Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jailson Lima da Silva

99ª Sessão Ordinária - 04/11/2014

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Na realidade, deputado Kennedy Nunes, quem ganhou foi o Brasil. Ganhamos pelo momento da democracia construída, pelo momento de tranquilidade em que o governo teve uma vitória apertada nas eleições em meio a uma série de questionamentos e posicionamento da grande mídia nacional.

Quando se fala em regulamentação da mídia não se fala em coibir as informações, mas temos que ter muito claro que acabou de ser apontado que aquela matéria produzida pela revista Veja, no término do segundo tempo, diria assim, só no estado de São Paulo, segundo as pesquisas, tirou em torno de 8% dos votos da presidenta Dilma. Por mais pecados que se tenha na Petrobras, o diretor que produziu o processo de corrupção nunca foi do PT e não é, era um funcionário de carreira, apesar de se tratar de questões inerentes a volume de recursos de questões públicas condenáveis, simplesmente, o denunciante cita nomes, mas nada ficou comprovado. Foi citado o seu Álvaro Dias, por exemplo, que elegeu o senador do Paraná no primeiro turno; também figuras do PP e de diversos partidos.

Assim como a última pesquisa de sábado, do Ibope, dava margem acima dos quatro pontos percentuais para a presidente Dilma; o Data Folha apontava empate técnico. Estão aí hoje os estudos científicos mostrando que a pesquisa Data Folha era uma amostragem de quase 20 mil entrevistas e mostrava, nitidamente, o resultado manipulado na urna para dizer que se tratava de um empate técnico. Mas nada disso justifica o resultado do momento democrático para buscar um terceiro turno e questionar o processo eleitoral mais democrático do mundo e, tecnologicamente, o mais avançado, porque se questionarmos as urnas eletrônicas no segundo turno, temos que questioná-las no primeiro turno.

No entanto, é fundamental ter claro que reunir 1.500 pessoas na avenida Paulista, em São Paulo, para pedir o retorno da ditadura militar, o retorno do exército, é inconcebível neste momento da democracia e inexplicável para um grupo de gatos pingados, porque reunir 1.500 pessoas na avenida Paulista, em São Paulo, é mais ou menos como reunir, aqui em Florianópolis, 50 pessoas na rua Felipe Schmidt, proporcionalmente. E a grande manchete mostra como se isso fosse vanguarda da revolução brasileira. Vai latir lá para as matilhas da mãe dele! Pedir ditadura militar é inconcebível, nós que lutamos tanto por esse momento da democracia.

Primeiramente, quero dizer que esse resultado eleitoral não divide o país, pois no sul e no sudeste a Dilma fez mais votos do que no norte e no nordeste. Em segundo lugar, se tivermos que dividir o país, como ouvi alguns mapas escritos, teremos que incluir, nessa divisória, Minas Gerais e Rio de Janeiro: num estado Aécio foi governador e, no outro, ele mora, e nos dois Dilma ganhou.

Mas é inconcebível, nesse resultado eleitoral, ver essa xenofobia odiosa, não apenas ao PT, mas à democracia. Sou do PT, sim, e não tenho lepra. Ajudamos muito a construir e a lutar por este país, a trazer recursos para este estado. Reclama-se do Bolsa Família, mas o Aécio ia dar o 13º salário para o Bolsa Família, junto com a Marina; ia fazer o Minha Casa, Minha Vida e incluir famílias que não tinham acesso.

Mas é importante deixar claro que somos um único país e não há nada que justifique a divisão de um corpo humano em partes, não há nada que justifique esse temperamento odioso de um grupo de pessoas que, normalmente, estão numa elite. Essas são coisas inimagináveis num país como este. Daqui a quatro anos haverá eleição novamente e começaram a dizer que a Dilma terá que aprovar a PEC da bengala para juízes e ministros, porque senão vai indicar mais ministros do Supremo do que os outros presidentes. Esta é uma lógica da democracia.

E aí pergunto sobre os que foram indicados pelo Lula. Qual foi o comportamento do Barbosa? Qual foi o comportamento do Eros Grau que, se não me engano, está morando na França e sempre foi do PSDB, nunca foi do PT, inclusive declarou apoio ao Aécio. Qual foi a posição do Fux, na Ação Penal 470? Há muito mais gente no Supremo contra o PT juridicamente do que a favor do Partido dos Trabalhadores. Mas indicar os demais é uma consequência da democracia, porque, senão, daqui a pouco, em decorrência disso, vão ter que ficar 75 anos, depois 80 anos e aí você não revigora, não muda. Essas instituições precisam de uma renovação, de novos quadros jurídicos com uma nova postura de país.

Por isso, neste momento, o Partido dos Trabalhadores faz sua defesa enfática da democracia, em nome do sul, do sudeste, do norte, do nordeste e do centro-oeste. Imaginem, agora, neste momento de seca no sul e no sudeste, de onde está vindo a energia elétrica para cá? É o nordeste que está mandando energia elétrica para Santa Catarina! Se formos separar o país, teremos que importar energia, porque hoje há um sistema integrado. E foi a presidente Dilma que visionariamente integrou esse sistema.

Por mais que se fale da Petrobras, acabou de iniciar a produção da refinaria Abreu Lima, Pernambuco, depois de 30 anos tinha sido feita uma refinariazinha pelo Lula e agora a maior refinaria do mundo está sendo posta em atividade, o que vai significar uma economia para o Brasil em termos de refino de petróleo, do ponto de vista das importações inimagináveis. Nós estamos vendo aqui, próximo de Santa Catarina, uma empresa australiana fazendo perfuração para pesquisar, perfurar petróleo em alto mar. Isso em decorrência do que mesmo?

Em Joinville, em São Francisco, foi anunciado quase R$ 700 milhões para se montar lá uma estrutura, um grande empreendimento para a produção de plataforma petrolífera em Santa Catarina. Se a crise fosse tão aprofundada essas empresas não estariam investindo em Santa Catarina. Não estariam investindo no país, porque se criou num momento davida pública e da democracia, um sobe e desce da bolsa, do dólar, como se o Brasil dependesse disso, do ponto de vista econômico.

Portanto, temos que, neste momento, apenas fazer uma reflexão e negarmos o ódio implantado em cima do resultado eleitoral. Gostaria de dizer que o meu partido pode ter todos os pecados, mas tem mais virtude do que pecados. E essas virtudes tiraram milhões de brasileiros da miséria no sul e no sudeste, colocou milhões de alunos nas universidades com o ProUni e Fies, mas o sul e o sudeste não votaram na Dilma, votaram no Aécio. E assim é a vida, assim é a percepção democrática e é isso que temos que defender, porque este Brasil é um país de todos os brasileiros, não apenas de alguns segmentos que se alvoroçam como donos desses destinos e que, principalmente, acham que podem definir a história da democracia.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)