80ª Sessão Ordinária - 15/10/2003
O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Sr. Presidente, Srs. Deputados, telespectadores da TVAL, servidores da Assembléia Legislativa, inicialmente gostaria de fazer um registro especial acerca do Dia do Professor.
Quero dar os meus calorosos cumprimentos a essa categoria tão esquecida, tão desvalorizada em sua grande maioria, principalmente pelos órgãos públicos, e tão cantada em verso e prosa com a importância que lhe devotamos. Temos a clareza dessa importância, mas muitas vezes, na prática, por parte dos nossos governantes, isso não é valorizado dessa forma.
Queremos, então, cumprimentá-los e reforçar a necessidade de que cada um de nós, professores, tome a iniciativa de se organizar, de se politizar enquanto categoria funcional, a fim de buscarmos direitos mínimos já conquistados por outras categorias.
Nós não vemos, por exemplo (e inclusive a lei veda), qualquer pessoa exercer a profissão de médico, se não for formado em Medicina; da mesma forma, ninguém exerce a advocacia, se não for formado em Direito, e assim por diante. E por que não, o professor? Porque nos falta, ainda, a organização, a consciência de classe, de categoria, além da mobilização necessária para garantirmos que o professor também tenha necessariamente uma formação e que não se permita mais professores "biqueiros", professores com qualquer formação, tirando o lugar daqueles realmente habilitados.
Meus parabéns e vamo-nos organizar!
A Sra. Deputada Ana Paula Lima - V.Exa. me permite um aparte?
O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Pois não, cara Colega!
A Sra. Deputada Ana Paula Lima - Muito obrigada, Deputado Dionei Walter da Silva. Quero aproveitar este momento para também saudar todos os professores de nosso Estado que, infelizmente, não têm muito para comemorar, devido à desvalorização, inclusive, salarial. Quero saudar, ainda, as Deputadas Odete de Jesus e Simone Schramm, que têm sua origem na Educação.
O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Assomo hoje à tribuna para fazer um convite a todos os Deputados e aos telespectadores em geral para participarem de um seminário sobre transgênicos e agrotóxicos, que acontecerá na cidade de Rio do Sul, no dia 17 de outubro, no Clube Caça e Tiro Dias Velho, na Rua dos Caçadores, nº 37.
Esse é um tema bastante atual e polêmico, que muita discussão e dor de cabeça ainda trará para muita gente, até que se tenha uma definição no nosso País.
Nos jornais e revistas especializadas dos últimos dias, inclusive na Folha de S.Paulo de hoje, aparece, talvez, no meu entendimento, uma luz no fim do túnel para que seja definitivamente proibido no Brasil ou para que não se justifique o plantio do transgênico.
Descobriu-se agora que a grande justificativa utilizada pelos produtores de soja transgênico era a possibilidade de usar o herbicida após a germinação da planta.
Todos sabemos que em qualquer cultura, se usarmos um herbicida após a germinação, morre a erva daninha e também a planta. Então, o grande diferencial apregoado pela Monsanto e pelos defensores dos transgênicos é que com a trangenia a soja, principalmente, a Roundup, tornava-se resistente ao herbicida. E nessa condição possibilitaria a pulverização após a germinação, matando apenas a erva daninha e fazendo com que a soja permanecesse. Então, esses eram os argumentos.
E na verdade o herbicida utilizado nessas pulverizações é feito a base de glifosato, que é um herbicida que integra também o Roundup e que é produzido pela Monsanto. E inclusive a soja geneticamente modificada também é produzida pela mesma empresa e até com o mesmo nome.
Quero ler um artigo da Revista Agroorgânica com o seguinte teor:
(Passa a ler)
"Perigo no herbicida da soja transgênica
Glifosato foi o principal agrotóxico causador de intoxicações no Brasil entre 1996 e 2000.
O herbicida glifosato, ao qual a soja transgênica Roundup Ready é resistente, foi o principal causador de intoxicação no Brasil entre 1996 e 2000, com 11,2% das ocorrências. O dado consta da tese de mestrado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), defendida pelo médico veterinário Alfredo Benatto, ex-Diretor da Divisão de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Esse dado pode ser confirmado no Estado do Paraná.
Segundo o Centro de Saúde Ambiental da Secretaria de Saúde, no período de l998 a 2001 o glifosato foi a terceira maior causa de intoxicações naquele Estado. Do total de 2.330 casos de intoxicação investigados, 16% foram atribuídos ao glifosato.
O herbicida já é amplamente utilizado na cultura tradicional da soja. Tanto que, no Paraná, praticamente não há plantações de soja transgênica e mesmo assim o número de casos de intoxicação por glifosato já é relevante. Caso haja liberação da soja Roundup, o uso de glifosato deverá aumentar significativamente, o que provocará um número muito maior de intoxicações pelo herbicida."
Na aplicação tradicional, convencional de uma aplicação antes do plantio por safra já temos a intoxicação de seres humanos, de animais e também a contaminação de rios, córregos e nascentes.
Então, se permitirmos o uso desse agrotóxico após a germinação, sabe-se lá quantas aplicações permitirá e a quantidade de agrotóxicos no meio ambiente vai ser muito maior e a possibilidade da intoxicação também vai aumentar significativamente no nosso Brasil.
Temos agora um dado concreto, um dado com estudo científico de algo que faz mal à saúde do ser humano, ao meio ambiente e aos animais e que não pode ser liberado para a utilização após a germinação.
Inclusive, temos posições dos Ministérios, inclusive do Ministério da Agricultura, afirmando que o argumento tem procedência e reconhecendo a vitória da Ministra Marina Silva e das entidades ambientais, porque a semente transgênica plantada sem a possibilidade de utilizar o agrotóxico após a germinação não tem nenhum efeito, nenhum sentido, nenhuma justificativa e nenhum argumento plausível para que ela seja utilizada.
Temos um outro dado interessante para analisar, que são declarações de cientistas, principalmente franceses, dizendo que o Brasil pode perder mercado, se optar pela liberação de produtos transgênicos.
Isso já foi alertado por diversas vezes, mas agora foi dito por especialistas franceses no dia 13 de outubro, portanto há dois dias, dizendo que há evidências de vantagens comerciais significativas na produção de produtos não geneticamente modificados.
Eles alertam que o Brasil, liberando a produção principalmente da soja transgênica, pode perder mercado para um país como o Japão, que já tem posição contrária ao consumo de produtos transgênicos, principalmente na produção de carnes derivadas de animais alimentados por produtos transgênicos, e também à exportação direta dos próprios grãos geneticamente modificados.
Temos, inclusive, uma declaração, no mínimo irresponsável, de alguns técnicos ligados a empresas multinacionais, afirmando que o consumo do glifosato é tão prejudicial quanto o consumo do sal de cozinha. E daí o técnico que estava presente fez um desafio para o engenheiro: "Para cada copinho de café que você tomar do glifosato, eu tomarei um litro de água de sal e vamos ver qual será o grau de toxidade".
É lógico que ele não topou o desafio porque são argumentos irresponsáveis, sem base científica, para enganar a população e tentar enfiar um lucro fácil, um monopólio e um controle.
Então, estaremos participando deste seminário em Rio do Sul, no dia 17, sexta-feira, e convidamos todos os Srs. Deputados para participarem, discutirem e assim continuarmos a nossa cruzada contra a liberação da plantação de transgênicos no nosso País.
Era isto o que tinha a dizer, Sr. Presidente!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)