53ª Sessão Ordinária - 10/07/2007
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, quero falar rapidamente sobre a
Rede Feminina de Combate ao Câncer aqui em Florianópolis, uma entidade - inclusive fui procurado há poucos dias -, que eu não sabia que ainda era de utilidade pública só do estado. As deputadas Odete de Jesus, Ada De Luca e Ana Paula Lima se interessaram pelo assunto, e eu fui pesquisar, deputado José Natal. Constatei que essa entidade, desde 20 de dezembro de 1989, pela Lei n. 7.867, de autoria do excelentíssimo e saudoso deputado Francisco Mastella, já é declarada de utilidade pública em nível de estado.
O que muito me impressiona, deputado Marcos Vieira, é o trabalho extraordinário que as mulheres voluntárias da Liga fazem. Eu pensei que elas só fizessem aquelas coisas corriqueiras que todas as redes fazem: higiene, ajuda na prevenção do câncer de colo de útero e de mama, enfim, mas fazem também aquele atendimento psicológico às pessoas portadores desse grande mal do século.
Uma outra coisa me surpreendeu, deputado Antônio Aguiar: mandei um funcionário socorrer uma pessoa, que nem é eleitora - passei a conhecer essa pessoa como catadora de papel. Inclusive, ela ia seguidamente lá em casa pedir papéis para vender para sobreviver.E eu estranhei que a conhecida dona Célia não foi mais lá em casa. Eu perguntei o que estava havendo com a dona Célia e fui informado de que ela estava com um câncer na garganta. Então, eu disse para o meu funcionário que iríamos tentar socorrer essa senhora que não é nem eleitora e por isso eu faço essa referência. E fomos atrás da dona Célia. Ela estava num estado lastimável! Mora no morro Nossa Senhora Aparecida, atrás da igreja do Saco dos Limões. O carro não chega lá, e ela precisava, todos os dias pela manhã, ser levada para fazer a aplicação, a radioterapia, e depois já tinha que fazer a quimioterapia.
Coitada da dona Célia! Sobreviver do quê? Então, a minha grande surpresa - por isso estou aqui trazendo essas informações: deputado José Natal, a Liga de Combate ao Câncer de Florianópolis também dá uma cesta básica a todas as pessoas carentes e portadoras de câncer. Surpreendeu-me! Essas pessoas fazem um cadastro e todos os meses recebem uma cesta básica feita pelas mulheres da Rede Feminina, por doação.
A pessoa que socorria a dona Célia disse: "Olha, eu vi um caminhão baú, do supermercado Imperatriz, descarregando equipamentos". Daí eu fui indagar quem é que sustenta essa gente. Responderam que eram doações de pessoas de boa vontade. Pedem no supermercado um pouco, pedem um pouco ali, um pouco aqui, e com isso mantêm mais de cem pessoas atacadas pelo câncer. Que coisa bonita!
Eis aqui uma grande entidade para que nós, deputados, possamos ajudar. E disse-me a presidente que a viúva do falecido Francisco Mastella e outras pessoas de boa vontade, como a viúva do falecido Vilson Kleinübing, a sra. Vera Kleinübing, e outras pessoas da alta sociedade, fazem esse trabalho voluntário em troca de nada. Elas vão buscar, elas vão aos supermercados, elas vão pedir, enfim, elas fazem um trabalho extraordinário que me surpreendeu. Eu até disse para elas: "Vocês arrumam a documentação que eu vou levar ao presidente da Assembléia e ao governo para ver se arrancamos algumas subvenções sociais para atender essas pessoas".
É um papel extraordinário que a Rede Feminina de Combate ao Câncer aqui de Florianópolis está fazendo. É um trabalho extraordinário o que elas fazem. Elas não sabiam que já era declarada de utilidade pública municipal e estadual. Agora, vamos preparar a documentação e mandar para Brasília, para que também o Congresso Nacional declare essa entidade de utilidade pública em nível nacional, para que ela possa receber subvenções para socorrer essa gente que está num estado lastimável.
Impressionou-me o trabalho que elas fazem. E eu assumi o compromisso com a minha funcionária de vir aqui, na tribuna, para levar ao conhecimento de Santa Catarina que ainda existe gente de boa vontade, gente que não precisa, deputado José Natal, gente que não precisa, deputado Darci de Matos, estar envolvida nisso. Mas todos os dias elas estão buscando, pedindo ajuda nos supermercados, pedindo ajuda ali e aqui, para dar condições de sobrevivência a essas pessoas que estão à beira da morte.
Por isso, faço esse registro, mas quero ouvir v.exas. com muito prazer.
O Sr. Deputado Darci de Matos - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Pois não!
O Sr. Deputado Darci de Matos - Obrigado, deputado Onofre Agostini, eu não poderia deixar de reforçar as suas colocações.
Existem instituições da Rede Feminina de Combate ao Câncer em muitos municípios de Santa Catarina. Em Joinville nós temos a Rede Feminina de Combate ao Câncer que atua há décadas, uma instituição organizada, uma instituição corajosa, uma instituição que cumpre um papel relevante.
Nós sabemos que o câncer é a doença do século, pois é responsável pelo maior índice de óbitos no Brasil e no mundo. Então, essa instituição é muito importante e se não fossem os trabalhos voluntários dessas instituições, com certeza a vida das pessoas seria muito pior.
V.Exa. tem razão e nós temos que enaltecer essas instituições e temos que empreender esforços para poder buscar recursos, além de apoiar essa legião de voluntárias junto à Rede Feminina de Combate ao Câncer em Santa Catarina e no Brasil.
O Sr. Deputado José Natal - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - É com muito prazer que escuto v.exa.
O Sr. Deputado José Natal - Muito obrigado, deputado Onofre Santo Agostini. Graças a Deus que com essas ações praticadas por essas cidades, inclusive por v.exa., é que tem sido dado condições de sobrevivência a muita gente neste estado e neste país. Mas, lamentavelmente, nós temos uma grande gama de entidades declaradas de utilidade pública que buscam as subvenções sociais que não aplicam no que realmente deveriam aplicar.
Quero enobrecer v.exa. pelo seu gesto e aquelas senhoras que v.exa. acabou de citar pelo trabalho incansável, que sabemos que não é de agora.
Deputado, no meu pronunciamento que fiz há pouco sobre a renúncia fiscal do governo federal eu citei um dado, que volto a repetir para v.exa.: se o governo Lula não tivesse praticado essa renúncia fiscal, o governo teria distribuído R$ 21,5 milhões em cestas básicas neste país.
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Atualmente a presidente da rede é a sra. Zita Sander Meireles, que merece a minha admiração e a admiração do povo de Santa Catarina pelo trabalho extraordinário que a rede faz.
Por isso trago este assunto e depois vamos conversar com a Mesa Diretora para ver se conseguimos alguns recursos para a Rede Feminina de Combate ao Câncer.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)