7ª Sessão Ordinária - 18/02/2009
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, srs. deputados, catarinenses que nos acompanham pela TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, ouvi atentamente a manifestação do eminente deputado Elizeu Mattos e algumas outras manifestações ontem, deputado Silvio Dreveck, deputado Reno Caramori e deputado Décio Góes, que passam a impressão de que alguém da Oposição estaria falando mal do PMDB.
A mídia nacional há três dias fala, e fala muito mal, do PMDB, mas não por provocação de ninguém da Oposição. Ela fala, deputado Silvio Dreveck, porque um dos maiores expoentes do PMDB, duas vezes governador de Pernambuco, senador da República, fundador do velho MDB, um político com uma grande folha de serviços prestados ao seu partido, PMDB, e ao Brasil, o senador Jarbas Vasconcelos, resolveu se manifestar nesse sentido.
Ele disse à revista Veja: "O PMDB é corrupto." Não foi ninguém da Oposição que disse isso. Quem fez essa afirmação que repercute há três dias na mídia nacional foi um grande líder do PMDB.
E ontem disse mais, disse que reafirmava. E alguém perguntou: "O senhor não tem medo de ser expulso?" Ele disse: "Eles não vão me expulsar, eles não têm coragem de me expulsar."
Mas, deputado Dagomar Carneiro, repito que não foi alguém do PDT, o seu partido; do PP; do PT ou de qualquer outro partido. Foi o irmão, fundador do partido. É claro que aí repercute mais, é evidente que dói mais, porque é da família, é gente que se criou junto, é gente que fez história junto.
E ele foi muito contundente. Disse que o PMDB é corrupto, que só quer cargos, cargos para quê? "Para fazer negócios", ele afirma, "para ganhar comissões". E repito: são palavras do eminente senador Jarbas Vasconcelos, grande liderança do PMDB.
Aqui, no estado, deputados Silvio Dreveck e Reno Caramori, as coisas não são diferentes. O ex-ministro e ex-presidente do PMDB Dejandir Dalpasquale também acusa o governador Luiz Henrique da Silveira e o presidente do partido Eduardo Pinho Moreira de corruptos.
Deputado Reno Caramori, eu ouvia agora há pouco a entrevista do ex-ministro Dejandir Dalpasquale. É extremamente contundente. Ele diz que o presidente do PMDB não tem autoridade, não tem moral e não tem comando no partido.
Ele disse que ele foi colocado no comando da Celesc para fazer negociatas, disse que o dr. Eduardo Pinho Moreira negociou uma pensão vitalícia de R$ 22 mil para ficar seis meses no governo.
Não foi o deputado Pedro Baldissera quem disse isso, nem o deputado Reno Caramori e nem o deputado Silvio Dreveck, e muito menos o linguarudo do deputado Joares Ponticelli, foi o dr. Dejandir Dalpasquale, fundador do velho MDB, presidente estadual do PMDB. Ele acabou de dizer na Rádio CBN que o governo de Santa Catarina, do PMDB, é um governo corrupto e de negociatas.
Ele disse que membros do PMDB entraram pobres e enriqueceram no governo. Palavras do ex-ministro Dejandir Dalpasquale. Não é de ninguém da Oposição. A imprensa nacional já está atrás dessas declarações.
Eu recebi uma ligação, deputado Reno Caramori, agora há pouco de um correspondente da revista Veja interessado nas declarações do ex-ministro Dejandir Dalpasquale. Parece que agora as notícias que há muito tempo nós estávamos trazendo sobre corrupção no governo começam a chamar a atenção, casos de corrupção explícita como a do Aldo Hey Neto, homem de confiança do governador, que estava com R$ 2 milhões no seu apartamento durante o período de campanha. Grande corrupção!
Parece que agora as notícias de corrupção contidas no livro Descentralização no Banco dos Réus, que o governador e o Eduardo Pinho Moreira impedem a publicação, como no tempo da ditadura, começam a chamar a atenção da grande mídia nacional, porque dois fundadores do velho MDB começam a mostrar as verdadeiras faces do partido, Jarbas Vasconcelos em nível nacional e Dejandir Dalpasquale aqui em Santa Catarina.
O que ele disse do governador Luiz Henrique da Silveira e do Eduardo Pinho Moreira... Ninguém da oposição nunca falou tão mal quanto ele, e é um membro histórico, respeitado do PMDB.
Isso me preocupa muito mais ainda, deputado Silvio Dreveck, porque o PMDB vive um momento de grande insegurança para o seu governador aqui no estado.
Evidentemente, de ontem à noite para cá, o governador deve ter perdido o sono. A cassação do governador Cássio Cunha Lima, da Paraíba, que teve o mandato cassado por muito menos corrupção do que a praticada por Luiz Henrique da Silveira aqui durante a campanha, deve estar preocupando. Muitas gavetas devem estar sendo limpas já e o problema é o que se está tirando das gavetas.
As notícias são assustadoras. Escolas superfaturadas, licitações e concorrências dirigidas e superfaturadas, altamente suspeitas. Negociatas e negociatas, como diz o grande peemedebista Dejandir Dalpasquale. E preocupa, é claro, com essa insegurança. Ontem foi o Cássio Cunha Lima. Amanhã deve ir o Jackson Lago e a fila vai andando. Sabemos do esforço que este governo empreendeu até agora para se manter no TSE, ao ponto do governador chegar a afirmar, num momento de infelicidade, que estava vendendo até o carrinho popular da primeira-dama do estado para pagar o advogado, quando sabemos que um advogado para defender um processo no TSE precisa muito mais do que uma cegonha cheia de carrinhos populares. Não é só o carrinho da primeira-dama. Isso não paga nem o cafezinho do advogado. Bota cegonhas nisso. Talvez um pátio inteiro.
Talvez isso justifique, deputado Silvio Dreveck, o art. 148 "a" do Regimento Interno do ICMS. Talvez de lá tenha saído o carrinho popular, porque não dá para entender as razões de concessão de renúncias fiscais de mais de 90% em momento de crise.
Então, eu sei que o momento é tenso. Imaginem a insegurança e a insônia do governo depois da decisão do TSE ontem à noite.
Engraçado, deputado Silvio Dreveck, lá, na Paraíba, o PMDB está repercutindo hoje que a justiça foi feita e a eleição foi passada a limpo. Aqui é tapetão. Lá, na Paraíba, porque o PMDB ganhou o mandato, pode cassar o companheiro do deputado Serafim Venzon, que é o Cássio. Lá o PMDB disse que tinha que cassar porque a justiça tinha que ser feita. Aqui é tapetão.
É, esse Jarbas Vasconcelos ainda tem muito para contar.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)