Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

17ª Sessão Extraordinária - 03/07/2007

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sra. deputada, srs. deputados, catarinenses que nos acompanham através da TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, estou diariamente acompanhando pela imprensa catarinense o hoje chamado Diário de Veneza, que é o diário dos eventos que sua excelência, o governador, comanda nesta quinta excursão em pouco mais de seis meses de governo.

Nesta, como nas demais, deputada Odete de Jesus, pouco de produtivo vi até aqui. Eu ainda me recordo, deputado Sargento Amauri Soares, da primeira viagem que o governador empreendeu para o exterior, no início do primeiro governo. No retorno, numa badalada entrevista coletiva concedida na Casa do Jornalista, sua excelência, o governador Luiz Henrique da Silveira, anunciava que, fruto daquela viagem, haveria, deputado Dagomar Carneiro, a importação de aerobarcos que fariam a ligação do sul do estado com a capital e do norte do estado com a capital, ou seja, barcos de transporte rápido. Passados cinco anos não vimos nenhum barco voando por aqui ainda, deputado José Natal. Continuamos vendo o governador voando muito.

Mas o que me chama a atenção no diário de hoje, na coluna do jornalista Renato Igor, é uma notinha chamada Galileu, que diz:

(Passa a ler.)

"Nesta terça-feira, o governador Luiz Henrique da Silveira cumpre agenda privada. Recebeu o convite para participar, com a esposa, Ivete, da 11ª edição do Prêmio Galileu, em Florença. O evento é a maior premiação cultural da Itália. O casal se reintegrará à comitiva amanhã."[sic]

Há algumas coisas que, por mais que eu me esforce, deputado Kennedy Nunes, eu não consigo compreender. Como é que o chefe do Executivo, numa viagem oficial, ora está lá por conta do erário em eventos como governador, outrora está lá como um turista, que sai do terceiro mundo e fica deslumbrado, conhecendo as belezas da costa amalfitana, da Europa como um todo. Não consigo entender como é que se separa: até aqui vai a agenda oficial do governador, que é paga pelo erário. Aí interrompe e entra o Luiz Henrique turista. Daí o turista vai para o turismo. Eu só não consigo entender se o hotel daquela noite quem paga é o erário ou não; se esse percentual da passagem para fazer turismo é descontado e se as bodas da filha foram apenas uma coincidência.

Deputado José Natal, será que foi pura coincidência de agendas a filha de sua excelência, o governador, casar exatamente no período em que estava lá? Acho que foi o seguinte: ele resolveu fazer uma missão para a Itália e lá descobriu que a filha estava casando num belo restaurante, com uma grande festa. Ele disse: "Pessoal, vocês me dão licença um pouquinho, que eu só vou lá ao casamento da minha filha e depois volto para o trabalho". Isso é um deboche para o cidadão! Programar uma viagem para o exterior em função do casamento da filha! Isso já chega aos limites do deboche, deputado Kennedy Nunes, porque quem está pagando a conta é o povo!

Aliás, isso já é reincidência, deputado Silvio Dreveck. A imprensa divulgou que no final do ano passado o então governador bem aposentado Eduardo Moreira, naqueles oito meses que ficou no governo apenas e tão-somente para ganhar uma pensão vitalícia de R$ 22 mil, aproveitou para fazer as bodas do casamento do filho nada menos do que no próprio Palácio da Agronômica. E lá mesmo foi realizada a festa de casamento do filho do Eduardo. E a vizinhança do Palácio da Agronômica - e a imprensa registrou isso - reclamou do barulho, da perturbação na madrugada porque a festa foi até o raiar do dia. Paga por quem? Servidores do povo lá servindo aos soberanos, como se aquilo lá tivesse sido transformado no palácio dos reis ou imperadores de qualquer país.

E agora o próprio governador Luiz Henrique empreende uma missão para o exterior, leva convidados, políticos e empresários e submete-os ao constrangimento. Porque esta Casa, inclusive, tem representantes, pois antes ninguém sabia que neste roteiro estavam incluídas as bodas de casamento da sua filha, aquela filha que, por pura coincidência também, em todo lugar que ela se apresentava como cantora - e quem teve a oportunidade de ouvi-la não teceu as melhores críticas -, ora no Rio de Janeiro, outrora no Recife, em Goiânia, em Porto Alegre, em Curitiba, sempre que ela fazia um show numa dessas capitais, ou uma tentativa de show, lá estava o paizão coruja, o governador de Santa Catarina, na primeira fileira para puxar os aplausos, talvez preocupado que ninguém tivesse a iniciativa de aplaudi-la, se ele não tivesse. E as viagens que ele fazia também eram patrocinadas pelo bolso do contribuinte catarinense: avião particular, segurança, estrutura para ir, durante todo um período, tentar promover a filha cantora. Não tendo tido êxito na promoção da filha cantora, porque os que a ouviram cantar não devem ter gostado, a exceção dos CDs que foram distribuídos com o patrocínio de órgãos do governo do estado, principalmente a Codesc, que patrocinou a filha cantora, como aquilo tudo não deu certo, foi um fracasso a tentativa de torná-la uma cantora famosa, de renome nacional e internacional, agora sua excelência empreende uma viagem para o exterior para assistir às bodas de casamento da filha, segundo Cacau Menezes, com um chefe de cozinha italiano.

Enquanto isso os estudantes do art. 170, 30 mil estudantes, deputado Pedro Uczai, estão na angústia de entrar no recesso sem que uma só parcela do art. 170 de 2007 tenha sido paga!

Este governo já começou a zombar, a debochar do cidadão catarinense, eu não tenho mais nenhuma dúvida disso. Nós estamos aqui para alertar. Eu me sinto no dever de chamar a atenção da sociedade catarinense para mais esse deboche oficial do governo de Santa Catarina!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)