6ª Sessão Solene - 10/05/2007
O SR. DEPUTADO HERNEUS DE NADAL - A seguir, fará uso da palavra o sr. Itacyr Centenaro, presidente da diretoria executiva da Associação Comercial e Industrial de Chapecó.
O SR. ITACYR CENTENARO - Excelentíssimo sr. deputado Julio Garcia, presidente da Assembléia Legislativa; excelentíssimo sr. governador do estado, Luiz Henrique da Silveira; excelentíssimo sr. João Rodrigues, prefeito municipal; demais autoridades que compõem a mesa; senhoras, senhores e amigos da imprensa. E faço uma saudação especial ao nosso presidente da Faesc, Luiz Carlos Furtado Neves.
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"A generosidade dos insignes parlamentares desta Casa Legislativa, acatando a proposição do preclaro deputado Herneus de Nadal, determinou a realização desta sessão solene em homenagem ao sexagésimo aniversário de fundação da Associação Comercial e Industrial de Chapecó - Acic.
Poucas instituições catarinenses mereceram tal homenagem do Poder Legislativo de Santa Catarina. Esse gesto do Parlamento Barriga-Verde deve ser interpretado como uma homenagem às classes produtoras da agricultura e agropecuária, da indústria, do comércio, do setor de serviços, e aos fundadores e precursores da Associação Comercial e Industrial.
Esta solenidade expressa o reconhecimento desta egrégia Assembléia ao sistema de representação empresarial catarinense, essa formidável organização inspirada em princípios seculares de trabalho, solidariedade, comprometimento social e justiça, que tem como um de seus expoentes justamente a nossa Acic.
Há 60 anos, o empresário Serafim Enoss Bertaso era eleito o primeiro presidente da Associação Comercial e Industrial de Chapecó. Não começava ali a história econômica do município, mas ali se começava a escrever a história da organização política das classes produtoras que, nesses 90 anos de emancipação administrativa e seis décadas de associativismo empresarial, legaram a Santa Catarina um dos mais eloqüentes paradigmas de trabalho e de desenvolvimento.
É com o senso de visão histórica e de compreensão de nosso papel na sociedade contemporânea que, biênio após biênio, os presidente das diretorias executivas, ao lado do conselho deliberativo, assumiram o comando desta que é uma das mais representativas entidades de Santa Catarina.
As riquezas que a natureza nos legou nessa terra inóspita, a capacidade de mudança e a transformação dos pioneiros, a inventividade das lideranças e a determinação dos colonizadores foram elementos que se amalgamaram nesse rico episódio de conquistas que se tornou a ocupação do vasto território de Chapecó.
Desde os primórdios, a crença nos valores do trabalho predominou. Esperança, força e coragem, pouco capital financeiro para investimento, ausência total de recursos tecnológicos, nenhuma preocupação com a derrota e o fracasso marcaram nossos primeiros empreendedores. Eles foram, acima de tudo, trabalhadores visionários, labutando ombro a ombro com seus pares, de tal forma que resultava indistinta a divisão de classes entre detentores do capital e detentores do trabalho. Patrões e trabalhadores se harmonizavam numa vinculação laborativa de cooperação e solidariedade que permeava a maior parcela das relações de trabalho da primeira metade de nossa história.
Este registro é fundamental na tipificação dos protagonistas daqueles tempos para realçar que a origem de nosso empresário não está vinculada à grande concentração de capital, ao controle de muitos meios de produção ou à subordinação de grandes contingentes de mão-de-obra, mas resulta, invariavelmente, do trabalho perseverante, continuado e pertinaz de um agente econômico com incrível capacidade de transformar o meio em que atua.
Mesmo transcorridos cinco lustros, a Acic traz como marca de sua atuação uma surpreendente capacidade de mudanças e transformações para enfrentar os novos e inquietantes tempos; mas mantém imutáveis os mesmos compromissos solenemente anunciados pelo pioneiro Serafim Bertaso, nos idos da década de 1940.
Já se tornou um bordão dizermos que, nunca antes, na vida empresarial brasileira, o empreendedor sofreu em tão pouco tempo tantas e tão variadas transformações. A internacionalização da economia, com efetiva supressão das barreiras, e a paulatina diminuição dos entraves alfandegários trouxeram para a nossa porta o rigor e a dureza da implacável concorrência mundial. Precisamos tornar nossas empresas competitivas para mantê-las no mercado, sustentando empregos e gerando riquezas. Para isso, muitas vezes, temos que absorver, em alguns meses, décadas de conhecimento gerencial e mercadológico, de desenvolvimento científico e tecnológico, de cultura empresarial participativa.
Por isso, a Acic atua para tentar reduzir ao mínimo as angustiantes incertezas de nossa era contemporânea, oferecendo oportunidades de debate, de formação, de informação e de intercâmbio que buscam antecipar os cenários desse novo século. Fundamentalmente, porém, a Acic mantém-se vigilante na defesa dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, na preservação dos postulados de um mercado minimamente regulamentado e sem as distorções da tecnoburocracia, na valorização do empreendedorismo, fundamentada nas liberdades democráticas para a construção de uma sociedade livre, pluralista, justa e solidária.
A presente homenagem, portanto, é justa e motivada para uma entidade constituída em 1947 com o objetivo de representar os setores econômicos e que, atualmente, congrega mil associados e representa 85% do PIB chapecoense. Se a Acic é, hoje, sinônimo de respeito, representatividade forte, poder reivindicatório, isto se deve, em primeiro lugar, a todos os empresários, empreendedores e empresas associadas, cumprindo a missão de representar os segmentos econômicos do município de Chapecó, estimulando a livre iniciativa e trabalhando como agentes de inovação e mudanças.
Para ascender a esse estágio, a Acic cumpriu uma jornada na qual a clareza de objetivos e a certeza dos deveres conduziram-na a posicionamentos, atitudes e decisões claras, firmes e intimoratas. Sem meias palavras, sem posições dúbias, sem omissões ou ausências, a Acic foi zelosa na desincumbência de sua missão, tendo como armas a ação, a denúncia, a informação e a mobilização, tudo rigorosamente dentro dos princípios éticos, das prerrogativas constitucionais e das normas do nosso ordenamento jurídico.
Cumprimos com o papel político da instituição, que não é e jamais será partidária, mas que convoca o cidadão que há por trás de cada empresário para exercer seus direitos, participar com sua cota de contribuição, exigir maior diligência dos órgãos públicos, maior eficiência do administrador público e justiça fiscal do estado.
Historicamente, trabalhadores e empresários estão cansados de pagar a conta da inoperância de um estado perdulário, incompetente, muitas vezes divorciado da sociedade e afastado das grandes questões da atualidade.
Nossos associados são verdadeiros agentes do desenvolvimento. Forjados no trabalho, movidos por forças telúricas, construíram a quarta economia de Santa Catarina e um dos maiores pólos de desenvolvimento do sul do Brasil. Essa condição hegemônica de pólo regional traz, embutido, uma carga de responsabilidades.
Embora a Acic tenha, estatutariamente, base territorial circunscrita ao município de Chapecó, participa do esforço de cooperação regional para a dinamização da economia, a abertura de novas frentes de produção, a otimização de recursos humanos e financeiros. Em tempos de globalização, nossa inserção regional deve ser bem avaliada. Chapecó, como nenhum outro município, sofre os influxos socioeconômicos regionais. Tornou-se o maior centro receptor do processo de migração, catalisando e êxodo rural de mais de 150 municípios em num raio de 300 quilômetros.
Há consenso geral que é imperativo diversificar a economia do grande oeste de Santa Catarina, modernizar as organizações, capacitar melhor o empreendedor, aprimorar a capacidade gerencial dos administradores e aumentar o nível da informação mercadológica disponível.
Atuando nesta direção, contribuímos para erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades regionais. Como cidadão consciente, sem qualquer proselitismo, o empresário age como homem público e demonstra visão social. Ao sustentar postos de trabalho, produzir riquezas e gerar tributos, ele cumpre uma função de real interesse coletivo.
Momentos como esses - mais do que de júbilo e de ufanismo - são ocasiões particularmente importantes para a reflexão sobre a extensão e a complexidade do compromisso que assumimos perante a sociedade.
Empresários, parlamentares e demais lideranças têm como pano de fundo uma era de incertezas, vergastados por problemas crônicos de um país em crescimento com fortes contrastes regionais, lutando para reduzir desigualdades, criar uma infra-estrutura de crescimento econômico de norte a sul e de leste a oeste, dar assistência aos fragilizados, amparar a velhice e pavimentar um futuro para as gerações que estão chegando.
Somos ora protagonistas, ora coadjuvantes de um cenário globalizado em que as decisões, os fluxos e os influxos de qualquer parte do planeta impactam de imediato nossa realidade interna. Essa nova realidade - que nos envolve inexoravelmente, e a cada dia com maior celeridade - emoldura com tons de dramaticidade o papel do empresário e também do homem público.
Todas as demandas sociais decorrentes do pulsar desse processo globalizante deságuam nas empresas e nos Parlamentos, exigindo ações e reações ágeis e acertadas.
Em Santa Catarina, os desafios do desenvolvimento são enormes, mas as nossas potencialidades são muito maiores que nossas deficiências. Culturalmente multifacetado, o estado reúne um extraordinário capital social em comunidades cujo perfil humano surgiu de mistura de povos e etnias e que reúne a bravura do caboclo, a força e perseverança do negro, a inventividade do lusitano, o arrojo empresarial do italiano e a paixão pela mecânica dos germânicos.
Na mente e nos corações dessa riqueza humana fecundaram os ideais do empreendedorismo e emergiram milhares de autênticas lideranças. Por isso, qualquer que sejam os desafios e os cenários deste século, estaremos preparados para enfrentá-los.
Srs. deputados, colhemos a homenagem deste dia com incontida alegria e o sentido da imanente responsabilidade, pois, em face dela, renovamos nossos compromissos com essa terra.
Nossos mais entusiastas cumprimentos aos ex-presidentes da diretoria executiva e do conselho deliberativo da Acic, aos conselheiros, aos colaboradores, aos associados e ao atual quadro de dirigentes.
Aos deputados que constituem o Poder Legislativo catarinense, um dos mais respeitados e reconhecidos do país, os imorredouros agradecimentos pela manifesta valorização e o reconhecimento ao empreendedorismo barriga-verde."
Muito obrigado a todos!
(Palmas)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)