2ª Sessão Ordinária - 19/02/2003
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados.
(Passa a ler)
"Chego a esta Casa nas asas da esperança; este inesgotável sentimento que sempre moveu a humanidade. Sonhos, ideais, cultivados no seu regaço.
Ah, a esperança que nutriu a tantos e que a tantos tornou destemidos - destemidos, arrojados e fortes -; que enfrentaram o perigo, não se entregaram ao medo, suportaram a dor, venceram o verdugo; que caíram exangues muitas vezes, mas que tornaram sua grandeza maior que o próprio limite.
Homens e mulheres, capazes de realizar o sacrifício supremo da vida, o despojamento mais generoso de seu ser, ingressando na memória da humanidade, na lembrança de quantos acreditamos que a fraternidade deve reger uma ordem universal.
E por isso esses seres mitológicos desfilam em nossa mente neste momento, pois se muitos foram os homens, também muitas foram as mulheres que nos legaram exemplos dignificantes.
E é dessa aura que alimentamos o nosso espírito, vertendo para o interior dos que cremos essa força vital capaz de explicar os nossos sacrifícios, o nosso desprendimento, a nossa tenacidade.
Para os incrédulos, é por isto que cremos. Cremos na generosidade, cremos no amor, cremos na dádiva, cremos naquele moço de 30 anos que dizia: ‘Amai ao próximo como a ti mesmo’. E por crermos, estamos aqui.
Não foram poucos os momentos de apreensão, angústia e temor, de anos de lutas incansáveis. Mas a certeza foi mais forte e aqui estamos para fazer a nossa singela homenagem àquelas mulheres de latino-américa, descritas no livro Mulheres, do uruguaio Eduardo Galeano, que nos deixaram impresso na alma estes sentimentos: as Anitas, as Olgas de nosso País também, e as mulheres anônimas, as milhares de mulheres que carregam no dia-a-dia o fardo pesado da vida e que lutam inquebrantáveis com seus maridos para sustentar seus filhos.
Mais uma vez digo: é por isso que estamos aqui, ungidos pelos votos da esperança.
Foram-nos dados 38.553 votos para, num alento de esperança, depositarem na nossa voz a firmeza e determinação diante de uma expectativa que nos torna historicamente caudatários de uma responsabilidade política e social sem precedentes.
Temos nítida c0onsciência da grandiosidade desse desafio e não nos abateremos diante da sua magnitude; não titubearemos, não fraquejaremos, não nos iremos amesquinhar por gestos pequenos e corriqueiros.
O poder pelo poder em si apenas diminui o homem; o que o engrandece é seu uso voltado para o bem comum. O poder é passageiro e só aos tolos envaidece, pois a vida é um lampejo. E o que torna o homem e a mulher dignos da admiração e do respeito públicos, é a medida do seu devotamento, da sua lealdade e do seu espírito desinteressado e a serviço das causas maiores.
Neste aspecto falamos a todos neste Parlamento, a todos e a cada um, que aqui viemos em nome de um povo aviltado pela miséria, historicamente desprezado, despojado e enganado. E estamos todos aqui, cada um de nós, com a responsabilidade dessa representação, que deixa um registro indelével marcando a trajetória dos nossos nomes.
O povo sinalizou mudanças, o povo quer mudanças. A eleição de Lula representa um divisor de águas nos costumes políticos da Nação, em que a prioridade deixa de ser a defesa de interesses escusos movidos por lóbies inconfessáveis, atrelados a uma elite política corrupta, despreparada, displicente, ou a reverência a personalismos engalanados para, então, enfatizarmos com veemência a afirmação dos valores nacionais, da nossa cultura, desse extraordinário amálgama composto pela rica diversidade racial.
A moralidade pública; a boa e honesta administração dos Orçamentos; o respeito aos direitos humanos; a promoção do bem-estar social; a eliminação de privilégios; a promoção do jovem, da mulher; a proteção da criança e do idoso; a questão ambiental; a reforma da Previdência, tributária, trabalhista, do Judiciário; a reforma política; o combate à violência e à corrupção; uma agenda ampla de temas que não vêm sendo enfrentados com a seriedade que o País requer e vêm se arrastando pelo Parlamento em tertúlias intermináveis, mas que agora deverão, no devido tempo, ter as respostas que exigem.
São problemas que se acumulam de longe, pela incúria dos governantes, não podendo ser equacionados de hora para outra, pois Lula não é um santo milagreiro. Mas ninguém duvida da retidão do seu propósito. Todos, invariavelmente, conhecemos a dimensão preocupante dos problemas que nos espreitam. E não há um homem, uma mulher neste País que duvide tampouco da vontade e determinação de nosso Presidente em enfrentá-los.
É o que tem levado, inclusive, correntes partidárias diversas e tradicionais personalidades da vida pública brasileira acorrendo em seu apoio. É o caso, por exemplo, do Senador José Sarney, que, em entrevista publicada recentemente na imprensa, declarou ser essa uma oportunidade singular, histórica mesmo, de concorrer juntamente com os esforços despendidos por nosso Líder maior, num somatório para enquadrarmos essas questões que amarram o nosso desenvolvimento.
Somente pessoas despeitadas e execradas pelo voto são capazes de duvidar, como é o caso do Senador Jorge Bornhausen, que fez má figura nessas eleições e agora investe com sua costumeira empáfia, ao acusar o Governo Federal da ausência de projetos urgentes, como o da reforma política.
São realmente urgentes as reformas que o Brasil precisa, que não foram realizadas nas décadas em que o poder esteve em mãos como as do Senador Jorge Bornhausen, mas que finalmente agora podemos ter certeza de que serão levadas a termo.
Com suas críticas, Jorge Bornhausen fala e suas palavras ecoarão no vazio. Ninguém lhe dará ouvidos, pois prosseguirá sempre envolvido com suas conhecidas manobras que o adaptaram nesses anos todos ao poder como um camaleão, fazendo da política um jogo de interesses exclusivamente pessoais, e um useiro e vezeiro do poder para usufruto de sua família, mas que teve agora seu filho rifado da vida pública, num gesto de repúdio do povo catarinense.
A grande resposta que podemos dar as suas artimanhas e àqueles que com ele se alinham é a que vem sendo dada com o projeto Fome Zero, que desencadeia apoiamentos de setores sociais no comércio e na indústria, pois há um reconhecimento unânime de que essa grande bandeira nacional há de ser desfraldada pelo País como um todo.
Sabe-se que o Governo Lula apenas se iniciou; sabe-se que é inumano resolver em um par de meses problemas crônicos que se arrastam e se eternizam secularmente; sabe-se que a herança deixada pelo Governo de Fernando Henrique é onerosa e que levaremos algum tempo, talvez mais do que o inicialmente previsto, para reequilibrarmos as finanças públicas, reorientando-se o Governo.
Mas ninguém duvide: o PT e Lula vieram para cumprir a sua missão histórica."
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)