Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Serafim Venzon

82ª Sessão Ordinária - 23/10/2008

O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, eu quero cumprimentar as pessoas que estão nas galerias desta Casa, de forma especial o amigo Guga, o Agostinho Plênio Barbosa, natural de Urupema, que foi candidato a vereador naquela bela cidade, que hoje está acompanhando os nossos trabalhos na Assembléia.

Sr. presidente, eu queria reportar-me a essa questão da crise mundial, porque há uma, duas quinzenas colocavam a questão como se fosse uma crise que acontecia lá nos Estados Unidos, na Europa, atingindo os países asiáticos mais desenvolvidos, e que nós ficaríamos ao largo e que não teríamos problema algum.

Ontem, eu apresentei aqui um relatório do lucro que os bancos no Brasil tiveram no ano passado. Se somarmos os lucros de todos os bancos, passa frouxo de R$ 40 bilhões. Nós, que temos contas em banco, não tivemos nenhum conhecimento de que tivesse sido depositado na conta de alguém algum valor como participação dos lucros, já que aqueles que depositam dinheiro no banco são no fundo geradores daquele lucro e aqueles que tomam empréstimos também. Não tive conhecimento de que alguém da população brasileira estivesse participando desse lucro enorme de R$ 40 bilhões.

Para se ter uma idéia do que sejam R$ 40 bilhões, eu duvido que o Brasil invista em obras de infra-estrutura e que exista esse tanto no nosso país inteiro. Para se ter uma idéia, R$ 40 bilhões daria para tocar e concluir, ao mesmo tempo e num ano só, imaginemos, a BR-101 sul e fazer em 20 estados obras desse vulto! Mas isso não existe! Então, R$ 40 bilhões é dinheiro, sim, uma barbaridade! E para quem ficou isso? Lá para os donos dos bancos, para alguns acionistas.

Mas nós vimos esta semana o governo Lula disponibilizando R$ 22 bilhões para o sistema financeiro, a fim de conter a alta do dólar, porque essa alta do dólar iria prejudicar muito essas iniciativas que estão acontecendo no Brasil. E quando se fala isso dá a impressão de que essas iniciativas empresariais estão longe.

Em Mafra, por exemplo, onde a Sadia estaria fazendo um investimento grande de um abatedouro - com esse abatedouro, deputado Antônio Aguiar, naturalmente viria uma porção de grandes investimentos -, uma redução ou um retardo nesse investimento significaria um atraso na economia para todo o estado de Santa Catarina e para a região, principalmente.

Quero crer que Canoinhas e Taiópolis irão ficar fora desse temor. Mas assim como acontece e vai acontecer em Mafra esse atraso no investimento da Sadia, certamente vai acontecer em Vidal Ramos o atraso do investimento da Votorantin para a implantação da fábrica de cimento. E assim podemos imaginar que aconteça numa porção de lugares só por esse aumento que o dólar está tendo, mesmo com a grande injeção de dinheiro do governo federal para conter essa alta do dólar, que passou praticamente de R$ 1,50 para R$ R$ 2,40! Quer dizer, R$ 0,90 a mais para cada dólar. Imaginem o que significa essa alta para um empreendimento de U$ 250 milhões. São R$ 250 milhões a mais do que aquilo que ia se gastar.

Então, essa crise vai ter uma repercussão muito grande para todos nós. Quem vai de fato pagar essa conta da crise mundial, a conta de que na hora boa alguns poucos tiveram grandes lucros? Nós vamos dividir, agora, com todo mundo o grande prejuízo, digamos, da farsa que aconteceu anos atrás.

Além da injeção de dinheiro, srs. deputados, para conter a alta do dólar, o governo lança agora uma medida provisória que permite a estatização de bancos privados e a participação acionária do governo em construtoras com problemas de caixa frente à crise mundial. Não vai haver nenhuma construtora do Brasil que diga que está com bom fluxo de caixa. Rapidinho todas elas vão ter contadores espertos que vão apresentar uma conta para buscar dinheiro do governo para, sem dúvida alguma, se beneficiarem mais uma vez dessa lei: os bancos, as construtoras, as seguradoras e o sistema de previdência privada e de capitalização.

Quer dizer, sempre foi esse sistema de previdência privada uma forma, infelizmente, de arrecadar dinheiro da população. Na verdade, a previdência privada, no meu entender, é um engodo. O cidadão vai colocando R$ 1.000,00 e se ele fizer a conta, daqui a dez anos terá o equivalente a R$ 600,00. Cadê os R$ 400,00? Adivinhem. Essa é a previdência privada que nós temos. A melhor previdência que temos, sem dúvida alguma, é a previdência pública, essa é a boa, é a confiável!

Aqueles que têm essa previdência, o governo vai injetar dinheiro ali. Ou seja, nós estamos num sistema de repartir o prejuízo com toda a população. Quando foi feito o sistema de privatização, no fundo a população inteira participou daquele programa. Agora, vamos fazer o caminho inverso. Aí vamos ficar um período socializando; aquilo que é privado, vamos socializar.

Já diz a própria medida provisória que mais adiante a empresa poderá ser vendida novamente pelo valor, naturalmente, de mercado. Ou seja, o dinheiro passando principalmente para as mãos daqueles que têm uma velocidade de raciocínio um pouco maior e que conseguem usar os benefícios da lei. Infelizmente, não sobra outra coisa para o governo! Se o governo deixar correr a bel-prazer - parabéns ao governo - será muito pior!

Imaginem que o sr. Fernando Henrique, durante o seu governo, não tivesse acertado o Brasil. Fez muitas reformas estruturais e agora o presidente Lula vai ter, sim, que andar conforme dita o grande mandão mundial, que é o poder econômico. Porque se deixar correr a bel-prazer, ficará muito pior.

Então, srs. deputados e prezados cidadãos catarinenses que nos acompanham pela TVAL, é isso que acontece, lamentavelmente, mas temos noção disso. E o governo, que muitas vezes priva a população de grandes investimentos em infra-estrutura, em estradas, em segurança, na saúde, é que tem que convocar a população para restrições, porque está diminuindo a arrecadação e vai ter que participar na hora de dividir o prejuízo com toda a população, até para não causar uma situação pior. E quem paga esse prejuízo, infelizmente, é sempre a população trabalhadora.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)