Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ana Paula Lima

60ª Sessão Ordinária - 30/06/2010

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Muito obrigada!

Sra. presidente, deputada Angela Albino, srs. deputados, funcionários públicos da área da saúde que se fazem presentes nesta Casa, sejam muito bem-vindos.

(Palmas das galerias)

Também quero saudar as universidades, em nome dos estudantes da UnoChapecó que estão presentes para a entrega das assinaturas para que o governo do estado implante de uma vez por todas a Defensoria Pública, até porque nós, da Saúde pública, vamos precisar muito da Defensoria Pública.

Eu quero, sra. presidente, deputada Ada De Luca, em nome das trabalhadoras e dos trabalhadores da área da saúde, me referir mais uma vez à greve deste setor tão importante, que é a saúde estadual.

(Passa a ler.)

"Durante sete anos e meio, deputada Angela Albino, para ser mais exata, este governo enganou esta categoria. Sem uma política salarial o governo desvaloriza os servidores públicos estaduais, e eu me refiro aos trabalhadores da área da saúde.

Esses trabalhadores primeiramente foram enganados pelas medidas provisórias n.s: 174 e 178. Estávamos prontos para votar essas medidas provisórias com as emendas da bancada do Partido dos Trabalhadores e em cima da hora o governador retirou o projeto da pauta. E agora estão sendo, mais uma vez, sra. presidente e srs. parlamentares, enganados pela não incorporação do abono de 16.76% aos salários.

Vejam bem que não estamos falando de aumento salarial, nós estamos falando da incorporação de um abono que os servidores da área da saúde já recebem. E o governo mente. Mente, trabalhadores da área da saúde, em afirmar que a incorporação é ilegal. Já provamos a legalidade dessa incorporação. E continua mentindo quando não negocia e especialmente quando não dá retorno às reivindicações da categoria.

Enquanto isso, com descaso e enrolação, a população catarinense sofre com a falta de atendimento de saúde. E não venha a imprensa me dizer que está na normalidade o atendimento à saúde no estado de Santa Catarina, porque não está.

O governo mantém sua postura de arrogância, não se manifesta, não se pronuncia. E os líderes do governo nesta Casa? Faço mais um apelo, deputada Ada De Luca, onde estão os deputados desta Casa? Onde eles estão na tarde de hoje? Deviam estar aqui.

(Manifestações das galerias)

Os líderes do governo nesta Casa, quando veio a enxurrada de medidas provisórias, manifestaram-se a favor. Era quem podia mais. O Democratas, o PSDB, o PMDB, todos dizendo "sim". Falam nos corredores para a nossa categoria que vão resolver. Mas até agora nada, nada, nada.

Eles enrolam com a arrogância deles. Os líderes nesta Casa, hoje, não vêm nem ao plenário, porque de certo estão procurando o vice do Raimundo Colombo, o vice do José Serra e não acharam ainda. Estão procurando até agora.

Os líderes desta Casa estão fazendo a mesma coisa. Dou um recado, então, insistentemente, sras. deputadas e srs. deputados, para o governador: a incorporação do abono é legal.

A categoria não vai abrir mão das lutas e também da dignidade de cada um e cada uma de vocês. Podem, sra. deputada Ada De Luca, deputada Angela Albino, deputado Dirceu Dresch, deputado Décio Góes, até voltar ao trabalho. Certamente voltarão indignados, mas conscientes e com a certeza de que todos os dias estarão conversando com a população sobre o drama da saúde em virtude de um governo que não cumpre o que prometeu.

A única coisa que nos resta fazer para manifestar essa indignação perante o descaso com os trabalhadores e a saúde da população de Santa Catarina, é o cartão vermelho para o Leonel Pavan e para o Luiz Henrique; o cartão vermelho para o democratas; o cartão vermelho para o PSDB; o cartão vermelho para o PMDB.

(Manifestações das galerias)

É o cartão vermelho, minha gente. Se vocês voltarem ao trabalho pedindo a incorporação do abono, levem o cartão vermelho. Se vocês voltarem ao trabalho sem a incorporação do abono, levem o cartão vermelho para esta gente: Leonel Pavan e Luiz Henrique da Silveira!

(Manifestações das galerias)

Esta é a vontade dos que trabalham com amor todos os dias cuidando da saúde do povo catarinense: que sejam afastados da vida pública da forma mais democrática, que voltem para suas casas, pela forma democrática, através do voto, no dia 3 de outubro.

Para finalizar, sra. presidente, eu sou desta categoria, sou enfermeira, e orgulho-me muito disso, e quero dizer que para o governo do estado de Santa Catarina, senhoras e senhores, nós somos invisíveis. Eles não nos olham, eles passam às vezes pelos hospitais, mas não sabem que lá e nos postos de saúde quem carrega muitas vezes o piano é a enfermagem.

Nós somos invisíveis, nós não existimos. O salário, sra. deputada Ada De Luca, para salvar a vida das pessoas é R$ 900,00. É justo? Não é justo. Para quem lida com a dor, R$ 900,00 é justo? Não é justo. Para aliviar o sofrimento das pessoas numa cama de hospital, R$ 900,00 é justo? Não é justo.

Para a população, nós da Saúde somos imprescindíveis. Apesar de sermos consideradas invisíveis pelo governador do estado, para a população catarinense somos imprescindíveis. A população reconhece, sim, o trabalho da área da saúde. E esse governo? A tríplice negociata - PSDB, PMDB e Democratas - não tem compromisso com a saúde pública neste estado e muito menos com a Defensoria Pública, pelo que há muito tempo lutamos.

Por isso, este governo da tríplice negociata é um governo de negociatas. Como diz uma faixa colocada aqui: Procura-se um governo que cumpra a promessa de campanha.

É hora de refletirmos, srs. parlamentares, e de assumirmos, enquanto categoria, um lado nessa campanha. Essa gente está maltratando-nos hoje, e incluo-me, diuturnamente. Inclusive estamos telefonando e tentando abrir esse canal de comunicação. Eles não merecem o nosso reconhecimento.

Por isso, no dia 3 de outubro, cartão vermelho para eles. É isso que essa gente merece.

Muito obrigada!

(Palmas)

(SEM REVISÃO DA ORADORA)