Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

53ª Sessão Extraordinária - 28/11/2007

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado, sr. presidente, srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, eu gostaria de corrigir algumas questões que foram faladas ontem, inclusive por mim, neste microfone.

Quando debatia a questão da Venezuela, eu falei que o jornal é uma concessão pública e essa informação está errada. De forma que eu gostaria de corrigir e dizer que a radioteledifusão é, sim, uma concessão pública, mas o jornal não é uma concessão pública. Assim nos corrige o colunista e professor do jornal Diarinho, nosso conhecido e amigo César Valente. Acho importante fazer este registro, que não seria necessário, mas é nossa tarefa também aqui passar a informação correta. A nossa tarefa aqui é informar as pessoas que nos assistem, que acompanham o nosso trabalho.

Portanto, quero agradecer a retificação que o professor César Valente fez acerca da nossa informação e dizer que ele também nos mandou um artigo do jornalista e escritor Luciano Martins Costa, que já trabalhou em jornais como a Folha de S. Paulo e O Estado de São Paulo, falando do uso dos meios de comunicação. O título do artigo é "A imprensa não estimula a inteligência", e foi retirado do Observatório da Imprensa, que é um grupo que tem um site justamente para avaliar e discutir o papel da imprensa, assunto que também que é do meu interesse.

Para confirmar a sua tese, Luciano Martins Costa fala, principalmente, da abordagem que a imprensa brasileira tem dado à questão da relação do Brasil com a Venezuela e com a Bolívia e cita alguns exemplos. Eu não vou ater-me aos exemplos, embora o artigo seja bastante interessante, mas seria inviável ler todo o teor. Vou citar apenas alguns exemplos na mesma direção, como, por exemplo, a abordagem daquele episódio em que o rei da Espanha teria dito a Hugo Chávez para se calar. E ele disse, de fato, mas em que circunstâncias? Numa cúpula de chefes de estado, de chefes de governo, Hugo Chávez estava falando sobre o comportamento da Espanha no golpe de estado que houve contra o governo democraticamente instituído na Venezuela, em 11 de abril de 2002. Porque a Espanha, naquele acontecimento, deputado Professor Grando, e os Estados Unidos foram os únicos dois países que reconheceram o golpe que durou 48 horas. Mais do que rapidamente, os Estados Unidos foram lá e reconheceram o novo governo golpista, e o Aznar também, que era o então primeiro-ministro da Espanha. O Chávez estava falando disso, e era o horário dele falar.

Daí o rei, de forma bastante real, disse para o Chávez se calar. Naturalmente que ele não se calou e continuou fazendo o seu discurso. E ainda disse que, com a verdade e com a defesa do seu povo, não se calaria e não teria temor nem vergonha de defender as verdades. Mas a abordagem que a imprensa deu foi que o rei teria dado um pito no Chávez e ele se teria calado, o que não é verdade.

Acho interessante que - e foi mais ou menos na data de 15 de novembro - passamos a data da nossa proclamação da República elogiando o rei da Espanha. Belos republicanos! Por que não discutimos a importância e a pertinência de existir ainda a monarquia no mundo, duzentos e tantos anos depois da Revolução Francesa?

O que há de atual no mundo é a Revolução Bolivariana na Venezuela. A monarquia foi superada da história da humanidade há mais de 200 anos! Reis vitalícios e hereditários, monarcas instituídos por direito divino são considerados atrasados. Nós estamos regredindo ao período anterior ao iluminismo, do ponto de vista filosófico. Mas o errado é Hugo Chávez e o rei está certo, segundo dizem.

Quero agradecer aos srs. deputados pela compreensão na aprovação da moção de apoio à entrada da Venezuela no Mercosul. Agradeço a todos os parlamentares que nos apoiaram nessa empreitada! E respeitamos, sim, a posição daqueles quatro que se manifestaram contrariamente.

Mas foi falado aqui, hoje, numa carta que elaborei. Fiz e entreguei praticamente a todos os srs. deputados, nossos colegas aqui, um texto dizendo da importância econômica para o Brasil e para Santa Catarina da entrada da Venezuela no Mercosul. Porque eu defendo, sim, do ponto de vista político e, inclusive, ideológico, o governo na Venezuela, porque aquele processo não é de Hugo Chávez, e sim do povo da Venezuela, que tem autonomia e soberania para dizer que tipo de governo quer ter, qual presidente quer ter.

Aliás, a Venezuela é o único país do mundo que eu conheço onde o povo pode revogar o mandato do presidente a partir da metade dele. Aquele é um país que não tem democracia? Na metade do mandato, por vontade do Congresso Nacional ou de 20% dos eleitores, pode-se revogar o mandato do presidente.

E a oposição a Hugo Chávez, a direita na Venezuela, construiu um referendo em agosto de 2004 e perdeu no voto. Aliás, a Venezuela é o país onde mais houve eleições nos últimos oito anos. De dois em dois anos, há uma eleição, e Hugo Chávez sempre ganha.

"Ah! É a pessoa do Chávez que vão personificar". Não! Não dá para entender como algumas pessoas falam por aqui. "Ah, tirando o Chávez, está tudo certo"! O problema é que não se vai tirar Hugo Chávez simplesmente e o processo vai continuar. Existe uma conspiração em curso na Venezuela para um novo golpe - já tentaram três vezes - e faz parte dela essa onda de informações contrárias ao governo, maléficas, colocando aquele presidente como um desvairado.

Já imaginaram se a imprensa de Santa Catarina viesse a este plenário pegar os piores momentos, os piores gestos, as piores expressões, as piores palavras e editasse e publicasse? A população de Santa Catarina consideraria estes deputados malucos, porque só fariam caretas e diriam palavras fora do contexto. Pois é isso que a mídia da Venezuela está fazendo, e está sendo reproduzido pelas agências de informação dos Estados Unidos, principalmente. É isso que vemos.

Precisamos estudar a situação da Venezuela para não sermos co-responsáveis com um novo golpe de estado que a direita venezuelana, apoiada pelo imperialismo nos Estados Unidos, quer fazer na Venezuela entre final de janeiro e fevereiro do ano que vem. Eles estão montando, trabalhando, há documentos nesse sentido. Nós precisamos estar mais atentos para não sermos co-autores pacíficos desse golpe!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)