120ª Sessão Ordinária - 04/11/1999
O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo à tribuna para externar a minha preocupação em relação à situação do nosso País.
As manchetes dos jornais, principalmente desta semana, deixa-nos bastante preocupados. O nosso País está-se tornando um perigo constante para os brasileiros.
A Prefeita do Partido dos Trabalhadores do Mato Grosso do Sul, assassinada na semana passada, deixa claro o desmando que este País vive por parte dos seus eleitos, e há uma preocupação com a polícia. No Rio de Janeiro, um traficante ameaça denunciar os políticos envolvidos com o narcotráfico.
A nossa economia, subordinada aos interesses internacionais, cada vez mais é ditada pelo FMI, que determina como o nosso País tem que funcionar, e o Governo brasileiro se submete a tudo isso, cada vez mais ficamos reféns da economia americana, dos interesses internacionais. O País não é governado para os brasileiros, é governado sempre pensando nos interesses internacionais.
A violência está tomando conta do País. Tivemos o episódio dos internos da Febem, um tiroteio em um dos shoppings de São Paulo, onde quatro pessoas foram feridas. Parece-me que uma ou duas pessoas faleceram.
A cada dia que passa, há mais gente desempregada, mais políticos envolvidos com o narcotráfico. Não sabemos o que será deste País se persistir essa onda de violência.
É lamentável que um País que tem tudo para dar certo, um País rico, com solo fértil, com um povo trabalhador, um País que não tem terremoto, que não tem maremoto, que não tem guerra interna declarada - tem uma guerra interna escondida, vamos dizer assim - não dá certo por causa desse modelo implantado, que dá espaço para poucos. Neste País se produz de tudo, mas muita gente está passando fome.
Então, trago aqui essa preocupação para partilhar com os demais Colegas. Não podemos nos calar, temos que colocar para a população a preocupação que esta Casa tem.
O absurdo é tanto, Sr. Presidente, que recentemente, na CPI do narcotráfico, um Deputado entregou outro, disse que fulano matou quatro ou cinco pessoas. Nominou até as pessoas que foram mortas.
Há muitos políticos envolvidos com o narcotráfico, coisa que não podemos aceitar.
Eu até diria que para uma pessoa ser candidata a um cargo político deveria apresentar primeiro uma ficha de ocorrência, uma ficha corrida, como chamam, dos seus atos, da sua vida, porque é impossível que tenhamos nos Parlamentos, no Congresso Nacional Deputados envolvidos em tantos rolos, como narcotráfico e assassinatos.
Que credibilidade têm os políticos deste País? A população, com certeza, tem razão. O que temos visto por aí faz com que a população não acredite mais na classe política, infelizmente!
E o que dizer do assassinato da nossa Prefeita, que pelo fato de ser mulher e deficiente física já sofria preconceito? Ela, que era integrante do MST e do PT, fazia uma administração transparente, sua popularidade e aceitação passavam de 80%. Nos quase três anos de mandato fez de tudo para melhorar a vida daquele povo, daquela cidade, mas foi assassinada na porta da sua casa.
Que pecado é esse, Sr. Presidente? Ela procurou fazer o bem para o seu povo, uma administração correta, transparente, honesta, mas parece que esse tipo de pessoa, esse tipo de político não serve para o nosso País. Parece que o que dá certo, o que serve é justamente o oposto, ou seja, aqueles que não têm preocupação nenhuma com a questão social, aqueles que se envolvem com o narcotráfico, com assassinatos. São esses que têm espaço nos jornais e na TV.
Gostaríamos de ver nos telejornais notícias importantes, do tipo: o Congresso Nacional está trabalhando, os projetos que interessam ao povo estão sendo aprovados, mas isso raramente acontece, só temos ouvido notícias que nos entristecem.
Hoje, nos jornais, mais algumas matérias nos dão conta da interferência do FMI no Governo brasileiro, que tinha assumido alguns compromissos, entre os quais o de que não teríamos mais aumento nos combustíveis até o final do ano. Mas pelas notícias, a gasolina terá um aumento de mais 20%, quem sabe ainda no mês de novembro.
Por isso a aceitação de Fernando Henrique e dos Partidos que dão sustentação ao seu governo está tão baixa. A população está dando as menores notas para este Governo, que tem um projeto neoliberal, um projeto, como já dissemos desta tribuna, de morte, de exclusão social, que gera o desemprego. Mas infelizmente muitas vezes os políticos fecham os olhos para esta questão.
No início deste ano, fizemos uma sessão nesta Casa para discutir com a CNBB esse projeto neoliberal, para acabar com isso no nosso País.
A Argentina e o Uruguai, nas últimas eleições, deram uma demonstração de que o povo quer mudança, que está chegando o momento de as esquerdas, na América Latina e no mundo, avançarem e dizerem um "não" a este projeto de entrega da soberania nacional e construírem uma sociedade com mais justiça, com mais solidariedade, com mais partilha e com mais direitos para a população.
Tudo o que queremos é uma vida mais digna para a população do nosso Estado e do nosso País. Porém, as formas para se chegar a isso é que são diferentes. Daí, entra a questão dos Partidos, dos projetos e dos princípios.
Nós, do Partido dos Trabalhadores, Sr. Presidente, continuaremos lutando sempre para que um dia tenhamos uma sociedade com mais justiça social e mais dignidade.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)