Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

8ª Sessão Extraordinária - 11/05/2004

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, em meio a tantos problemas que temos no nosso dia-a-dia, no nosso cotidiano, assomar à tribuna para tratar de um assunto que está um tanto quanto distante de nós: paz, a importância da paz.

Para isso vou me valer da leitura de uma crônica do consagrado jornalista Sérgio da Costa Ramos, porque há pouco fazia o registro da insatisfação de ouvir os comentários. Não acessamos ao diário oficial dos ianques, do Tio Sam, mas naquela oportunidade eles divulgavam críticas ao Presidente do Brasil, com o que não concordamos.

(Passa a ler)

"Procura-se terrorista de Estado, com nome endereço, profissão, responsável pela transformação do globo terrestre numa imensa granada sem pino, prestes a explodir.

Procura-se facínora responsável pela premeditação da guerra como plano de governo. Ao assumir seu posto de onipotente, em 1º de janeiro de 2001, já trazia no coldre o plano de invasão do Iraque - a segunda maior reserva de petróleo do planeta.

Procura-se executivo de companhias proprietárias de poços e refinarias de petróleo, acionista de grandes empresas de energia e sócio de um certo senhor chamado Dick Channey - ambos ‘chefões’ da Hallyburton.

Procura-se especulador financeiro que, para elevar ao zênite o preço dos produtos de sua empresa, atirou seu próprio país e aliados numa guerra de ocupação, comemorando seu subproduto: cadáveres enrolados numa bandeira... e barris de petróleo a US$ 40.

Procura-se o ‘parceiro de Bin Laden’, que, a pretexto de vingar o 11 de setembro, espalhou por todo o mundo o horror de condenar-se a humanidade ao pânico e ao sobressalto, na espreita da próxima explosão.

Procura-se paranóico que está assassinando a indústria do turismo em todo mundo, transformando aeroportos em antecâmaras de torturas e guaritas de imigração em pequenos escritórios da Gestapo.

Procura-se delinqüente financeiro que levou o tesouro de seu país ao maior déficit de sua história, inchando o orçamento militar de inenarráveis US$ 380 bilhões para mais de US$ 800 bilhões por conta da escalada da guerra...", acrescentando em US$ 420 bilhões, o suficiente para amenizar a fome e a miséria que graça no mundo.

(Continua lendo)

"Por causa desse déficit galopante, juros subirão e capitais deixarão os países pobres, para financiar o Apocalipse.

Procura-se finório cujo país, em guerra, lança suspeições de risco contra indefesas economias emergentes, exauridas na faina de pagar juros crescentes. No mesmo movimento em que desvaloriza os títulos e encarece os empréstimos para a pobreza, transfere para seus cofres os recursos dos ‘investidores’, condenando ao desastre e à impotência países que trabalham para pagar sua dívida, em meio às regras hostis do mercado.

Procura-se cruel engenheiro de finanças que, garantindo lucro da escalada do petróleo, aumenta o preço da dívida dos emergentes, retribuindo-lhes com... inflação. Sua ‘guerra’ será paga pelos pobres, por conta de cada ponto percentual acrescentado à ‘Libor’, a taxa básica de juros, cuja expansão anunciada já tumultua mercados ao redor do mundo.

Procura-se psicopata que vai à televisão pedir desculpas por ‘torturas’ e ‘assassinatos’, como se esses atos de supremo agravo aos direitos da pessoa humana pudessem ser perdoáveis venialmente. Comportamento típico das ‘máfias’, que mandam matar, mas se desculpam: ‘nada pessoal, só negócios’.

Procura-se assassino serial que, além de planejar a guerra antes da ofensa terrorista, desprezou todas as oportunidades de comutar penas de condenados à morte, tornando-se o único Governador do Texas a executar todos os inquilinos do ‘Corredor da Morte’ ao longo de dois mandatos.

Procura-se ex-alcoólatra, por cuja terrível síndrome de abstinência o mundo inteiro está pagando. Percebe-se a um pesado custo que há insuspeitadas nuanças em torno das palavras ‘embriaguês’ e ‘sobriedade’. O mundo teria preferido um alcoólico inofensivo a um ‘sóbrio’ embriagado pelo desejo de matar, torturar e ainda lucrar com o preço do petróleo.

Procura-se terrorista que caça terroristas, valendo-se dos mesmos métodos."

Sr. Presidente e Srs. Deputados, fiz a leitura do artigo desse destacado profissional de imprensa para condenar uma vez mais a estupidez da guerra. Nada se iguala à coisa tão estúpida como a guerra.

A imprensa estampou nas páginas dos jornais as fotografias dessa humilhante situação. Não quero defender o ditador. Em absoluto, porque sempre combati tiranias e ditaduras, mas a tortura imposta aos miseráveis do Iraque também não concordo. Esses miseráveis por certo lutam para se defender da tirania do todo poderoso que, usando do seu poderio bélico, gasta bilhões e bilhões de dólares que poderiam servir à causa da inclusão dos excluídos e que poderiam muito bem amenizar o sofrimento dos pobres. E, com isso, ele vai dominando o mundo. Mas até quando?

A história está repleta de exemplos. Não há império que sempre dure.

Há o relato da história que os impérios ruíram. E vem esse senhor, querendo ser o dono do mundo, porque dispõe do maior aparato bélico do mundo, disseminar o terror a pretexto de combatê-lo.

Gastar bilhões e bilhões de dólares para, segundo eles, restabelecer a democracia. Eles que, não faz muito tempo, na América Latina disseminaram os golpes de Estado, as ditaduras que infelicitaram muita gente e promoveram o atraso no Continente Latino Americano.

Este não é um assunto que nos diz muito respeito, mas nós não podemos ficar indiferentes ao que ocorre no mundo, senão amanhã ou depois começarão as provocações e eles acabarão falando mal do Chefe de Estado brasileiro. Daqui a pouco vão inventar outras histórias e amanhã ou depois eles vão achar que a democracia brasileira é inviável. É em nome da "democracia" deles, entre aspas, porque no seu País eles a praticam... Mas em outros países eles praticam a democracia com a força do tacão dos coturnos, dos seus soldados e das balas dos seus canhões.

Quero deixar registrado, Sr. Presidente e Srs. Deputados, nesta tarde, a minha indignação com a violência, com a estupidez da guerra, com essas coisas terríveis que acontecem no mundo.

A vida, que é dom de Deus, a Este deveria, só a Este, ser dado o direito de tirar quando lhes convier.

Por isso, Sr. Presidente e Srs. Deputados, fiz o registro deste artigo porque não gostei do achincalho, da tentativa de desmerecer o mandatário do País. Ele não levou o meu voto, mas é o Presidente do Brasil.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)