Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

38ª Sessão Ordinária - 15/05/2007

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente e companheiros deputados, estou dando entrada a um Projeto de Lei, o qual já recebeu da Mesa o n. 0159/2007, que declara integrante do patrimônio histórico, artístico e cultural do estado de Santa Catarina os murais localizados no Colégio Industrial do município de Lages e no município de Florianópolis.

Diz o art. 1º - e é bastante simples o projeto -:

(Passa a ler.)

[...]

"Art. 1º - Fica declarado patrimônio histórico, artístico e cultural do Estado de Santa Catarina, nos termos e para fins dos artigos 9º e 173 da Constituição Estadual, as construções artísticas que constituem os murais do artista plástico Martinho de Haro, localizados no Colégio Industrial do Município de Lages e no hall de entrada do edifício localizado à Rua Felipe Schmidt, n. 485, no município de Florianópolis.

Art. 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação."[sic]

Primeiro, é uma homenagem mínima que esta Casa pode prestar ao centenário de nascimento do grande artista Martinho de Haro, que, ao lado de Victor Meirelles, se destaca como o mais importante artista plástico de Santa Catarina.

(Passa a ler.)

"É o único pintor que, tendo produzido por décadas nos limites de sua terra natal, conseguiu elevar-se como nome maior do modernismo brasileiro, sendo referência obrigatória na história da arte do país, ao par de Volpi, Guignard, Di Cavalcanti e Pancetti. Foi o artista que captou, com mais finura e expressividade, a paisagem urbana de Florianópolis, fiel a uma estética que se impôs pelo mais intransigente apuro e discreto, ainda que sutil, cromatismo.

É preciso destacar ainda o ideário modernista dos artistas de seu tempo, que integraram um círculo de arte moderna com a criação do Museu de Arte Moderna de Santa Catarina em 1949.

Três exposições, três livros, dois filmes e um edital de ensaio crítico são os eventos planejados para este ano para comemorar o centenário de nascimento do modernista catarinense."

Portanto, meus amigos, quem conhece esses murais que Martinho de Haro confeccionou no Colégio Industrial de Lages, hoje chamado Ginásio e Escola de 2º grau Industrial, sabe que tem que ser preservada aquela beleza, aquele cromatismo, aquela mistura de cores, bem como o painel que se encontra aqui em Florianópolis.

Essa é uma parte da homenagem que este humilde parlamentar poderá apresentar a uma pessoa que tem uma bela história. Eu diria, com toda tranqüilidade, que Martinho de Haro nasceu em 1907 e viveu até 1985, e tivemos o prazer de conhecê-lo em vida, inclusive na sua casa, no seu atelier de pintura à rua Altamiro Guimarães.

(Passa a ler.)

"Martinho de Haro (1907 - 1985) - Pintor, desenhista e muralista. Inicia-se na pintura em Lages, Santa Catarina, em 1920 e expõe individualmente pela primeira vez no Conselho Municipal de Florianópolis, em 1926. Como bolsista do governo catarinense, estuda na Escola Nacional de Belas Artes - ENBA -, no Rio de Janeiro, de 1927 a 1937, tendo aulas com Cunha Melo e Rodolfo Chambeland. Trabalha como auxiliar de João Timóteo na decoração da Igreja Nossa Senhora da Pompéia, em 1930, e de Elizeu Visconti na execução do pannenau do Teatro Municipal, de 1930 a 1935. Ainda da década de 30, freqüenta o curso de pintura de Henrique Cavaleiro e do Núcleo Bernardelli; viaja à França, onde estuda com Otto Friez, na Academia de La Grande Chaumiere de Paris, em 1938. Devido ao início da guerra, retorna a São Joaquim em 1939, ali permanecendo até 1944, quando muda-se para Florianópolis.Foi um dos mais importantes artistas do Brasil. Em Lages, no Colégio Industrial, Murais do artista podem ser ainda apreciados. Localizam-se em Frente à Avenida Dom Pedro II.Em Florianópolis, o magnífico Mural no Hall de entrada do edifício público localizado à Rua Felipe Schmidt, n. 485, no município de Florianópolis, retrata o desenvolvimento da indústria catarinense.Estes três Murais fazem parte da história artística e cultural do estado de Santa Catarina, devendo ser preservados para que as atuais e futuras gerações possam apreciar a arte do grande artista Martinho de Haro. Em 2007, comemoramos também o centenário de nascimento do renomado artista."[sic]

Quero dizer que sua terra natal, de nascimento, é São Joaquim, que muita honra a nossa querida serra.

O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Pois não!

O Sr. Deputado Manoel Mota - Só quero fazer uma correção: Osama Bin Laden é a pessoa que faz parte da lista que contém nomes de criminosos internacionais, junto com o chefe maior do eminente deputado Joares Ponticelli, que também está sendo procurado pela Interpol, hoje, no mundo.

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Feita a correção, nós, hoje, também aproveitamos para chamar a atenção, que ocorre muito e nós iremos nos pronunciar, na questão político-partidária do PPS, para a questão da fulanização da política. Isto é deseducativo, não respeita a política maior, as coligações maiores, um governo que tem, através de um programa de programa denominado Plano 15, as suas metas. E atingir essas metas é o objetivo maior. Vários são os partidos que compõem esta coligação, e sempre notamos que qualquer falha, ou mesmo não havendo falha e só suposição, sempre se fulaniza em nome do governador. Isto é uma falta de respeito.

Vamos admitir, deputado Pedro Baldissera, que tudo o que ocorra no Brasil o culpado seja o Lula. Isto não é fazer política, isto é deseducar. E mais do que isso, hoje eu pude ver o exemplo e o elogio da deputada Ana Paula Lima ao governador, que foi à Associação Comercial e Industrial de Blumenau e anunciou um convênio para a região e que foi digno de elogio. Mais do que isso, o governo de Luiz Henrique da Silveira, do PMDB, como partido, compõe o governo de Lula com cinco ministérios.

Então, nós não precisamos citar exemplos; temos que assumir esta condição e não ficar querendo nos diferenciar, porque na prática do dia-a-dia o povo está entendendo que o PMDB é um grande aliado no ministério do governo Lula, e que está ajudando a governar com bons projetos e idéias. É uma pena, porque política pressupõe reciprocidade, que não exista essa reciprocidade, essa tolerância, essa magnitude, essa grandeza por parte do PT em Santa Catarina.

Mas esta é uma questão partidária e nós, do PPS, aprendemos a fazer política além do nosso próprio partido, e, mais do que isso, respeitando a posição de cada partido. Mas acho que não somos obrigados a todo dia fazer um jogo de outras forças que sequer têm identificação histórica conosco; ao contrário, procurou desconstruir a história do povo catarinense e do país em outras épocas, procurando tirar proveito daquilo que nós temos, companheiro Décio Góes. Temos muito mais semelhanças do que diferenças, temos muito mais força que nos une do que nos desune. E essa história é construída por nós. Nós somos agentes dessa transformação que poderá ocorrer em Santa Catarina e no Brasil. Um estado não vai bem, se o país não for bem. Não adianta o país ir bem e o estado não ir bem.

Então, temos que trabalhar, dentro dos direitos e das discussões, algo que eu sempre coloco, companheiro Décio Góes: o contraponto. O contraponto deve existir, pois enriquece a democracia. Se não houver o contraponto, nós vamos gerenciar a mediocridade e o óbvio. Precisamos ter o contraponto, mas é necessário que haja uma coerência política.

O Sr. Deputado Décio Góes - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Pois não!

O Sr. Deputado Décio Góes - Acho que a sua observação, o seu comentário é pertinente, mas não nos cabe. Temos feito um papel de críticos do governo, sim, mas no sentido de propor, de fiscalizar e de ajudar o governo da forma que encontramos, até elogiando quando temos que elogiar.

Hoje, no meu pronunciamento, falei sobre a Oncorrede.ncorredeue encontramos, atclur,- Poisa Santa Catarina apresentou o projeto ao ministério da Saúde, que entendeu ser uma boa proposta e aprovou. E hoje temos essa boa notícia para dar a Santa Catarina.

Então, esse é o comportamento que temos. Agora, quando o governo, representado por Luiz Henrique da Silveira, extrapola ou quando consideramos alguma coisa um exagero, temos a obrigação de denunciar.

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Nós entendemos que a crítica é pertinente, pois faz parte da educação, mas que não se fulanize. Nós todos aqui queremos o melhor para os catarinenses.

Muito obrigado, sr. presidente!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)