender!
Não é acabando com essas pessoas, permitindo que venha o alho chinês, porque lá mais barato, porque lá não se paga imposto, e por isso entre a torto e a direito no mercado brasileiro.
Por isso não concordo quando vêm aqui dizer que o Brasil está salvo porque o Lula serve de conselheiro para o Papa, para o Bush, para todo mundo, mas só na conversa, porque na prática não estamos vendo nada até agora! Desculpem-me, ilustres Deputados do PT!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)