52ª Sessão Ordinária - 03/07/2008
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, companheiros deputados, companheiras deputadas, hoje, no horário partidário do PPS, quero dizer que nós do PPS temos uma forma de fazer política e se v.exas. observarem os quadros, as lideranças do nosso partido nunca fazem crítica ou ataque a outros partidos. Por quê? Porque na política você não tem que ser contra alguém, você tem que ter propostas para serem inseridas. É muito mais difícil do que fazer política? É! Mas quem foi que disse que política é fácil?
Então, dessa maneira nós queremos dizer que a inflação não é culpa da questão externa, não é culpa da malversação do dinheiro. Existe uma realidade, só é revolucionário, só muda, só transforma, quem for realista.
Qual é a realidade? O mundo está globalizado, e se está globalizado - esta é a realidade - os senhores podem observar que nesse tempo as empresas não têm pátria, as negociações se dão em todas as direções. O que está acontecendo? A inflação com dois dígitos está para acontecer aqui e em muitos e muitos países, inclusive os considerados desenvolvidos! Está aí a comunidade européia, os Estados Unidos, o Canadá, enfim, os países asiáticos, como a China, o Japão e tantos outros tomando medidas que são novidades, porque até agora vinha através do Protocolo de Washington, o desenvolvimento se dava sem inflação. Tinha inflação no Sudão, no Zimbábue, que têm estabilidade política, mas no restante dos países do mundo, a começar pelos nossos países vizinhos, a inflação era até menor que a do Brasil que já era baixa. Só que esta realidade não conseguiu ser controlada pelo sistema comercial do mundo que se estabeleceu. É uma realidade muito mais profunda.
Sobre a questão do petróleo, nós sabemos que o preço não vai diminuir, ao contrário, vai continuar aumentando. Nós sabemos que aumentando o petróleo aumenta o transporte. Ora, as plantações, a produção de alimentos não está perto do centro consumidor, temos que percorrer quilômetros, quer dizer, aumentou o transporte, aumentou o produto. Nós sabemos que a alimentação de Florianópolis, muitas vezes vem lá de Urubici, de Águas Mornas, de Antônio Carlos e até de outros estados, e isso tem um custo com o aumento do petróleo. Se aumentou o petróleo, aumentou o transporte, os insumos, os fertilizantes e, conseqüentemente, o preço dos produtos.
Ora, se o dólar está desvalorizando em função da má administração imobiliária americana, se o dólar desvaloriza 1%, o petróleo aumenta 1%. Houve uma série de calamidades mundiais que nós acompanhamos desde 2005, que foi o maior número de tufões, de vulcões, de tremores de terra e assim por diante. E isso fez com que o estoque alimentar, não só no Brasil, mas em vários países do mundo diminuísse.
Vejam por quantas razões a inflação está aumentando, assim como os preços dos produtos. E mais do que isso, inventaram a bolsa de futuros e venderam 8.450 milhões de barris de petróleo, que têm que ser entregues. Há umá aumento do consumo do petróleo em função do desenvolvimento da China e da Índia, ou seja, a China consumia dois milhões de barris e produzia dois, hoje ela consome oito e produz quatro. Então, tem que comprar mais quatro. A Arábia Saudita só produz oito milhões e a China sozinha praticamente consome isso. Então, são esses fatores que nós temos que analisar numa nova ordem mundial.
Qual é a proposta do PPS? É a reforma agrária com função social para produzir alimentos dentro da lei, na qual a pessoa terá a terra e produzirá os alimentos que interessa a toda a sociedade e vai poder dar como herança aos seus filhos continuando...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)