Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

89ª Sessão Ordinária - 08/08/2012

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, não poderíamos deixar passar despercebido um fato que bastante orgulha todos os joinvilenses e que foi objeto, inclusive, de reportagem hoje, no Diário Catarinense, na sua página 22, que tem como título:

(Passa a ler.)

"O craque mundial da Matemática

Há apenas dois anos participando da Competição Internacional de Matemática para Estudantes Universitários, o joinvilense Renan Henrique Finder, de 20 anos, já é bicampeão dessa que é uma das disputas mais importantes do mundo. O craque concorreu com outros 317 participantes e conquistou a medalha de ouro mais uma vez.

As provas ocorreram, na semana passada, na cidade de Blagoevgrad, na Bulgária. Renan era um dos 23 brasileiros que competiam. A delegação foi escolhida com base nos resultados da Olimpíada Brasileira de Matemática, na qual Renan também levou a melhor. Além do joinvilense, outros três jovens conquistaram a medalha de ouro; o Brasil ainda levou duas pratas e nove bronze."[sic]

Faço questão de deixar registrado nos anais desta Casa essa vitória e quero solicitar também - e já pedi à minha chefia de gabinete - que seja enviado um documento de congratulações a esse jovem de apenas 20 anos, que encheu todos os joinvilenses, catarinenses e brasileiros de orgulho por essa conquista.

Falando em educação, tenho acompanhado os programas eleitorais, não somente de Joinville, mas de outros municípios, e muito pouco tenho ouvido falar na questão da educação de uma maneira mais objetiva, mais concreta e condensada.

Normalmente você escuta falar na educação dentro de um contexto: saúde, segurança, educação, etc. Mas pouco se ouve preocuparem-se de maneira mais substancial com a questão da educação. Gostaria muito de ver todos os candidatos se preocupando com a questão das escolas em tempo integral, pois para quem vai dirigir um município é de substancial importância a instituição das escolas em tempo integral, que é a forma de manter os filhos das famílias participando não só das aulas, mas de outras importantes atividades, além de evitar o assédio dos traficantes, dos marginais.

Isso é de suma importância principalmente no momento que vivemos neste país, onde as drogas estão virando verdadeira calamidade. Falar em drogas hoje é falar em calamidade pública, preocupação que deveria ser a principal de todas, muito mais do que a própria segurança, porque se estamos vivenciando crimes, assaltos de toda ordem neste país, 80% da causa estão nas drogas. Se já estamos tendo dificuldades de tirar das drogas os nossos jovens que nela entram, por que não prevenir? Por que não cuidar daqueles que ainda não entraram, que são as nossas crianças e os nossos adolescentes, através de um trabalho nas escolas de tempo integral?

Isso seria de substancial importância, mas vejo muito poucos candidatos falando nesse tipo de preocupação de forma específica.

Ainda dentro desse parâmetro de entendimento, de reflexão, estivemos em nossa Casa Amarela, em Joinville, esta semana, em mais uma oficina, dentro das tantas que fazemos lá, para gestantes. Foram quase 60 gestantes que passaram o dia conosco e lá tivemos médicos fazendo palestras, explicando a questão do pré-natal; tivemos pessoas da maternidade também para orientá-las. Enfim, uma série de palestras e, no final, todas receberam um certificado de conclusão.

Estive reparando na fisionomia das pessoas dos mais variados bairros da nossa cidade, algumas, inclusive, de municípios vizinhos à nossa cidade e literalmente todas elas eram extremamente simples. Muitas delas sem a menor noção do que é ter um filho; sem noção de que estão para colocar no mundo um ser humano que vai estar com elas pelo resto da vida e sobre o qual têm responsabilidade em termos de educação, de alimentação, de formação de caráter etc.

Vi, desanimado, que uma delas que estava no décimo primeiro filho. Uma mulher bem nova, muito pobre, grávida do décimo primeiro filho! Onde está o poder público? Onde estão as instituições públicas? Por que não se faz laqueadura nessas pessoas? Por que não há um programa para fazer laqueadura em pessoas a partir do segundo, terceiro filho? Mas não! Vai-se deixando à vontade. Perguntei, inclusive, a respeito de laqueadura e disseram-me que o médico não faz, somente se tiver uma autorização judicial. Imaginem, para uma pessoa que mal tem o que comer e está na décima primeira gestação, exigir uma determinação judicial para fazer uma laqueadura?!

E as consequências nós conhecemos: um país marginalizado, com um enorme número de pessoas passando necessidade, muitos delas na marginalidade, por conta da falta de prevenção lá atrás, antes de começar a gestação. Essa é a grande verdade.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)