81ª Sessão Ordinária - 12/07/2012
O SR. DEPUTADO VOLNEI MORASTONI - Sr. presidente, não vou precisar utilizar os dez minutos que me foram destinados, pois cinco serão suficiente.
Srs. deputados, queria abordar um tema mais ameno que foi tratado nesta Casa na segunda-feira à noite, em uma audiência pública de que participei e que tratou da Reserva Marinha do Arvoredo, no sentido de transformá-la em Parque Nacional Marinho do Arvoredo.
Infelizmente, não poderei porque estou envolvido, desde que saí de Itajaí pela manhã até chegar aqui, há poucos instantes, em resolver uma situação de saúde, um caso de urgência urgentíssima de uma paciente jovem, de 21 anos de idade, de Porto Belo, que nesta madrugada sofreu um acidente de moto, o que lhe causou um traumatismo crânio encefálico de graves proporções. Essa paciente está todas essas horas no pronto-socorro do Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, entubada, precisando de um leito de UTI e de uma cirurgia neurológica. No entanto, está nessa situação grave esperando ser transferida para uma UTI, uma vez que aquele hospital não oferece as condições adequadas de atendimento nessa área de neurocirurgia. Não existe neurocirurgião no corpo clínico do hospital. Então, não há como manter essa paciente internada lá, porque não possui várias especialistas no seu corpo clínico.
Todos têm acompanhado pela imprensa que o Hospital Ruth Cardoso passou recentemente por um grave processo em função da administração desastrosa da organização social Cruz Vermelha, do Rio Grande do Sul, que deixou um caminho nefasto, um rastro de problemas nos seis meses em que esteve à frente daquela instituição hospitalar.
Com toda essa situação crítica, com CPI e tantas outras situações graves que ainda envolvem aquele hospital, os pacientes precisam da instituição, porque, infelizmente, desde o dia 29 de fevereiro o Hospital Santa Inês, de Balneário Camboriú, foi fechado. Um absurdo tanto da parte do município, que ao abrir o Hospital Ruth Cardoso deveria, na medida em que tivesse condições, ir assumindo cada vez mais os atendimentos nas várias especialidades de média complexidade, tendo seu corpo clínico completo e, de forma gradativa, progressiva, ir desativando, se fosse o caso, o Hospital Santa Inês.
Mas já foi um erro quando, em Balneário Camboriú, a secretaria municipal de Saúde decidiu ao mesmo tempo desativar o Hospital Santa Inês no final de fevereiro, quando a situação do Hospital Ruth Cardoso ainda estava passando por uma indefinição, instabilidade e insegurança.
Estamos desde então em contato com a secretaria municipal de Saúde, com o prefeito de Balneário Camboriú e com o secretário estadual de Saúde!
Quero aqui denunciar, porque acho uma absoluta falta de responsabilidade, numa região como a da Amfri - e estou-me referindo a Balneário Camboriú, que é um município de gestão plena, que tem toda uma responsabilidade com vários municípios -, fechar sumariamente o Hospital Santa Inês. Isso está repercutindo negativamente no atendimento aos pacientes, porque o Hospital Ruth Cardoso não dá conta da demanda e o Hospital Marieta Konder Bornhausen está no limite da sua capacidade de atendimento. Agora, inclusive, em função da construção de um anexo de 14 andares, tiveram que demolir o pronto-socorro e readequar os atendimentos. O próprio hospital expediu uma declaração aos prefeitos pedindo que, por favor, resolvessem os problemas nos próprios municípios, através da rede de atenção básica, das unidades de pronto atendimento, porque o hospital não está em condições de continuar recebendo o volume de pacientes de sempre.
Essa é mais uma razão, então, para que o Hospital Santa Inês abra suas portas, porque tem uma UTI e tem todas as instalações hospitalares adequadas que poderiam estar funcionando. Tudo isso tem sido relatado de forma pormenorizada para a secretaria estadual de Saúde, que tem todas as informações e conhecimento dessa situação. No entanto, essa secretaria se omite de forma irresponsável, quando não assume uma posição para resolver uma situação grave como essa que estamos vivendo na Amfri, mais especialmente em Balneário Camboriú.
O Hospital Santa Inês sempre compartilhou os atendimentos da região com o Hospital Marieta Konder Bornhausen, mas com o seu fechamento estão acontecendo casos como o da paciente que acabo de relatar.
Há poucos minutos conversei com o dr. Mateus, plantonista do pronto-socorro do Hospital Ruth Cardoso, que disse estar há 48 horas trabalhando naquele hospital e que já recebeu três casos graves de traumatismo neurocirúrgico que não puderam ser atendidos e que dependem de transferência para outros hospitais, que também não têm vagas nas suas UTIs.
Portanto, estou aqui denunciando essa grave situação e fico perplexo com a passividade dos secretários municipais de Saúde da Amfri, que diante de uma situação como essa não tomam nenhuma providência, quando, na verdade, já deveriam ter exigido a abertura do Hospital Santa Inês, porque o acordo é que ele atenderia todos os casos de trauma, ortotrauma e neurotrauma, mas está lá fechado por irresponsabilidade das secretarias estadual e municipal da Saúde de Balneário Camboriú e dos secretários municipais da Saúde da Amfri.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)