Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado João Rodrigues

21ª Sessão Ordinária - 09/04/2003

O SR. DEPUTADO JOÃO RODRIGUES - Sr. Presidente e Srs. Deputados, ontem acompanhei atentamente a participação do Deputado Pedro Baldissera, da minha região, que fez um relato sobre a saúde na região Oeste catarinense, de uma forma especial do nosso hospital regional.

Quero aproveitar o espaço para fazer dois comentários: um sobre a saúde pública do hospital regional e outro sobre a oportunidade que tive de constatar, ontem, no final da tarde, aqui na Capital do Estado, quando fui visitar pessoas da minha região internadas em hospitais públicos.

Um dos hospitais que tive a oportunidade de visitar foi o Hospital Celso Ramos, onde uma paciente da minha terra está internada pelo SUS para fazer uma cirurgia.

Há poucos minutos recebi um telefonema dizendo que ela foi encaminhada para o centro cirúrgico e que de lá retornou para a enfermaria, onde estava internada, por falta de material. A cirurgia era para ter acontecido às 15h30min, mais precisamente. A cirurgia daquela senhora e assim como as de outros tantos pacientes que estavam marcadas para hoje à tarde e talvez amanhã pela manhã, foram suspensas por falta de material - esparadrapo, linha, enfim, material dos mais simples.

Falo do Hospital Celso Ramos porque é de lá o caso específico, e que tivemos a oportunidade de testemunhar.

Outro detalhe importante que testemunhamos, e até convido os Srs. Parlamentares para visitarem os hospitais públicos de Florianópolis, a triste realidade, cruel, guardadas as proporções, quando assistimos pela televisão à guerra no Iraque aqueles hospitais superlotados, numa situação subumana. Não é bem isso que estamos vendo em Florianópolis, mas estamos vendo hospitais sucateados, com equipamentos velhos. A roupa do paciente internado pelo SUS... Saí decidido de lá, ontem, para, nos próximos dias, lançar uma campanha, através do meu gabinete, para comprar roupa para os pacientes internados pelo SUS. São crianças com roupas rasgadas, esfarrapadas!

São pessoas humildes, que não têm dinheiro para pagar um hospital particular e ficam internados pelo SUS. Mas, a qualidade dos serviços, não do profissional, porque esse não há o que questionar, pelo menos não tenho o que questionar porque ninguém reclamou, a qualidade do material, da estrutura que esses profissionais estão tendo é desumano!

O hospital está sucateado, inegavelmente! Basta ir lá fazer uma visita! Ontem, no final de tarde, início da noite, constatei isso! No Hospital Celso Ramos tive a oportunidade de verificar isso in loco!

Então, faço esse apelo à Secretaria da Saúde do Estado de Santa Catarina, através do Secretário Fernando Coruja, que sei que é uma pessoa cheia de boa vontade, com muita determinação para fazer uma boa saúde no nosso Estado, para que observe os hospitais públicos de Florianópolis, aliás, todos os hospitais públicos de Santa Catarina, pois o pobre merece respeito! E o respeito que se dá ao pobre não é apenas dar um bom-dia ou uma boa-tarde! É prestar um serviço decente! É dar uma qualidade melhor!

Não é porque o cidadão é humilde, um operário, um assalariado, que pode ser recebido numa enfermaria de um hospital sem as mínimas condições! Pelo menos um lençol decente, um roupinha um pouquinho melhor! O pijama está rasgado, desbotado, amarelado! Até dá medo, pois pode ter doença um pouco mais grave em decorrência da qualidade desse material que está sendo utilizado nos hospitais aqui em Florianópolis!

Quanto à questão do hospital regional de Chapecó, volto ao assunto primeiro, abordado pelo Deputado Pedro Baldissera, com muita propriedade, quero reconhecer, quando fez uma análise baseado numa audiência pública que participou.

Quero até colaborar com suas colocações, dizendo que o único hospital público regional que temos está localizado em Chapecó.

Uma cidade que tem 150 mil habitantes ou mais, Deputado Valmir Comin, não tem um hospital, Chapecó não tem hospital, tem um regional que é do Estado de Santa Catarina, construído para atender pacientes de média ou alta complexidade!

Os pequenos hospitais existentes nos Municípios circunvizinhos, como em Chapecó, anos atrás, tinha o Hospital Santo Antônio, eram para atendimentos primários. Quando o cidadão tinha uma pneumonia, uma cirurgia de apêndice, um resfriado um pouco mais forte, uma diarréia, ficava internado no hospital da cidade.

Hoje, como a cidade não tem um hospital público, todo paciente com resfriado, com uma perna quebrada, para fazer uma cirurgia de apêndice, fica internado no hospital regional, ocorrendo a superlotação. E quando o paciente do Município vizinho ou da própria cidade de Chapecó precisa de um atendimento por uma complexidade maior que a sua cidade não oferece, chega no hospital regional e está lotado.

Há 30 dias um jovem sofreu um acidente na BR-282 e foi encaminhado às pressas à UTI do hospital regional, chegando lá a UTI estava lotada e o jovem foi encaminhado à UTI da Unimed. Permaneceu quatro ou cinco dias internado e veio a falecer.

Para o internamento a família teve de fazer depósito de um cheque no valor de R$12 mil. O jovem faleceu e a família, humilde, agora tem de pagar a conta do hospital particular, quando o jovem teria direito ao hospital público, mas que por falta de vaga, o hospital particular teve de prestar o atendimento, porque mãe, pai ou irmão algum vai permitir que o seu familiar fique sofrendo numa cama, entre a vida e a morte, se a única opção é o hospital particular.

De que forma podemos agora solucionar o problema daquela família que tem um cheque no valor de R$12 mil na Uniclínicas, que presta serviço particular e cobra por serviço prestado?

Então, a saúde pública do Estado está complicada em todos os cantos de Santa Catarina.

Na nossa região há falta de leitos, de estrutura. Os hospitais precisam de mais investimentos, de equipamentos para ampliar o atendimento, e precisam melhorar a qualidade do material, dos equipamentos, e do servidor público que presta o seu serviço.

A falta de material no centro cirúrgico, Deputada Ana Paula Lima, não pode acontecer em lugar algum, principalmente em Santa Catarina, que é considerado um dos Estados com melhor qualidade de vida deste País! Não se admite uma pessoa ir para um centro cirúrgico e de lá ser retirado, devolvido à enfermaria onde estava porque não tem material!

O questionamento que faço: esses hospitais são administrados por quem? Não existe um responsável pelo material consumido nesses hospitais? Não se tem controle do material utilizado nas enfermarias e nos centros cirúrgicos? Se existe, deve ser no mínimo incompetente, porque permitir que falte material para dar atendimento decente a quem precisa, é incompetência! A não ser que a pessoa tenha comunicado ao seu superior, que comunicaria à Secretaria de Saúde, e esta não tenha tomado nenhuma providência.

Mas o que não dá para admitir em Santa Catarina é a falta de material em centros cirúrgicos dos hospitais públicos. Isso é um desrespeito com os catarinenses!

O Sr. Deputado Dionei Walter da Silva - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JOÃO RODRIGUES - Pois não!

O Sr. Deputado Dionei Walter da Silva - Quero me solidarizar com V.Exa. no seu pronunciamento quanto à questão da saúde pública em Santa Catarina, porque é um assunto gravíssimo, e precisamos nos engajar no nosso papel de cobrança para que as coisas funcionem, além de apresentar soluções.

Há vários entraves na questão específica do sucateamento do sistema de saúde pública, principalmente no interior do Estado.

Sabemos que na Capital, apesar dos problemas, ainda é uma região privilegiada, porque a grande maioria das especialidades ficou na Capital. V.Exa. sabe porque é de uma região onde muitas ambulâncias trazem pessoas para cá.

Ao mesmo tempo em que os hospitais públicos estão, na sua grande maioria, nessa situação, os hospitais particulares, como a Unimed, estão com aparelhamento moderno, e não falta material. E em alguns casos, precisamos dizer isso, pessoas que detêm a direção do sistema de saúde em algum Município estão ligadas com o sistema particular. E de alguma forma, não funcionando o sistema público, acaba pagando no sistema particular.

Então, é um assunto profundo, polêmico, com várias nuances, as quais precisamos estar atentos, investigando e propondo soluções.

O SR. DEPUTADO JOÃO RODRIGUES - Agradeço pelo seu aparte, Deputado!

O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JOÃO RODRIGUES - Pois não!

O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Cumprimento V.Exa., Deputado João Rodrigues.

Muito do que acontece nos hospitais públicos é por incompetência, e não é só com o paciente do SUS. Qualquer cidadão que busca um hospital da rede pública está sujeito aos maiores problemas da vida.

Existem casos de pacientes atendidos na emergência, e após os exames chega-se à conclusão da necessidade de uma cirurgia de emergência. Depois de duas ou três horas chega-se à conclusão de que não tem leito vago na UTI. Aí o paciente é encaminhado para outros hospitais e vem a falecer.

Isso é grave e é por incompetência. Não é por falta de recursos! Falo isso porque essa situação aconteceu na minha família!

O SR. DEPUTADO JOÃO RODRIGUES - É preciso que o nosso Secretário da Saúde faça um levantamento nos hospitais públicos para saber o que é incompetência e o que é falta de condições para atendimento.

Para concluir meu pensamento, Deputado Dionei Walter da Silva, deixo bem claro que na minha região, graças ao bom Deus, a coisa não acontece dessa forma, com influência de entidades...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)